Para os malucos(as) que como eu tem prazer em destrinchar as histórias que permeiam a trilha sonora que escolhemos para nossas vidas. E quantas histórias interessantes se escondem em cada esquina desse vasto mundo do rock! Vocês encontrarão por aqui resenhas de shows, discos, livros, dvds (blu-rays) e notícias comentadas sobre o mundo do rock. Espero que vocês gostem e visitem sempre ou eventualmente. Eu, certamente, me divertirei muito escrevendo aqui.
O BG
teve um início curioso, misturando Power,
Speed com alguma crueza Thrasher. Abanda demorou um pouco a
emplacar, mas depois de dois discos razoáveis, trilhou um crescendo que culminou
no excelente Imaginations From The Other
Side. Depois desse disco lançaria mais uma pérola, Nightfall In Middle Earth, totalmente inspirado na obra fantástica
de Tolkien.
BG nos tempos áureos
A música
do Blind Guardian havia atingido um
nível de complexidade nos arranjos que mudou até mesmo o show dos caras. Antes
contando com uma pegada bem mais pesada que a de seus colegas de estilo, o BG passou a se exibir com uma precisão
clínica, com o vocalista Hansi Kürsch
inclusive abandonando em definitivo o baixo para se dedicar às cada vez mais complexas
linhas melódicas. Toda essa precisão tinha razão de ser: as inúmeras camadas de
arranjos e coros passariam a ser executadas por samplers. O problema é que a partir
dali a qualidade do material despencaria inversamente em relação à complexidade
e pomposidade das produções, em especial no chato e exagerado A Night At The Opera. Após o lançamento
do fraco A Twist In The Myth, os
alemães ameaçaram uma recuperação com o bom At the Edge Of Time. Seria um retorno em definitivo à boa forma?
Após
cinco anos de relativo silêncio, o Blind
Guardian anuncia o passo que falha 10 em 10 vezes. Uma segunda parte para
seu maior sucesso (Queensryche, Helloween, Rick Wakeman dentre outros fracassaram miseravelmente nessa
tentativa). Para piorar, tudo adornado por uma orquestra de mais de 80 membros.
Outro tiro que costuma fracassar. O disco, separado em sete atos e dez músicas
(oito atos e onze músicas nessa edição em belo Digibook), tem início com um
coral e orquestra preparando o terreno para a banda em Ninth Wave. A faixa de nove minutos resume bem o disco inteiro,
trechos de inspiração (como o bom refrão) diluídos por uma sonoridade confusa,
a mixagem do tradicional parceiro dos teutônicos Charlie Bauernfeind falhando clamorosamente em encontrar o
equilíbrio no meio de tanta informação sonora. A contar a favor da banda, nada
aqui é exatamente horrível. Mas por outro lado, poucas ideias se destacam
(arriscaria a faixa de abertura e Prophecies).
Blind Guardian 2015, muita forma, pouco conteúdo...
Saldo Final
Enfim, uma continuação desnecessária para Imaginations From the Other Side que
traz muita pompa para um conteúdo para lá de medíocre.
P.s: ah, e a faixa bônus da
edição em Digibook (Distant Memories)
é igualmente dispensável.
NOTA: 60
Classifique como: Power Metal, Symphonic Metal
Para fãs de: metal pomposo com corais em profusão.
Fuja
se: tiver urticárias a arranjos exagerados e maneirismos rococós.
Outubro de 1995. Um
jovem Trevas, no último ano do segundo grau se encontra longe da sala de aula,
em casa e enfermo com quase 40º de febre somado a muita dor no corpo e náuseas.
A tarde está surpreendentemente fria e chuvosa. Meu sono é então interrompido pela ligação de um amigo: “cara, acabou de chegar o novo disco do Iron Maiden aqui numa loja da Tijuca”.
Trevas respira fundo, e ciente da responsabilidade que acomete um homem com uma
missão, coloca seus tênis e um moletom velho, rumando debaixo de chuva para o
referido bairro, atrás de X Factor,
o primeiro disco da polêmica fase com Blaze
nos vocais.
X Factor tirou um Trevas zumbi de casa
Bom citei esse episódio para mostrar o quanto o Iron Maiden já significou para mim no passado. Não foi minha
primeira monomania juvenil (essa foi o Queen),
mas certamente foi a mais forte e que durou mais tempo. Logo depois viria Virtual XI para derrubar o tabu, e a
ruindade daquela obra me fez ver o óbvio, o Iron tinha defeitos, era uma banda mortal, como todas. Acabara a
era da inocência e nada mais foi como antes. De repente, músicas horríveis como
Gangland, Back In The Village, The
Assassin, Quest For Fire,
saltaram aos meus olhos. Não, nunca antes eu admitiria que o Iron em sua fase
áurea tivesse pecados tão graves. Ah, a realidade. Bom, o tempo passou, e nem
mesmo o retorno de Bruce e Adrian à banda com o legalzinho Brave New World conseguiram reavivar
minha adoração pela Donzela. Seguiram-se o razoável Dance Of Death, o bom (com boca murcha, como diria um amigo) A Matter Of Life And Death e então o
péssimo Final Frontier e minha
certeza de que o Iron jamais faria
algo realmente marcante de novo só se fortalecia.
