sábado, 3 de dezembro de 2016

Blues Pills – Lady In Gold – Edição Especial Limitada (Cd + DVD - 2016)

Blues Pills - Lady In Gold
O Triunfo da Garota Dourada
Por Trevas

O combo multinacional Blues Pills, hoje radicado na Suécia, teve uma carreira de ascensão meteórica. De sua mambembe criação, em 2011, para um sem número de requisições para shows em festivais europeus menores em 2012, para a assinatura com a Nuclear Blast, lançamento de um disco muito bem recebido e uma miríade de shows em festivais de ponta, tudo aconteceu em um curtíssimo espaço de tempo. E sem que houvesse um grande plano de marketing por trás.

Blues Pills em seus primórdios...uns 3 anos atrás...
A velocidade dos acontecimentos atingiu em cheio os integrantes da banda, que se viram diante de uma imensa pressão interna para mostrar que todo o Hype criado não fora em vão, e que, a despeito da pouca idade e da gritante inexperiência dos músicos, eles são sim capazes de se manter no platô a que foram alçados de maneira tão abrupta. É com esse espírito que o quarteto acabou de lançar seu segundo disco, que ganhou uma belíssima edição limitada em digipack aqui no Brasil, contendo ainda um DVD bônus com um show completo.

O disco

Lady in Gold abre o disco e tem um refrão tão grudento que praticamente infecta seu cérebro à primeira audição – espaço garantido nos sets como honrosa herdeira de High Class Woman.


E se a primeira faixa trata a morte com algum glamour, a virulenta Little Boy Preacher ataca diretamente a religião. Aqui já podemos perceber o tom da produção de Don Alsterberg (Graveyard e também produtor da estreia da BP), que acertadamente centra o som e arranjos em Elin Larsson, relegando a banda a um segundo, ainda que muito bem arquitetado, plano.


Uma Floydiana introdução nos serve de escada para uma forte intepretação de Elin na ótima Burned Out. Se o clima até aqui não difere em muito do disco de estreia, a dose cavalar de Pop e Soul à lá Joss Stone pode assustar o ouvinte mais rockeiro. A popularidade da faixa acabou por levar o nome da banda a fãs de cantoras como Adele, mas é inegável sua qualidade, e sua presença nesse ponto da bolachinha só fez bem à dinâmica da mesma. Isso por que vem seguida da soturna Gone So Long, outra a começar com contornos Floydianos, preparando o território aos poucos, num crescendo que evidencia a versatilidade da banda e da cantora.


Bad Talkers se refugia em cargas de funk e soul, com aqueles arranjos bem cheios de backing vocals e camadas que enriquecem o disco, mas que são bem difíceis de se reproduzir ao vivo.

Blues Pills 2016
Adentramos então um território mais rocker, com as diretas e boas You Gotta Try e Wont Go Back. Já Rejection mantém a veia roqueira, mas retorna no tempo a algum lugar colorido dos anos 1960.

Elin mostrando os dentes
E é justamente dos anos 1960 (mais precisamente, 1969) que saiu a excelente Elements And Things, música do cantor estadunidense Tony Joe White. A faixa ganhou uma releitura para lá de inspirada e que certamente será alvo de longas jams quando transmutada aos palcos.

Saldo Final

40 minutos e dez músicas depois e me vejo colocando ao disco para rodar de novo e de novo. Enfim, Elin e sua trupe não só conseguiram sobreviver ao temido segundo disco, como ainda foram mais longe do que na estreia. Se no primeiro disco havia mais raça e talento do que composições memoráveis, aqui em Lady In Gold temos ao menos uma meia dúzia de canções memoráveis, além de uma produção mais focada nos pontos fortes de cada músico. Um baita disco que nos faz ter a certeza de que a Blues Pills merece todo o Hype que anda causando na cena.


NOTA: 9,09


DVD Bônus
A caprichadíssima edição brasileira traz ainda um DVD Bônus contendo um show realizado em Berlim em 2015. São 55 minutos e 9 músicas de uma performance absolutamente vintage. Elin desfila sua bela silhueta descalça com uma ferocidade e crueza inesperadas. Zach, Dorrian e André mostram enfim que a banda ao vivo é muito mais do que um veículo para a voz da loira. As imagens e som são de alta qualidade e a despeito do espaço não ser muito grande e termos poucas câmeras em ação, te garanto que já vi muito DVD oficial de carreira pior que esse. Um bônus excelente!


Pontos positivos: extremamente diversificado e com belas melodias
Pontos negativos: em estúdio, a escolha foi centrar na poderosa voz de Elin, então não espere grandes solos e arroubos instrumentais
Para fãs de: Rival Sons, Graveyard
Classifique como: Retro Rock, Blues Rock

quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

Airbourne – Breakin’ Outta Hell (Cd-2016)

Airbourne - Breakin' Outta Hell
Para Colecionar Multas na Estrada!

Por Trevas

Os australianos do Airbourne surpreenderam o mundo em sua estreia, fazendo um hard calcado em AC/DC, WASP dos primórdios e leve pitadas de Def Leppard. Alavancados por um impressionantemente energético show que os levou a abrir a turnê caseira de seus ídolos, os irmãos Young, a carreira dos caras vem crescendo a cada ano, e a promessa era de que esse novo álbum conseguisse captar o fervor do quarteto em suas apresentações. Para isso, abriram mão da produção polida do premiado Brian Howes, que trabalhara com...urgh...Nickelback (vade-retro!!!!), para apostar as fichas em Bob Marlette. Bob, parceiro de Alice Cooper nos pesados Dragontown e Brutal Planet, já havia acertado a mão na estreia dos garotos de Melbourne. Então as expectativas aumentaram consideravelmente com a repetição da parceria!


