sábado, 5 de março de 2016

Melhores de 2015 pela Cripta do Trevas

Melhores de 2015 pela Cripta do Trevas
Olá, Seres da Cripta

Mais uma vez me atraso solenemente na elaboração da lista de melhores do ano.

Sim, fiz o de praxe, escutei tudo o que consegui do material que resenhei em 2015 e ainda busquei nas listas alheias eventuais belezuras que porventura tivessem passado desapercebidas pelo meu radar. Avaliei e reavaliei. Alguns discos que eu tinha como pule de dez no início do ano ficaram de fora, outros que eu só vim a conhecer recentemente galgaram espaço. Enfim, como em toda lista, decisões difíceis foram tomadas. Decisões que parecerão acertadas e/ou errôneas dependendo do meu humor ao rever as bolachinhas escolhidas.

Posso dizer que esse é o melhor ano em termos de lançamentos de Rock pesado desde que comecei a escrever a Cripta. Poderia ter feito tranquilamente uma lista com 40 discos, e não ia ter nenhum mais ou menos.

Me recriminei ao ver o resultado final não incluir nenhuma banda nacional. Angra (sim, Angra. Não, eu não virei gay), Mad Dragzter e Metalmorphose chegaram a figurar na minha lista preliminar. Cheguei a pensar em criar uma categoria, melhor lançamento nacional. Mas isso foge da minha visão, de que música não tem fronteira. Tem gente da Suécia, da Alemanha, Estados Unidos, Noruega, Canadá, Inglaterra...e não criei uma categoria para nenhum desses países, certo? Me pareceria uma saída hipócrita.

Enfim, fazer uma lista é um vício divertido, mas que tem lá dessas “rêbordosas”

Espero que vocês curtam o resultado, que descubram discos que não conheciam até então, que fiquem putos, que achem a lista pífia, que me amaldiçoem, que comentem.

E espero mais ainda que postem aqui suas próprias listas. Quem sabe eu também não possa descobrir algum grande disco lançado em 2015 que tenha passado longe de minha busca?
Abraço a todos
Trevas

20. Royal Thunder - Crooked Doors
20. Royal Thunder – Crooked Doors

Não, dessa vez o Royal Thunder não me conquistou de primeira. Confesso que depois de duas ouvidas, quase deixei esse Crooked Doors de lado, a catar poeira junto ao Demolition do Judas Priest e o Virtual XI do Iron. Seria uma tremenda injustiça. Enveredando muito mais para um crossover entre o rock dos anos 90 com o psicodelismo de outrora, Mlny e companhia fizeram um disco denso e bonito.


19. Graveyard - Innocence & Decadence
19. Graveyard – Innocence & Decadence

Ah, pule de dez, Graveyard não tem como ser ruim. Na minha enciclopédia, Retro Rock virá com uma foto desses cabruncos aí. Mais um grande disco que remete à poeira e cogumelos lisérgicos.


18. Baroness - Purple
18. Baroness – Purple

Por falar em lisérgico, aos 47 do segundo tempo os maluquetes do Baroness soltaram essa belezura que cavou espaço rapidamente na minha lista. Longe da sonoridade Mastodoniana de seus primeiros dois discos, essa banda vai se especializando em trazer trabalhos que conseguem misturar crueza de rock de garagem com sutilezas de gêneros musicais mais herméticos. Ah, e o patrão ainda manja de arte de capa, sempre bacana.

17. Thunder - Wonder Days
17. Thunder – Wonder Days

Confesso que em sua época áurea eu não dava a mínima para o Thunder. E para falar a verdade, fora do Reino Unido, quase ninguém apostava nos caras. Mas eis que eles fizeram um disco com cara de banda veterana, mas com vigor de iniciante que ainda tem muito a mostrar. Um discaço de um Hard Rock encardido repleto de influências de Blues Rock. Ah, e como a voz de Danny Bowes envelheceu bem!


