domingo, 26 de janeiro de 2020

Pretty Maids – Undress Your Madness (CD-2019)



Jekyll & Hyde Dinamarquês Ataca De Novo
Por Trevas

O 16º trabalho de estúdio dos prolíficos dinamarqueses chegou às prateleiras com fortes ares de drama. Pouco antes do lançamento, o fundador e vocalista Ronnie Atkins (nome real, Paul Christensen) fora diagnosticado com um terrível câncer nos pulmões. Com Ronnie lutando pela vida, Undress Your Madness vem cercado de uma expectativa ainda maior, pois talvez seja este o canto de cisne da banda.

(Not So) Pretty
Contando com a produção sempre impecável de Jacob Hansen (Kamelot, Destruction, Anvil, Volbeat, Primal Fear, Onslaught...), após breve introdução, a bolachinha nos joga na cara a excelente e pesada Serpentine. A despeito da doença, Ronnie soa bom como sempre, uma das vozes mais marcantes e poderosas de seu tempo. O estilo? Aquela mistura deliciosa de Power Metal e Hard Rock que a banda sempre soube fazer, modernizada a cada era.



O Pretty Maids vinha de dois lançamentos menos empolgantes (o sem foco Louder Than Ever e o mediano Kingmaker), e a xaropesca Firesoul Fly, pesando demais para a veia Glam que vez ou outra contaminou o som dos caras, me fez temer por mais um disco para lá de irregular. Mas a chegada da pesadíssima faixa título (como as guitarras de Ken Hammer soam bem!) deixou explicita a intenção aqui: equilibrar o pacote entre números mais pesados e Dark e outros leves em sonoridade e intenção. Uma espécie de Jekyll and Hyde sonoro evidenciada pela chegada de números como Will You Still Kiss Me (If I See You In Heaven) e Runaway World. Aliás, chega a ser impressionante como uma banda que está chegando aos 40 anos de estrada ainda consiga gerar tanto refrão grudento.


A segunda metade do disco mantém a mesma toada, recheada de faixas sombrias entremeadas com farofadas descaradas, com destaque para a deliciosa Black Thunder, que resume a estranha mistura que banda sempre soube fazer em uma só canção. Enfim, se este for mesmo o último disco do Pretty Maids, será lembrado como um lançamento para lá de digno dentro de uma extensa discografia. Resta apreciar e torcer pela recuperação de Mr. Atkins. Que a saúde prevaleça e venham mais discos como esse. (NOTA: 8,18)

Visite o The Metal Club

Gravadora: Frontiers Records (importado)
Prós: as faixas pesadas são excelentes
Contras: algumas coisinhas adocicadas demais no meio das faixas sombrias
Classifique como: Hard/Heavy
Para Fãs de: Bonfire, Eclipse

sábado, 25 de janeiro de 2020

Swallow The Sun – When A Shadow Is Forced Into The Light (CD-2019)



Jornada Ao Centro Do Luto
Por Trevas

O que fazer quando o amor da sua vida tragicamente deixa esse plano em tenra idade por conta de uma doença cruel? Se você é um artista, parece inevitável se valer de sua própria arte para expurgar o sentimento de impotência e o luto. E quando sua arte já é naturalmente sombria, a tristeza pode ser canalizada como um possante combustível. E é com esse sinistro combustível que Juha Raivio, líder e guitarrista do combo finlandês de Doom Metal, abastece o oitavo trabalho de estúdio do Swallow The Sun. Juha perdeu sua esposa e musa inspiradora, a cantora sul-africana Aleah Stanbridge, pouco depois do lançamento do magistral e ambicioso Songs From The North (cuja capa traz justamente uma foto de Aleah).

Aleah e Juha
Catarticamente, se concentrou então em terminar o disco póstumo do Trees Of Eternity (seu duo com a esposa). Chafurdando no luto, entendeu que parar de trabalhar seria uma escolha ruim. E assim nasceu When A Shadow Is Forced Into The Light, produzido por ele mesmo em dobradinha com o tecladista Jaani Peuhu, e mixado pelo mago Jens Bögren.

Sexteto Sorumbático
A faixa título abre a jornada, um épico que transita com maestria entre luz e sombra, ora extremamente melodioso, ora pesado e desesperado. Uma macabra e cadavérica valsa das trevas.



A impressão de que o Swallow The Sun dessa vez mergulharia mais sem eu lado atmosférico e melódico fica ainda mais latente nos quase 8 minutos da belíssima The Crimson Crown, delicada e extremamente melancólica. É como se Juha tivesse tentado fazer com que sentíssemos cada átimo de sua saudade e dor, com sucesso.