Brave New World, um enganoso retorno à boa forma
Bom,
então quando foi anunciado que o Iron
lançaria mais um disco, novamente produzido por Kevin Shirley e dessa vez em formato duplo e batendo 90 minutos de
duração, não poderia ter ficado menos empolgado. Confesso que nem o confronto
com a morte travado por Mr. Dickinson
foi capaz de me sensibilizar em relação ao futuro lançamento. Sou um rato de
resenhas, o que aliás me fez criar esse blog, e já andava suspeito de que algo
mudara ao esbarrar com palavras de outros ex-maidenmaníacos e atuais detratores
da banda elogiando sem piedade o novo disco. E quando finalmente a banda soltou
a música de trabalho, Speed Of Light,
as suspeitas aumentaram. Não, a faixa não é nada excepcional, mas soa muito
melhor que suas primas recentes (Different
World, a pavorosa Eldorado e
congêneres). Sim, há algo a mais ali. Talvez dessa vez eu esteja enganado. E lá
fui eu, pela primeira vez em muitos e muitos anos, conferir com alguma
expectativa um novo trabalho da banda mais amada da história do metal.
Disco 1
O
início psicodélico de If Eternity Should
Fail causará pavor àqueles que ainda tem na memória a péssima Satellite 15 do disco anterior. Graças
à Odin a música logo se desenvolve para algo pesado e sombrio que muito mais se
aproxima ao material solo de Bruce
do que aos discos recentes da donzela (não por acaso é uma composição assinada
exclusivamente por ele e até o trecho narrado ao final parece saído de Chemical Wedding). Um excelente início
que de cara pôs em dúvida minha crença de que eu estaria com mais um cd para
cumprir tabela em mãos.
Eddie de peito aberto para os fãs...
Speed Of Light, primeira música de trabalho, fruto da parceria
entre Bruce e Adrian, é simples e direta. Bobinha até. Mas muito melhor que suas
concorrentes dos discos anteriores, com bons solos, um refrão bacana e até
mesmo um curioso cowbell!! Só que nela já podemos ver dois probleminhas na
bolacha: 1. Bruce está penando nos
tons mais altos, está soando feio e forçado em alguns momentos. 2. Kevin Shirley não acerta o som do Iron,
em alguns momentos dá a impressão que estamos com uma demo boa em mãos.
The Great Unknown já tem aquela estrutura típica das
faixas atuais do Iron, e incomoda um pouco em alguns momentos devido à
insistência de Bruce em trabalhar em
tons visivelmente desconfortáveis para sua voz. Mas ainda assim está acima da
média atual da banda e novamente trabalha com um clima sombrio, que parece ditar
a norma aqui, e tem belas obras de guitarra.
Única faixa exclusiva
de Steve Harris na bolachinha, The Red And The Black é também sua
melhor obra desde Sign Of The Cross.
Um épico de 13 minutos com trechos de belas guitarras e um coro que clama por uma
multidão empolgada em um estádio. When
The River Runs Deep abre com algo de Moonchild
e logo se mostra um rockão mais direto, bastante bom, por sinal, com ótimo
refrão e variações interessantes de andamento.
Bruce descansando após chutar a bunda de um câncer
O
primeiro disco se encerra com a faixa título, um épico pesado e bem inspirado,
com elementos sinfônicos bem encaixados e que certamente fará parte dos shows
vindouros.
Disco 2:
A segunda bolachinha
começa com o pé no acelerador em outra parceria entre Bruce e Adrian chamada Death Or Glory, baseada nos embates
aéreos da primeira guerra. Uma faixa empolgante com belos trechos de guitarra e
que vai na contramão do material mais recente da banda. Shadows Of the Valley é a contribuição de Gers no disco, em conjunto com Harris,
uma música bastante legal, que quase falha no resultado final por conta da voz
de Bruce, novamente rateando nos
tons altos. Tears Of A Clown é a já
tão falada música inspirada no suicídio de Robin
Williams. Quase radiofônica, é outra que deve muito mais aos discos solos
do Mr. Dickinson e possui um refrão
bem grudento e sua aparente simplicidade engrandecida por um andamento algo
quebrado.
Iron Maiden 2015
The Man Of Sorrows tem um teclado irritante (para que
tanto teclado fazendo camas desnecessárias numa banda com 3 guitarras???) e
algumas passagens desinteressantes atrapalhando seu bom refrão, fazendo dela a
menos inspirada de todo o disco.