16. Iron Maiden - The Book Of Souls
16. Iron Maiden – The Book Of Souls

Desde que me entendo por gente o Iron Maiden polariza opiniões dentro dos círculos metálicos. Outrora minha banda favorita, confesso que já havia até perdido o tesão pela donzela. O retorno de Bruce não tinha até então gerado nenhum rebento inspirador de minha admiração. Até agora. The Book Of Souls segue a toada épica dos trabalhos recentes, só que dessa vez um tom sombrio e um capricho consideravelmente maior nas composições originou o melhor disco dos britânicos desde sua era de ouro.


15. Visigoth - The Revenant King
15. Visigoth – The Revenant King

Teria o algo infantilóide True Metal espaço no sofisticado mercado metálico atual? Com certeza, e os estadunidenses do Visigoth comprovam isso fazendo um disco irresistível que exibe com galhardia suas raízes oitentistas, em especial ao destilar o absurdamente bom cover para Necropolis, do Manilla Road!


14. Soilwork - the Ride Majestic
14. Soilwork – The Ride Majestic

Depois da complexidade de The Living Infinite, Strid resolveu botar as botinas um pouquinho no chão com uma obra bem mais direta, mas ainda assim detentora do selo de qualidade Soilworkiano. Bom ver que um dos pioneiros do Medolic Death Metal ainda tenha tanta lenha para queimar.



13. Armored Saint - Win Hands Down
13. Armored Saint – Win Hands Down

Uma das bandas mais legais e subestimadas da história do metal, o Armored Saint apareceu com esse discaço quando poucos lembravam que eles ainda não haviam encerrado oficialmente suas atividades. Obrigatório a todos que curtem o metal oitentista!



12. Ahab - The Boats Of The Glen Carrig
12. Ahab – the Boats Of The Glen Carrig

Os Ents, aqueles gigantes arbóreos da mitologia escandinava que aparecem na obra de Tolkien devem catalogar as obras do Ahab como Speed Metal. Sim, tudo aqui é lento como as torturas de Torquemada, pesado como trosoba de baleia azul e denso como piche. E cara, muito, mas muito bacana (nota do Trevas: descobri esse disco graças à lista de melhores do ano dos colegas do Música Ofensiva).


11. Satan - Atom By Atom
11. Satan – Atom By Atom

E quando aquela banda que parecia fadada a ser lembrada pelo passado, num eterno status cult simplesmente rompe o silêncio, tal como um fóssil vivo metálico? Bom né? E o melhor ainda é atestar que o retorno triunfal não fora um mero acidente. O satan ressurgiu das tumbas com o ótimo Life Sentence e repetiu a dose nesse Atom By Atom. Será que virá mais um discaço por aí?


10. Eclipse - Armageddonize
10. Eclipse – Armageddonize

O Eclipse é uma das várias bandas europeias que se especializaram em fazer o ultrapassado AOR ser convertido perfeitamente para uma nova geração, produzindo discos melodiosos e absolutamente deliciosos. E esse Armageddonize representa até agora o ápice dessa arte.


09. Enforcer - From Beyond
09. Enforcer – From Beyond

Ah, sim, a NWOTHM gera uma porção de trabalhos que não trazem absolutamente nada de novo ao mundo do metal. E é exatamente isso que faz com que as bandas desse movimento cativem tanta gente. Podados alguns excessos vocais, o Enforcer fez seu melhor trabalho até o momento, num equivalente musical do manjar dos Deuses para os nostálgicos.


08. Europe - War Of Kings
08. Europe – War Of Kings

Um caso raro onde a banda não só ganha uma segunda chance na carreira e mais raro ainda quando a segunda vinda supera em muito a primeira. Hoje o Europe é uma banda renascida e livre das pressões mercadológicas das gravadoras, produzindo efetivamente o tipo de música que gosta. E dentre os sempre efetivos novos lançamentos, talvez esse War Of Kings, repleto de elementos de rock setentista fundidos a uma pegada moderna, seja o melhor. Foda-se a lycra,o laquê e aquela bosta de Carrie! E viva o novo Europe!



07. Clutch - Psychic Warfare
07. Clutch – Psychic Warfare

Os caras não são novatos e nunca tiveram a intenção de lançar algo que reinventasse a roda. E não ia ser a essa altura do campeonato que o jogo iria mudar. Podem acusar o Clutch de capitalizar em cima do inesperado sucesso de Earth Rocker e simplesmente repetir a fórmula. Mas que a fórmula gera rebentos extremamente divertidos, ah, gera!