Firelights e Upon The Water mantém um impressionantemente alto padrão de qualidade. Por vezes a banda soa como uma versão mais delicada do My Dying Bride, em outras, evoca o lado mais gótico do Paradise Lost. Sempre com sucesso. A produção é excelente, e os cuidadosos arranjos privilegiam o poder das canções, em detrimento de destaques individuais. Ainda assim, impossível não aplaudir a performance de Mikko Kotamäki. Mikko está perfeito, tanto nas vozes limpas quanto nos urros, ficando claro o quanto ele cresceu, ainda que possam ser ouvidas claras influências do mestre Aaron Stainthorpe (My Dying Bride).


As oito canções aqui presentes são recheadas de uma melancolia quase palpável de tão densa. Mas os elementos de Death Metal ainda se fazem presentes aqui e acolá (como em Here On Black Earth), ainda que sirvam majoritariamente como mero tempero de um todo bem menos histriônico. O que não tira em absoluto a força do disco, uma pérola sombria que nos transporta diretamente para o centro do luto de um homem desesperado. Ao ponto de quando Mikko finaliza a poderosa Never Left com os versos “Empty arms,But you never left. Empty rooms, But you never left. Empty heart, But you never left” quase podermos sentir a presença do fantasma da bela e talentosa Aleah. Um dos mais belos discos de 2019. (NOTA: 9,56)

Visite o The Metal Club
Gravadora: Urubuz Records (nacional)
Prós: delicado, sombrio e triste
Contras: não é exatamente brutal
Classifique como: Doom Metal, Gothic Metal
Para Fãs de: My Dying Bride, Paradise Lost, Katatonia


segunda-feira, 20 de janeiro de 2020

Insomnium – Heart Like A Grave (CD-2019)



No Coração das Trevas
Por Trevas

O oitavo trabalho dos finlandeses traz a banda de volta a um formato mais tradicional de composição, tendo em vista que o ambicioso (e excelente) Winter’s Gate foi um disco conceitual constituído de apenas uma longa canção, dividida em várias partes. Mas essa não é a única novidade aqui. Heart Like A Grave marca também a estreia em estúdio de Jani Liimatainen (um dos fundadores do Sonata Arctica, que Odin o perdoe), guitarrista que já vinha acompanhando a banda ao vivo. Na produção, os finlandeses repetem pela terceira vez a dobradinha com Teemu Aaalto, que também assina os Backing Vocals. O disco ganhou uma caprichada versão nacional, pela Mutilation Records, que conseguiu reproduzir a belíssima arte do encarte com perfeição. Vamos ao conteúdo musical...

Olhem para o nada, rapazes, olhem para o nada...
Logo descobrimos que não é por que decidiu abraçar um formato normal de disco que o Insomnium não trouxe surpresas para os fãs: Wail Of the North começa com piano, evolui para um Riff calcado em sintetizadores para então cair num curto ataque Black/Death. E tão rápido a música atinge seu ápice, logo desaparece em uma torrente de belos temas de guitarras, preparando terreno para Valediction. Novamente temos novidades, com as vozes limpas de ViIlle Friman e Jani fazendo um ótimo contraponto com os urros de Niilo Sevänen. Some-se esse trio vocal, um senso melódico absurdo nas guitarras e timbres, os teclados de Aleksi Munter (que assina como músico convidado) e temos uma curiosa mistura que parece um híbrido entre o Amorphis atual e o Amon Amarth. E soa bom demais!


Neverlast é um petardo MeloDeath irrepreensível, o tipo de som para fazer feliz o fã que não curtiu o formato do trabalho anterior. A escolha de uma formação com 3 guitarras fez com que cada parte instrumental do disco seja um deleite, com camadas e camadas de melodias inspiradas entre os riffs furiosos. Pale Morning Star, um espetacular número épico de quase 9 minutos, é um claro exemplo do sucesso da nova formação.


And Bells They Toll novamente surpreende, com fortes toques de Gothic Metal funcionando perfeitamente junto ao MeloDeath típico do Insomnium. A partir daí o disco perde um pouco, mas só um pouco, a força: The Offering, Mute Is My Sorrow e Twilight Trails soam mais diretas, carregando nas guitarras à lá Maiden. Boas músicas, apenas não tão impressionantes quanto resto do material, como nos provam a já clássica faixa título e a belíssima instrumental Karelia, que encerram com beleza e extrema melancolia um dos melhores discos de 2019. (NOTA: 9,40)


Visite o The Metal Club
Gravadora: Mutilation Records (nacional)
Prós: pesado e diverso
Contras: um pouco longo demais
Classifique como: Melodic Death Metal
Para Fãs de: Amon Amarth, At The Gates, Amorphis