Hey, você tem uma cerveja??? Airbourne 2016
A faixa título é daquelas que você jura que o AC/DC já gravou anteriormente, mas ainda assim é impossível não agitar a cabeça e bater o pé ao ritmo acelerado da mesma. Excelente!


Rivalry (ver vídeo) praticamente implora para ser cantada junto e é clássico certeiro. Impressionante a capacidade dos caras em fazer canções simples e diretas, mas que grudam de imediato na cachola!


Logo depois temos um trio de músicas aceleradas que deveriam ser proibidas de se ouvir no som do carro em uma estrada aberta, pois é garantia de excesso de velocidade! I’m Going to Hell For This é viciante e midtempo e nessa alternância segue o restante dos pouco mais de 40 minutos da bolachinha, Hard Rock direto, extremamente vigoroso e sem frescuras, e sem lá muita preocupação em soar minimamente inventivo.



Saldo Final

Impossível para um fã de rock que se preze não curtir um disco como Breakin’ Outta Hell, que acaba por se tornar o melhor trabalho dos australianos desde sua excelente estreia. Diversão garantida e obrigatória!

NOTA: 8,75


Pontos positivos: rock and roll frenético e cheio de punch
Pontos negativos: porra, chupa AC/DC até a medula, mas quem se importa?
Para fãs de: AC/DC, Krokus, WASP antigo
Classifique como: Hard Rock

terça-feira, 29 de novembro de 2016

Sabaton – The Last Stand – Deluxe Edition (Cd + DVD-2016)

Sabaton - The Last Stand
Cansados de Guerra
Por Trevas

A vida dos suecos do Sabaton trafega em ritmo frenético. Galgando respeito e território à base e uma incessante e espartana (oops) agenda de shows, os efeitos dessa estratégia se mostrando na constante mudança de formação. E quando você acha que eles vão tirar um merecido tempo livre, lá vem o anúncio de um festival próprio ou de novo disco.

Sabaton no Circo Voador, 2016 (Foto por Daniel Croce)
O problema é que essa loucura por vezes cobra um preço alto. O disco anterior, Heroes já fora um passo algo burocrático criativamente e quando The Last Stand foi anunciado, confesso que mesmo sendo fã dos caras, fiquei com um pé atrás: será que a fórmula não está começando a se esgotar? Sem se afastar da costumeira temática bélica, dessa vez o disco tem como tema central batalhas históricas onde batalhões solitários se mostraram a última fronteira entre a vitória e a derrota em uma guerra.


Com esse tema em mente seria óbvio falar sobre os 300 de esparta, e é justamente Sparta que abre o disco, uma música eficaz, feita para o ambiente dos palcos, tal qual Last Dying Breath. Duas boas faixas, mas que não soam lá muito diferente do que a banda já fez.



E se cobramos que os caras se reinventem, temos gaitas de foles na chatinha Blood of Bannockburn, uma ode aos escoceses de Robert, The Bruce. Uma sessão rítmica feita de tiros, baionetas e explosões trazem um curioso tempero à boa The Lost Battalion. A produção de Peter Tagtgren deixou a voz e os teclados bem na cara e isso comprometeu o peso da bolachinha até aqui. Mas a boa Rorke’s Drift vem para relembrar que os suecos sabem soar pesados quando deixam.


Enfim, a faixa título talvez seja a mais fraca do disco, e o uso excessivo de corais piora ainda mais a situação. Ainda bem que Hill 3234 melhora o panorama, apostando novamente no peso e velocidade. Inspirada nos eventos históricos romantizados por Hollywood em O Último Samurai, Shiroyama é a única das faixas do material que eu apostaria ser um postulante a clássico. Realmente contagiante, apesar do arranjo meio “música do Jaspion”! 


Winged Hussars é outra faixa fabricada pensando nos shows e The Last Battle encerra os 44 minutos de música da edição padrão de maneira competente.


Sabaton 2016 - ainda querendo briga


Saldo Final

O Sabaton continua trilhando um terreno seguro, mas cuja paisagem vem se fazendo familiar demais. The Last Stand é divertido e vai fazer a felicidade daqueles que não se importam em ouvir uma fórmula ser repetida à exaustão. Mas, há de se convir, uma banda que já fez discos como The Art of War e, especialmente, Carolus Rex, pode muito mais que isso!


NOTA: 7,40


Edições Especiais
A bela edição brasileira conta ainda com duas faixas bônus: a divertida Camouflage (melhor que quase todas do disco) e uma competente versão para All Guns Blazing, do Judas Priest. Além disso temos um show inteiro da Turnê de Heroes em boa qualidade num DVD bônus e um encarte com impressão de primeira! Boa pedida! A edição em Earbook gringa traz ainda duas covers, uma para Afraid to Shoot Strangers, do Iron Maiden e Burn In Hell, do Twisted Sister.


Pontos positivos: disco fácil de se ouvir, com muita energia
Pontos negativos: a produção meio rococó e músicas que trilham fórmulas já esgotadas pela própria banda
Para fãs de: Powerwolf, Blind Guardian, Accept
Classifique como: Power Metal