06. Jorn Lande & Trond Holter - Dracula: The Swing Of Death
06. Jorn lande & Trond Holter – Dracula: Swing Of Death

Olha, o norueguês Jorn Lande é um de meus vocalistas favoritos da atualidade, mas confesso que não confio muito nos seus dotes como compositor. Mas sua parceria com Trond Holter funcionou muito bem, rendendo diversos pequenos clássicos num ótimo disco conceitual.



05. Moonspell - Extinct
05. Moonspell – Extinct

Depois de decepcionar um pouco ao exacerbar a dualidade de seu som no trabalho duplo anterior, os soturnos heróis Lusitanos do Moonspell conseguiram equilibrar com maestria seu lado extremo com o lado gótico nessa fantástica obra sorumbaticamente romântica recheada de grandes canções.



04. Amorphis - Under The Red Cloud
04. Amorphis – Under The Red Cloud

Bom, não acho que o Amorphis seja capaz de lançar um disco ruim. Mas confesso que os dois últimos tiveram um efeito deletério em minha adoração pelos finlandeses. A fonte parecia estar secando. Só parecia. Under The Red Cloud resgata alguns momentos da era Space Rock da banda e mistura com perfeição ao Melodeath com Folk dos trabalhos mais atuais, compilando um material que rivaliza com os melhores que eles já lançaram.



03. Lucifer - Lucifer I
03. Lucifer – Lucifer I

A separação da promissora The Oath pode ter colocado muito fã de Occult Rock de luto, mas não por muito tempo. Johanna Sadonis juntou-se a Gaz Jennings, o mestre das seis cordas do Cathedral (e amigo de seu esposo, o lendário Lee Dorrian) para talhar essa obra viciante que mistura peso Sabático com piscodelia e muitas referências aos segredos do além-túmulo.




02. Swallow The Sun - Songs From The North I, II & III
02. Swallow The Sun – Songs From the North I, II & III

2015, discos quase não vendem mais. Mas essa banda finlandesa resolve colocar no mercado um disco triplo, explorando facetas diferentes de seu som sorumbático. Epic Fail? Porra nenhuma, simplesmente um trabalho denso e quase perfeito que mesmo bastante longo não parou de rodar no meu som!




01. Paradise Lost - The Plague Within
01. Paradise Lost – The Plague Within

Desde que redescobriram o gosto pelo peso que marcou o início da carreira da banda, os pais do Gothic Metal vinham batendo na trave em produzir uma obra de impacto tão grande quanto um Draconian Times. Talvez o novo disco não alcance tal status, só o tempo dirá. Mas de uma coisa estou certo, The Plague Within merece estar em toda e qualquer lista de discos do ano que se preze. Aqui na Cripta, ganhou o topo!

Resenha para The Plague Within na Cripta

sexta-feira, 4 de março de 2016

Meus 15 Shows Favoritos - Por Júlio César Monteiro



Prólogo - Malacopregos em Ação
Quando iniciei a Cripta, minha principal ideia era a de ser um veículo para resenhas de discos, algo que adoro ler, levando tudo com senso de humor e exercitando minha memória para lembrar do monte de coisas que li e leio sobre as bandas que resenho.

Curiosamente, justamente os textos que fogem ao formato de resenha tem um apelo muito maior junto ao público, com uma caralhada de visualizações a mais que as pobres críticas das bolachinhas.

Para esses textos opinativos já contei com a adorável ajuda de pessoas queridas como Renata Roxy e Bozinho (aka Pedro Viana). Volta e meia ponho pilha em alguns amigos para contribuir aqui, mas raramente esses convites vingam. Dessa vez, fui surpreendido por um grande amigo que gostou bastante do meu texto sobre os 15 shows favoritos. Ele achou tão bacana que resolveu fazer uma lista semelhante (toda vez que vejo uma lista, eu também faço minha versão, sou viciado nisso, ehhe). Então ele me perguntou se eu abria espaço aqui para que outras pessoas publicassem seus textos. CLARO!!! É sempre um prazer abir esse espaço aos amigos!