Empire Of the Clouds, a ópera rock de Bruce sobre o acidente com um dirigível
na década de 1930 vem dividindo opiniões. E dá para entender o motivo, seus longos
dezoito minutos de duração tem lá seus altos e baixos. Bruce ao piano cantando em sua primeira parte é de uma rara beleza
e mostra que o britânico ainda tem muita lenha para queimar e serve ainda para
os detratores que reclamam da banda nunca ousar ficarem com uma pulga atrás da
orelha. Mas talvez algumas passagens instrumentais pudessem ser encurtadas, e a
performance do vocalista no momento da catástrofe, repleto de drama e novamente
em tons muito altos, quase põe tudo a perder. Por sorte esses trechos não
comprometem o todo e a música se encerra de forma bela e apoteótica, findando
com ela os pouco mais de 90 minutos do Livro Das almas.
Bruce espreitando o horizonte
Saldo Final
Não,
The Book Of Souls não vai
ressuscitar seu amor juvenil pela banda, os tempos são outros tanto para os fãs
antigos quanto para os combalidos britânicos. Mas se esse não for o disco a
recuperar ao menos um pouco o respeito do grande público pela maior banda de
Heavy metal da história, não sei que disco o fará. Imperdível.
NOTA: 86
Prós:
O
melhor e mais equilibrado disco do Iron em décadas.
Moonspell - Extinct (Limited Edition - Cd + DVD - 2015)
Longe da Extinção
Por Trevas
Prólogo: Uma longa
espera
Algumas
resenhas são mais difíceis de serem escritas que a maioria. Tenho dificuldade
justamente quando se trata de minhas bandas favoritas. Sempre escuto os
lançamentos dessas bandas com muito mais atenção e repetidamente para evitar
alguma injustiça. É tão fácil fazer uma resenha precoce exageradamente empolgada
quando uma dessas bandas acerta em cheio quanto carregar demais a mão nas
críticas quando o material sucumbe a expectativas por vezes irreais. Bom, e cá
estou eu diante de uma de minhas bandas de cabeceira, os portugas sombrios do Moonspell. Após dezenas de audições da
nova bolachinha, lá vai a minha resenha para Extinct, cercada de expectativas por poder ver a banda ao vivo pela
primeira vez, no Rock In Rio. Vai ser fixe!!!
Lobisomens de Lisboa
Adentrando sua terceira
década de vida como um dos maiores expoentes da cena Gothic Metal mundial, o Moonspell não entrava em um estúdio
desde a concepção da dobradinha Alpha
Noir/Omega White em 2011. Tal obra havia trabalhado dicotomicamente as
características da banda, centrando o lado mais extremo num dos discos e o lado
gótico em outro. A intenção com o novo disco seria trabalhar de maneira mais
instintiva e direta, com todos contribuindo dentro de um estúdio. Um disco de
grupo que pretende uma volta às origens, nem tanto musicalmente, muito mais em espírito.
Para tanto, Fernando Ribeiro fez
contato com o incensado produtor Sueco Jens
Bogren, que já trabalhou com Amon
Amarth, Katatonia, Opeth e Soilwork, para citar só alguns exemplos.
Bogren e os Portugas
A
banda queria um disco de canções, carregado no espírito gótico. Jens, que cresceu ouvindo os clássicos
do Gothic Rock, ficou maravilhado
com a possibilidade de trabalhar justamente esse lado do Moonspell. Segundo ele, havia muito tempo que não se sentia tão feliz
em produzir um disco. Seu desafio seria conciliar seu jeito perfeccionista (que
lhe rendeu o apelido de “One More”) com a espontaneidade que o material
necessita.
O
conceito do disco gira em torno da extinção. Como pode ser visto no
documentário que acompanha a edição limitada, vários são os pontos que levaram
a esse tema. Segundo Fernando, a
morte de Peter Steele e Ronnie James Dio expôs a mortalidade do
estilo musical que norteia o gosto de todos da banda. Mas o rock como o
conhecemos não é a única coisa a trilhar um caminho que pode levar à extinção.
A todo o momento lidamos com a extinção de lugares, pessoas, relacionamentos, marcas
e costumes que nos são queridos. E com a partida irreversível destes um pouco
de nós morre. E também o conceito biológico de extinção dá uma carga universal
ao título do disco. A extinção é um fenômeno compreendido mesmo que
superficialmente por todos.
Caminhando para a
extinção em 10 passos
Breath (primeira faixa de trabalho, ver lyric vídeo)
pode ser encarada como um manifesto das intenções da banda quanto à sonoridade
do disco, melódica e atmosférica quando preciso, bombástica e sinfônica no
momento certo, contando com um refrão memorável.
