sexta-feira, 10 de julho de 2020

Kreator – London Apocalypticon – Live At The Roundhouse (Blu-Ray +CD - 2020)



Apocalypticoverdose

Por Trevas

Já faz um tempo que os titãs do Thrash germânico, seguem essa fórmula: disco de estúdio lançado, certeza de que virá um registro da turnê vindoura em seguida, tal qual fazem Iron Maiden e Saxon. Joga a favor da banda que seus discos atuais são excelentes e seus shows, garantia de muita energia e ferocidade, mesmo após tantos anos. London Apocalypticon nos traz o registro, em vídeo e áudio, de um show como co-headliner de um evento na lendária Roundhouse, em Londres (dã). Mas não é só isso, como já se faz um salutar hábito de Mille e companhia, temos uma penca de material da banda encartado aqui, então vamos lá.

Apresentação

A edição analisada aqui é a que vem com Blu-ray e CD. Encartados em um digipack bonito, com bela arte gráfica e informações à contento, é um pacote tão compacto e eficiente quanto bonito. Existe uma edição em Earbook e outra contendo só o CD (lançada no Brasil).

Os diversos formatos de London Apocalypticon

Qualidade de Áudio e Vídeo

Temos na verdade três shows completos encartados no pacote, o principal, na Roundhouse, tem qualidade de som e imagem espetaculares. A banda preparou um visual discreto, mas interessante, no palco, e optou por uma iluminação mais escura que o habitual para uma apresentação a ser filmada. Mas as câmeras são todas excelentes, então nada de imagens granuladas. E a Roundhouse tem um visual bem bonito, que soma à qualidade cenográfica da apresentação.


De ponto negativo, a edição frenética demais e que empresta efeitos desnecessários às imagens (exemplo: sobreposição das imagens da banda com as animações do telão). As primeiras faixas ficaram com aquela cara de edição de videoclipe. Definitivamente um recurso que não agrada, mas que felizmente fica menos exagerado ao longo da apresentação. Sobre o show em si, pouco mais de uma hora da habitual destruição Kreatoriana. Banda super afiada, talvez o fato do repertório estar mais calcado nos discos recentes incomode alguns, mas, convenhamos, difícil reclamar do material de discos como Phantom Antichrist e Gods Of Violence. E só a inclusão de material recente faz sentido para o ciclo disco de estúdio – disco ao vivo. A plateia mostra se divertir e tudo funciona muito bem, apesar da voz um pouco cansada de Mille (era o último show da turnê). Muito bom. Mas melhora.


Extras

O único motivo do pacote levar o nome de London Apocalypticon deve ser o fato de registrar um show numa Roundhouse lotada, pois os outros dois shows encartados aqui são até melhores que o principal. Live In Chile tem apenas uma hora de duração (outra turnê como co-headliner), mas conta com um público insano, que faz uma arena lotada se tornar um imenso liquidificador de carne. A banda soa ainda melhor (Mille está com a voz de Gremlin tinindo) e o único ponto menor é que nem todas as câmeras proporcionam a qualidade superperfeita do show de Londres. Já o show do Masters Of Rock se mostra o melhor do pacote: maior, com 90 minutos de duração, em local aberto, plateia gigante e animada, contando com pirotecnia ligeiramente incrementada. Esse show também só “peca” pela granulação em uma ou outra tomada. Show perfeito, seria minha escolha caso pudesse escolher somente um dos três.



De brinde, ainda temos Violent Visions: trazendo os cinco videoclipes para Gods Of Violence, geralmente muito bem produzidos.

CD

Talvez a parte menos interessante do pacote todo, o CD ao vivo é bom, mas seja pela limitação do set (que é o da Roundhouse), seja pela qualidade de som (apenas boa), fica aquém de um Live Kreation. Vale como bônus, mas não compraria a edição somente em CD.

Ou seja, London Apocalypticon nos presenteia com cerca de quatro horas de Kreator, em alta qualidade de som e imagem. Uma irresistível overdose Thrasher. (NOTA:9,00)


Gravadora: Nuclear Blast (importado)

Prós: Overdose de Kreator em três shows diferentes

Contras: A edição do show principal irrita um pouco

Classifique como: Thrash Metal

Para Fãs de: Sodom, Testament


sexta-feira, 3 de julho de 2020

Pretty Maids – Maid In Japan (Blu-ray – 2020)


De Volta Para O Futuro

Por Trevas

Com o espirituoso título que faz referência aos clássicos discos ao vivo de Deep Purple e Iron Maiden, os veteranos dinamarqueses nos presenteiam com seu primeiro Blu-ray, gravado em 2018, em Kawasaki.

Áudio & Vídeo

O áudio e vídeo são impecáveis, fazendo justiça ao que se espera de um lançamento em Blu-ray. A produção é simples, somente um backdrop e uma iluminação comportada e eficiente. A edição é eficiente e nada vertiginosa, mas dá espaço a todos os músicos e guardando também as tomadas do surpreendentemente animado público nipônico.