E o cara em questão é uma grande pessoa. Quando comecei minha faculdade em biologia, logo fui procurar um estágio, e acabei trabalhando com o estudo de moluscos, a saber, chama-se malacologia. Lá conheci o Júlio, uma espécie de enciclopédia ambulante de zoologia e um grande fã de rock. Éramos malacopregos metálicos, hehe. Ou seja, o estágio era um canal para escambo de cds e troca de informações sobre nossas bandas favoritas. Bons tempos!

Lá vai então a listinha dos 15 melhores shows da vida do convidado da Cripta de hoje, Mr. Júlio Monteiro!
Saudações
Trevas

Sobre o colaborador
Júlio é biólogo, doutor em zoologia; trabalha no Instituto de Estudos do Mar “Almirante Paulo Moreira” (Arraial do Cabo/RJ). Com especial interesse por rock clássico, heavy metal, progressivo, punk, rock contemporâneo; também escuta música clássica, blues, jazz e MPB. Atua (da forma mais amadora possível) como vocalista da banda cabista “Os Krakatoa” (rock nacional e clássico).









Meus 15 Shows Favoritos
Por Júlio C. Monteiro

Seguindo o modelo do meu amigo Renato Trevas, apresento uma lista comentada dos 15 shows que achei mais marcantes, dispostos em ordem cronológica.

É difícil escolher. Assisti apresentações de algumas de minhas bandas favoritas (p.ex.: Iron Maiden, Yes), mas nem por isso foram shows que incluí na lista abaixo. Por quê?  Simples, faltou alguma coisa pra exclamar ao final: esse show foi do caralho! Tenho o exemplo do Hollywood Rock de 1989, que fui para ver o Marillion. A banda Progressiva fez um show tão morno, que pareciam só estar cumprindo protocolo. O Bon Jovi tocou em seguida. É uma banda que não dou importância, mas foi um bom show, digo, muito melhor que o do Marillion. O fator expectativa pode ser ruim quando você espera demais por um show, que no fim não é lá estas coisas (ou pelo menos não o bastante para você).

Papai do Céu e os Deuses de uma maneira geral têm sido legais comigo, de modo que já vi alguns shows bacanas (não tantos quanto o Trevas). Procurei escolher os mais relevantes, com algumas exceções.  Além dos critérios óbvios como qualidade técnica, repertório, impacto visual, empolgação e interação com o público, alguns destes shows foram escolhas altamente pessoias. A admiração quase incondicional por uma banda/músico tem o seu peso. Em alguns casos um show pode ter sido simplesmente marcante pra mim em determada época (o primeiro da lista é um caso). Assim, segue abaixo minha seleção. Abraços, Júlio.

1)      Rádio Taxi (Ginasião, São Carlos/SP, 1982 ou 83).
Deve ter sido a primeira vez que fui a um show; eu teria uns 13 ou 14 anos. Este grupo de pop/rock gravou coisas um tanto bregas, e ‘Eva’ é um exemplo notório (mas e daí? Bandas legais como Def Leppard, Kiss, Asia, Whitesnake produziram farofa suficiente para cobrir a superfície do planeta Terra) .Entretanto, foi um grande sucesso na época, antes mesmo da avalanche do chamado “Rock Nacional” da década de 1980. Enfim, a banda é muito boa (pelo menos tecnicamente falando), e o grande Wander Taffo foi guitarrista e um dos fundadores.


Judas Priest tomando o segundo rock In Rio de assalto!

2)      Judas Priest (Estádio do Maracanã, Rock in Rio, 1992).
Um show memoravel, na noite do Metal da segunda edição do Rock in Rio. O Judas, após uma leva de álbuns ruins, renasce das cinzas com o recém-lançado “Painkiller”, e apresentou um show poderoso, super bem executado e empolgante. Neste dia também teve Sepultura (que começava a ganhar o mundo com o álbum “Arise”); Lobão (numa apresentação de uma música e ½; acho que todos sabem o que aconteceu); Megadeath; Queensrÿche (eu já curtia muito essa banda, e foi um bom show; porém, um crítico musical declarou que foi o pior show do RiR de todos os tempos. Mas, como diria Marcelo Nova: crítico musical nasceu para dizer besteiras); Guns & Roses (era a queridinha do momento, mas o show não foi nada de mais).