A faixa título (ver vídeo) já equilibra bem o lado gótico e sinfônico
com um bocadinho à mais dos vocais guturais que marcam as influências extremas
da banda. Algo que foi perdido um pouco dentro da temática dicotômica do
lançamento anterior. Mais um clássico obrigatório nos shows, com um baixo
marcante de Aires.
A ótima Medusalem (ver lyric vídeo)
tem um tempero exótico muito bem explorado, seja pelo trabalho de cordas, pela parte
narrada por Mahafsoun ou até mesmo
pelos backing vocals do guitarrista Ricardo
Amorim. Aliás, o interlúdio de guitarra onde a narrativa é feita lembra
bastante o estilo de Billy Duffy (The
Cult), o que é um monstruoso elogio.
Domina é mais tranquila e
possui uma belíssima linha de guitarra. Uma viagem gótica que lembra os tempos
inspirados de bandas como The Gathering
e Tiamat. Obviamente Fernando Ribeiro traz as usuais
melodias bonitas e grudentas que permeiam todas as “baladas Monspellianas”. The Last Of Us é um deleite àqueles que
gostam de Gothic Rock. Com um refrão
apoteótico e intervenções minimalistas e precisas do teclado de Pedro Paixão, é impossível não cantar
logo na segunda audição o final “Black
magic, Unconditional Love”. Aliás, é de se louvar a produção de Jens Bogren, que deixou cada nota no
local perfeito, montes de pequenos detalhes que longe de tornar a obra
exagerada, apenas engrandeceu o poderio das canções.
Bom, nem tudo é perfeito. A despeito do belo início com ótimas camadas
de teclado, Malignia se perde um
pouco com as intervenções guturais e um refrão menos inspirado por parte de Fernando. Disparado o material mais
fraco da bolachinha. Ah, mas logo tudo volta ao alto padrão de qualidade com a
dobradinha Funeral Bloom e A Dying Breed. A primeira com algo irresistível
de Fields Of the Nephilim se tornou
uma das favoritas do material, com o equilíbrio absoluto entre os vocais
góticos e urrados do mestre Fernando
Ribeiro. A segunda contando com os teclados de Pedro fazendo coro com belas
orquestrações logo rumando para um Gothic
Rock direto e absolutamente contagiante, tendo como tema central a extinção
da música que tanto amamos.
Moonspell 2015
The Future Is Dark é melodiosa e algo etérea, possuindo um
senso de leveza e esperança que contrasta de maneira brilhante com o restante
do material. Uma ótima faixa (com mais um belo solo de Ricardo Amorim) que encerraria com louvor o disco. Mas ainda temos
espaço para a curta La Baphomette,
praticamente uma algo divertida vinheta cantada em francês que exala Tom Waits (e decadência) por todos os
poros.
Saldo Final
A
banda certou em cheio ao privilegiar as canções e a espontaneidade do material,
fazendo deste um de seus melhores discos em toda a carreira. Um bocado
carregado na faceta gótica, sua única contraindicação se faz para aqueles fãs que
prezam mais pelas influências extremas da discografia dos Portugas. Para
aqueles que assistiram o documentário, uma frase explica bem o sentimento que
tenho sobre Extinct: “Eu quero este
CD!!!”
NOTA: 90
Bônus da Limited
Edition
Quatro
faixas bônus completam o Cd em sua edição limitada, sendo elas versões
remixadas para material presente no repertório original. Os remixes foram
trabalhados por Pedro Paixão, mas
confesso que não me chamaram a atenção.
A
segunda parte do material bônus sim é interessante, um DVD contendo o
documentário Road To Extinction. Produzido
e editado por Victor Castro, o
material traz imagens tanto da pré-produção no Inferno Studios, em Portugal quanto da gravação do disco no Fascination Street Studios, em Örebro. Entremeadas com as imagens de
estúdio temos entrevistas, cenas do cotidiano da banda durante a feitura do
disco e até mesmo algumas falas de cientistas e artistas sobre o tema da
extinção. No geral, um apanhado bacana que mostra que mesmo trabalhando com
temas sombrios, os Portugas levam tudo com leveza e bom humor. Ah e são
hilárias as reações de Ricardo
perante a repetição infinita atrás do “Take Ideal”. Um material equilibrado,
mas destinado somente aos fãs Die Hard!!!
Prós:
Grandes
canções e produção excelente
Contras:
Carregado
de influências góticas, deixa a face extrema da banda de lado, o que pode incomodar
alguns.
Classifique
como: Gothic Metal
Para
Fãs de: Tiamat, Sisters Of mercy, Fields Of the Nephilim
Ficha
Técnica
Banda:
Moonspell
Origem:
POR
Disco
(ano): Extinct – Deluxe Edition (2015)
Mídia:
CD + DVD
Lançamento:
Napalm Records (Importado), existe versão nacional
Faixas
(duração): CD 10 (45’) na versão comum, 13 (62’) na edição deluxe