Repertório

Com tudo parecendo tão feijão e arroz assim, seria fácil imaginar se tratar de um lançamento mediano. Mas estamos diante de uma banda para lá de afiada, com um repertório especial, comemorando os 30 anos de um de seus grandes trabalhos: Future World. E é esse disco na íntegra que toma boa parte do que vemos aqui, e todas as versões ganham muito de energia ao vivo, soando ainda melhores que as originais. No encore, algumas faixas de trabalhos mais atuais (com destaque para Mother Of All Lies) e Sin-Decade fechando a noite, em pouco mais de hora e dez de uma apresentação curta, mas matadora.

Performances

Toda a banda funciona muito bem, mas é impossível não destacar Ronnie Atkins. Recentemente superando um terrível câncer, o cara é um frontman raro. Ronnie continua com voz poderosa e única, além de ter toneladas de carisma para fechar o pacote. Que bom que logo ele estará pronto para outras aventuras.



Extras

Se a atração principal é um show curto, em contrapartida temos extras sobrando. Primeiramente, todos os videoclipes da fase Frontiers da banda, que totalizam 11, geralmente bem produzidos. Temos também dois documentários curtos de turnê. Depois temos entrevistas bem bacanas com quatro dos membros da banda, focando em fatos desde o início da carreira até agora. Sem legendas, mas o inglês dos caras é tranquilo de entender, em especial de Ronnie e Ken.

Veredito

Um show curto, mas excelente, amparado por uma quantidade para lá de satisfatória de extras interessantes. Obrigatório para os fãs dos dinamarqueses, e uma boa porta de entrada em quem tem curiosidade de expandir seu conhecimento sobre o som de uma das bandas mais únicas da história do metal. (NOTA: 9,00)

 

Gravadora: Frontiers Records (importado)

Prós: Show curto e forte e uma penca de extras bacanas

Contras: O show é curto...

Classifique como: Hard/Heavy

Para Fãs de: Bonfire, Eclipse


quarta-feira, 1 de julho de 2020

Kvelertak – Splid (CD-2020)



Deliciosa Discórdia

Por Trevas

Quatro anos depois de Nattersferd, o tresloucado sexteto norueguês de Black’n’Roll (cantado na língua nativa) retorna com seu quarto disco, com duas mudanças na formação. Ivar Nikolaisen assumiu os vocais no lugar de Erlend Hjelvik e Håvard Takle Ohr ganhou o posto de baterista. Ivar não é exatamente uma novidade para os fãs, tendo participado em Blodtørst, do primeiro disco da banda. Figura lendária na cena underground norueguesa, sua performance nos palcos já havia sido aprovada (aqui pela Cripta, inclusive), ficando a curiosidade sobre o que ele traria de novo para as composições. Se Nattersferd trouxera uma mudança na produção do disco e um direcionamento mais viajante, que refletiu em uma algo desconcertante falta de interesse pelo público (contrastando com o impacto dos dois primeiros discos), aqui os rapazes apostaram em reassumir a bem-sucedida parceria com Kurt Ballou (produtor e guitarrista do Converge). E que caminho teria escolhido uma das bandas mais inventivas da atualidade?

Vai discordar?

Rogaland começa algo etérea, dando a impressão que veríamos mais do Natterferd por aqui, mas logo a ferocidade aparece e tudo o que conhecemos sobre o Kvelertak se mostra em pouco mais de 5 contagiantes minutos. Logo em seguida Crack Of Doom nos apresenta duas novidades: a participação de Troy Sanders, do Mastodon, e letras completamente em inglês, numa delícia que mistura Punk com Metal Moderno.



Já na terceira música pude sacar que a banda mudou. Ivar não chega a ser tão diferente de Erlend, mas a pegada do Kvelertak em Splid aposta muito mais no lado Hardcore da banda do que nos arroubos de Black Metal de outrora. Mas longe de descaracterizar o som dos caras, temos o trio de guitarras conjurando riffs para lá de empolgantes, entrecortados por harmonias de guitarra à lá Thin Lizzy e eventuais incursões em trechos de Space Rock/psicodélico, vide Necrosoft (que traz elementos de Black na bateria) e a viciante faixa título (Splid se traduz como Discord, em inglês), que traz Nate Newton, do Converge, em participação especial.


Se a primeira metade do disco é de quebrar o pescoço do Colossus do X Men, na segunda o lado mais viajante aparece com um pouco mais de intensidade. Mas longe do quase Prog de Nattersferd, as faixas mais longas, como Brattebrann, Fanden ta Dette Hull!, Delirium Tremens e Ved Bredden av Nihil são verdadeiras pérolas em termos de dinâmica, ficando entre a tresloucada modernidade do sexteto e um Classic Rock quase acessível. Demonstrando uma impressionante maturidade para uma banda tão jovem. E assim pode ser descrito esse Splid, um disco fascinante para quem quer ouvir algo genuinamente novo, mas que respeite de maneira criativa o DNA de tudo o que amamos no Rock And Roll. Um dos melhores discos do ano! (NOTA:10)

 

Gravadora: Rise Records (importado)

Prós: caótico e muito criativo

Contras: pode ser longo e caótico demais para ouvidos sensíveis

Classifique como: Kvelertak? Black’n’Roll, Metal Moderno

Para Fãs de: Mastodon, Thin Lizzy