Rolling Stones na turnê Voodoo Lounge (94/95) (nota do Trevas: não, não vou postar o cu da Rita Lee!!!)

3)      Rolling Stones (Estádio do Maracanã, Hollywood Rock, 1995)
Desta lista, se fosse necessário resaltar os “Big Four”, certamente incluiria o show dos Stones. Mick Jager tem uma presença de palco, energia e carisma indescritíveis; Keith Richards, embora um guitarrista basicão (afinal, it´s only rock&roll), carrega uma aurea mítica fantástica. Era a turnê do “Voodoo Lounge”, e além de divulgar o álbum, tocaram uma mega seleção de grandes músicas. Momento marcante: em ‘Sympathy for the Devil’, bonecos infláveis gigantes surgiram atrás do palco (incluíndo um Elvis e uma Nossa Senhora). Arrebatador. P.S.: este show encabeçava uma das edições do extinto Festival “Hollywood Rock”; antes dos Stones, Rita Lee fez uma excelente apresentação, mas, com uma bizarra atitude: a rainha louca do rock abaixou as calças e exibiu seu ânus ao público.

4)      Mamonas Assassinas (Praça Garota de Ipanema, Arpoador, 1995)
Vocês podem odiar, xingar e jogar suas pedras. Mas o fato é que este show foi muito marcante, e um dos mais engraçados que já vi. Primeira apresentação no Rio de Janeiro, e gratuitamente, quando a banda ainda nem era tão conhecida. Na ocasião eu só conhecia ‘O vira’e ‘Shopcentis’, divulgadas a exaustão pela rádio “Cidade FM”. Assim, as outras músicas (que se tornariam super populares) foram boas piadas que se escutava pela primeira vez. Depois disso, o sucesso meteórico e o trágico fim.

Page & Plant num dos muitos piratas da apresentação de 1996


5)      Robert Plant & Jimmy Page (Apoteose, Hollywood Rock, 1996)
Outro ‘Big4’ de minha lista. Nesta que foi a última edição do “Hollywood Rock”, Page & Plant apresentavam o show do álbum “No Quater”, contendo novas roupagens para clássicos do Led Zeppelin, com a participação de músicos marroquinos e do Oriente Médio. Muita gente (obviamente uns chatos) torceu o nariz; mas eu achei o álbum fantástico. E o show não foi diferente! Momento marcante: difícil escolher, mas ‘Kashmir’ com a participação da Orquestra Sinfônica Brasileira foi delirante.

6)      Roger Waters (Apoteose, 2002; Apoteose, 2007; Estádio do Engenhão, 2012)
Vi três shows do Waters, e se perguntarem qual foi o melhor, respondo: todos. Os sons mais límpidos que já escutei em repertórios sensacionais. No show de 2002, da turnê “In the Flesh?”, fiquei viajando com a longa ‘Dogs’ e a chapante ‘Set the controls for the heart of the sun’, sem usar qualquer substância ilícita. Cheguei a pensar: isto está acontecendo mesmo?! Foram sons que jamais imaginei escutar ao vivo, conduzidos pelo próprio ‘cérebro’ do Pink Floyd. Em 2007, a segunda parte do show foi o “Dark Side of the Moon” na integra, além do bis. Por fim 2012, o show “The Wall” foi absurdamente excelente; acho que dispensa comentários. Outro Big4 na certa, só não sei escolher qual dos três.


Rush In Rio, um clássico dos vídeos oficiais de shows de rock

7)      Rush (Maracanã, 2002)
Demorou um “cadinho” para o público brasileiro ver o trio canadense. E esta passagem pelo Brasil foi tão boa que rendeu um CD/DVD ao vivo, quebrando um protocolo (parece que eles só gravam um ao vivo após quatro álbuns de estúdio). Foi um show perfeito: instrumental impecável, carisma e repertório fuderoso, e o público interagiu muito bem. Fui com um pessoal que incluía um primo que é baterista, e, durante ‘YYZ’ ele chorou um bocado. Eu não chorei (afinal, homem não chora), mas escutar ao vivo ‘The Spirit of Radio’, ‘The Trees’, ‘The Temples of Syrinks’, entre outras, foi emocionante. Forte candidato ao Big4. Arrependimento profundo foi não ter visto o show de 2010, comemorativo aos trinta anos do álbum Moving Pictures.

8)      Pearl Jam (Apoteose, 2005)
Após a morte de Kurt Cobain o ‘Grunge’ foi definhando. Entretanto, um dos sobreviventes do movimento: Pearl Jam continuou firme, e fez um showzão. Há quem diga que esta banda só tem um álbum bom, o de estreia (Ten); eu discordo. Claro que muitos momentos marcantes foram com músicas deste disco (p.ex. ‘Black’, ‘Even Flow’ e ‘Jeremy’), entretanto, ‘Last Kiss’, ‘Given to Fly’ e ‘Daughter’ e várias outras também foram ótimas. O grunge mais visceral ficou por conta da banda de abertura: o Mudhoney, que gostei muito; inclusive, ouvi uma estória que estes caras já tocaram até em um bar alternativo em minha cidade natal (São Carlos/SP). Não sei se a informação procede...

A única Polícia bacana no Rio

9)      The Police (Maracanã, 2007)
Em meados dos anos 2000, se alguém virasse pra mim e dissesse que o Police faria um show no Rio, eu diria: que piada, conta outra. Mas, as vezes os astros do rock querem dar um “Up” em suas contas bancárias ...e apareceu do nada um show do Police (do nada mesmo, pois não gravaram qualquer material novo). Mas isso pra mim foi de muito bom grado, pois esta é uma das bandas que gosto desde a adolescência. Foram vários hits, para o deleite do público. A apresentação toda foi boa, mas “Message in a Bottle”, “Roxanne”, “Next to you” e “So Lonely” foram os pontos altos.

10)   Kiss (Apoteose, 2009)
Compartilho a opnião do Trevas: o Kiss modelou os shows de rock com tudo que é espalhafatoso, cheio de parafernalhas e pirotecnias. Neste show, o repertório seguiu basicamente o primeiro álbum ao vivo “Alive!”, além de alguns sons mais “recentes”.  Uma vez li a seguinte declaração do Gene Simmons:  “Quem vai a um show do Kiss não precisa ver mais nada, pois qualquer outro parecerá sem graça”. Well, não sei se o forte do Gene é o humor ou o ego..., mas, de qualquer forma, o show foi muito bom.

11)   Paul McCartney (Estádio do Engenhão, 2011)
Vocês vão dizer: há, só escolheu esse por causa dos Beatles. Respondo: claro que sim! McCartney e Lennon escreveram algumas das melhores e mais marcantes canções do século XX! E mais, este ilustre senhor continua em boa forma, conduziu um show de quase três horas, cantando e tocando bem, e com bom humor. E, cá pra nós, escutar do próprio ex-Beatle: ‘Back in the USSR’, ‘Let it Be’, ‘Sgt. Peppers Lonely Hearts Club Band’, ‘Black Bird’, ‘Helter Skelter’, ‘Yesterday’, ‘A Day in Life’, entre outras... porra!!! É de arrepiar; não tem preço.

12)   Metallica (Cidade do Rock, Rock in Rio, 2011)
Recentemente cheguei a repudiar o Metallica, quando soube que James Hetfield caça ursos alfa (Freud explica?) e faz troféus com suas cabeças. A informação veio de um papo de bar, logo, não sei sobre sua veracidade. Estupides a parte, devo fazer jus: o Metallica sabe fazer um showzão. Eu não sabia o setlist, então tive boas surpresas, como a instrumental ‘Orion’, além das ótimas, mas previsiveis, ‘Fade to Black’ e ‘One’. Naquela noite, eles pareciam ter se emocionado e ficado satisfeitos com o show, tal como o público. A não ser que também sejam muito bons atores. Nesta mesma data foi a única vez que vi o Motörhead, do saudoso Lemmy, que também foi excelente.

13)   The Offspring (Cidade do Rock, Rock in Rio, 2013)
Esta banda, como a congênere The Green Day, tá tão apagada no cenário que parece nem ter merecido o Palco Mundo do RiR de 2013. Mas foi melhor assim! Valeu ve-los de perto no palco ‘Sunset’, banda esta que manda muito bem ao vivo. O palco já havia sido esquentado por Mark Ramone (com vários clássicos dos Ramones), e em seguida este show foi a cereja do bolo, no que chamaria de uma noite Punk do RiR. Já na abertura mandaram ‘All I want’, que gerou três rodas (e eu no meio delas); minha esposa quase foi ao chão e levou uma cotuvelada no nariz (mas, sem nenhum dano).  O show inteiro foi empolgante, com um desfile de hits. O Doritos que estava em minha mochila virou farinha. O que teve depois no Palco Mundo mesmo? Não lembro.

E quem diria que iríamos ter a chance de ver o Madman com o Sabázão de novo? 


14)   Black Sabbath (Apoteose, 2013)
Tal como o show do The Police, eu jamais sonharia em ver o Black Sabbath em sua formação original (exceto pela falta do Bill na bateria). Este foi um dos shows mais empolgantes da minha vida. Os clássicos do Sabbath, cantados pelo próprio Ozzy (que me surpreendeu), o baixo pesado e bem marcado do Geezer e os riffs mágicos do Iommi: sensacional! Em determinado momento, acho que foi em ’ N.I.B.’, eu chorei (esta história que homem não chora é balela). ‘Iron man’, ‘B. Sabbath’, ‘Paranoid’, tudo estava lá; muito, muito bom. Disputa com o Rush pelo “Big4”.

15)   System of a Down (Cidade do Rock, Rock in Rio, 2015)
O SOAD me agradou em cheio desde que conheci: um Metal original, com levadas diferentes, e as vezes toques de Oriente Médio. Quando foi anunciado que tocariam no Rock in Rio 2013, não tive dúvidas, fui! E... um tanto decepcionante. Mesmo com repertório e som OK, a banda estava mais fria que as cervejas que bebi (bom, as cervejas vendidas no gramado do RiR não são necessariamente geladas!). Não diria que foi um show ruim, mas não satisfez. Entretento, por teimosia, arrisquei novamente em 2015. E desta vez sim! Parecia outra banda, muito mais vibrante, viva e forte. Serj Tankian (vocal principal) parecia mais a vontade que em 2013, e mais bem humorado também. Assim, lavei minha alma e fiz as pazes com o System.


Adenta
A) shows que ainda gostaria de ver: Van Halen, AC/DC, U2, The Cure, Rammstein, Slayer completo (no ‘RiR 2013’ foi 2a atração do Palco Mundo, show curto), Ozzy solo, Abney Park, Abramis Brama, Biohazard, Genesis com Peter Gabriel (talvez este último deveria estar na lista abaixo).
B) shows que infelizmente não verei mais: Ramones, Queen com Fred Mercury, Nirvana, Heavan & Hell, David Bowe, Emy Winehouse, Type O Negative.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

Amorphis - Under The Red Cloud (Cd-2015)

Amorphis - Under The Red Cloud (2015)
Ouro Abaixo das Nuvens Vermelhas
Por Trevas

Vanguarda Nórdica
Bom, lembro-me de ter tido o primeiro contato com o som do Amorphis lá nos idos da década de 1990, mais especificamente através do Fúria Metal do Gastão Moreira, na MTV. Não lembro ao certo o clipe, talvez fosse Divinity (ver vídeo). Rédibênzi cabeça fechada que era, achei tudo muito esquisito, passei de lado. Mas aquela banda ficou de alguma forma em algum recôndito obscuro da geléia de abacaxi que tenho dentro do crânio.


Hoje em dia talvez seja difícil explicar para algum garoto que conheça a variada fauna metálica dos novos tempos o grau de estranheza que causava uma banda misturar Death Metal, Folk e Progressivo. Mas sim, à época os Finlandeses soavam bastante estranhos...e inovadores. Bolachas como Elegy e Tuonela certamente marcaram uma geração. Com o passar dos discos a banda acabou por perder a mão em experimentalismos encerrando sua fase “clássica” com o mediano e sem foco Far From The Sun e com a saída do vocalista Pasi Koskinen.


Mas o que poderia representar o fim da banda na verdade marcou o início de um ciclo ainda mais prolífico. Adicionando o versátil Tomi Joutsen aos microfones, dono de urros Godzillicos e uma voz limpa bem acima da média, o Amorphis deu reboot com o ótimo Eclipse, logo em seguida atingindo o topo das paradas Finlandesas com Silent Waters


Skyforger veio então para coroar a boa fase, uma obra que até mesmo os mais saudosos fãs tem que admitir ser de grandeza ainda maior que qualquer trabalho dos primórdios. E quando The Beginning Of Times mostrou-se meloso e cansativo, foi justamente no som dos primórdios que os caras buscaram inspiração, com o virulento, mas ainda assim não tão inspirado Circle.


Confesso que comecei a encarar o Amorphis uma banda que criara uma fórmula bem própria, mas que tinha explorado esse som até a exaustão criativa. Apesar de gostar bastante dos caras, não esperava mais nada além de discos bacanas, mas sem tanto impacto, como os últimos dois. Foi com esse espírito algo cínico que coloquei a Nuvem vermelha para rodar...só para comprovar minha tolice....


E o que Temos Debaixo da Nuvem vermelha?

A ótima faixa título é bastante melodiosa, um aparente contraponto à rudeza de Circle. A produção de Jens Bogren como sempre está caprichadíssima e dá para perceber de cara o enfoque em timbres mais progressivos por partes das guitarras de Esa Holopainen e Tomi Koivusaari e uma maior presença dos teclados de Santeri Kallio.

Não fique assustado, Under está longe da “leveza” de The Beginning Of Times, e assim que The Four Wise Ones entra temos uma porrada na orelha que lembra até mesmo Amon Amarth, só que com nuances folk carregadas e bastante dinâmica, com Joutsen migrando com maestria entre os urros e os vocais limpos.

Amorphis 2015
Bad Blood e The Skull ainda que boas, parecem aquelas faixas mais diretas e simples da fase recente, e até poderiam indicar que o material do restantes do disco seguiria esse caminho. Mas logo depois temos a primeira faixa de trabalho, a excelente Death Of A King, que bem poderia servir de resumo das intenções do disco como um todo: uma fusão para lá de equilibrada entre Folk Metal, Death e Progressivo/Space Rock.



Confesso que quando foi divulgada a segunda faixa de trabalho, Sacrifice (ver vídeo), fiquei com os dois pés atrás: é o típico Amorphis mais acessível e representa exatamente a fórmula que deu sinais de desgaste em The Beginning Of Times. Mas ainda que as linhas de voz não passem de medíocres, a banda está tão inspirada que o instrumental muito bem cuidado salva o dia. O mesmo vale para Dark Path, que soma a isso um tempero Death.


Daí para diante, é uma belezura atrás da outra. Enemy At the Gates tem de tudo, clima oriental, estrutura instrumental que lembra o Space Metal de Am Universum e Far From The Sun, aliados ao toque Death Metal inteligente que os vocais de Tomi Joutsen proporcionam. Tree Of Ages é a perfeita fusão entre o Folk e extremo e White Night é épica, dinâmica e bela com o peso flutuando entre a delicadeza da voz da vocalista convidada Aleah Stanbridge. A edição limitada ainda conta com a razoável Come The Spring (no mesmo naipe de Sacrifice), e a boa Winter’s Sleep (mais uma fusão Folk/Death).


Saldo Final

Numa cena tão variada quanto a de hoje, o Amorphis já não soa mais tão estranho e inovador. Não há nenhum caminho em Under The Red Cloud que os finlandeses já não tenham trilhado em discos passados. E hoje em dia temos diversas bandas que trilharam caminhos semelhantes. Graças ao Amorphis, diga-se. Mas a passagem de vanguardista para um grupo com estilo consolidado não é demérito algum, e aqui somos presenteados com um dos trabalhos mais concisos e inspirados de uma discografia que mesmo em seus pontos baixos flutua bem acima da média. Excelente!

NOTA: 92

Classifique como: Melodic Death Metal, Folk Metal, Prog Metal
Para fãs de: Soilwork, Amon Amarth
Fuja se não for um headbanger afeito a misturas