domingo, 1 de março de 2020

Graspop Metal Meeting 2019: Parte I – (Quase) Tudo O Que Você Precisa Saber Sobre o GMM.



Prólogo – Sonho?

Olá Criptomaníacos! Desde moleque encaro os grandes festivais do verão europeu como um sonho distante. Devorava resenhas e vídeos de mídias especializadas ou bem-aventurados Headbangers que haviam tornado realidade esse sonho. E minha esposa nutria a mesma vontade, de ao menos uma vez nessa existência, experimentar um grande festival. Mas, sabe-se lá por que, nunca achei que tivesse condições de eu mesmo fazer a jornada. Perdi a conta de quantas vezes mandei e-mails para empresas que vendem pacotes para o Wacken e ou Hellfest. Até que um dia, programando a extensão de uma visita à Portugal, onde hoje reside um de meus irmãos, entreolhei minha esposa e pensamos juntos, que tal tentarmos realizar nosso sonho? Por questões de data e logística, acabamos por optar pelo Graspop Metal Meeting (GMM), festival realizado anualmente na Bélgica e considerado um dos grandes entre os grandes. Dividi a postagem em duas partes: a de agora, um guia para quem pretende encarar o festival. A segunda, uma breve passagem por cada um dos muitos shows que assistimos. Divirtam-se!
Trevas

Dressa & Trevas, felizes que nem pintos no lixo
O GMM – Onde e Quando?

O GMM é realizado desde 1996. Geralmente cai no início da última dezena do mês de junho, sempre na pequenina cidade de Dessel, pouco mais de uma hora de distância de Bruxelas. Seu cast geralmente é bem variado, com bandas modernas entremeadas com clássicas, tendo espaço para todas as vertentes dentro da música pesada. A edição de 2019 foi composta por 3 dias, com uma prévia do festival, com algumas atrações interessantes, acontecendo na noite anterior ao primeiro dia, uma maneira de testar a infraestrutura e possibilitar alguma atividade ao pessoal que quer montar o acampamento antes da festa efetivamente começar. Em 2018 o festival contou com 4 dias inteiros, mas a infraestrutura não deu conta. O formato de 4 dias retorna agora em 2020, com a produção apostando ter aprendido a lição.

Fazendo amigos - a simpática belga Zelda nos fazendo companhia no caminho para Dessel
Ingressos, Como Comprar?

A venda de ingressos é feita pela internet e tem início bem antes da divulgação do cast completo. Ao contrário do que acontece com o Wacken e Hellfest, os ingressos não se esgotam no mesmo dia do início das vendas (embora esse ano tenham se esgotado já na virada de 2019/2020), não sendo necessário comprar de agências ou “cambistas”. Existe a opção de ingresso por dia, ingresso por dois dias e o combi-ticket, que inclui todos os dias do festival. O GMM não é considerado dos festivais mais baratos, mas se compararmos o valor com os shows daqui (e com o preço praticado no RIR), chega a ser covardia: eu e minha esposa pagamos cada um 210 euros pelos 3 dias de festival. Ao comprar o Ticket, a ser impresso em casa, você ganha a opção de, por 10 euros, garantir a passagem de ida e volta de trem até a cidade de Dessel, válida para qualquer horário dentro de um dia antes até um dia depois do festival. Mas sobre isso falaremos no item: como chegar?
As pulseirinhas da danação - sua entrada para o GMM
Dessel – Como Chegar?

Dessel pode ser acessada por trem. Conforme escrevi anteriormente, a compra do ingresso te dá a opção de garantir as passagens de trem de ida e volta por valor promocional. Mas a retirada dos Tickets e tabela de horários dos trens só ficam disponíveis no site da operadora cerca de um mês antes do evento. Mas não há nenhum problema nisso, existem muitas opções de trens para lá. Da estação central de Bruxelas, pega-se um trem até determinada cidade (já não lembro qual, mas existem várias opções) e faz-se uma baldeação até Dessel. Na estação de trem as informações de como chegar podem ser conseguidas numa simpática central de informações. Não tem erro. O percurso demora em torno de 90 minutos. Ao chegar na estação de Dessel, uns 20 metros adiante vemos a fila para o Shuttle (grátis) que leva do centro da cidade até o festival, situado em uma espécie de fazenda. A fila é descaralhada (belgas não ligam muito para ordem, na verdade parecem curtir a vida num eterno estado de “foda-se, tá tudo tranquilo”), mas os shuttles saem com frequência e em menos de 10 minutos estamos desembarcando no festival. No retorno, mesma dinâmica, tudo sem maiores problemas. Para quem for de carro, existe bastante espaço para estacionamento próximo da área de desembarque dos shuttles, mas não sei como funciona a organização e/ou preço. Cabe ressaltar que o povo belga usa muito bicicletas, existindo uma imensa área para estacionamento das mesmas.


Pela estrada afora...chegando no GMM
Acampando no GMM

O camping do GMM é imenso e situado uns 10m da entrada principal da arena, uma área organizada por “quarteirões”, nos quais você pode montar sua barraca desde a tarde anterior ao primeiro dia principal do evento. Mas para quem não tem ou não quer ter que viajar com a parafernália de acampamento, temos a opção de alugar uma barraca pré-montada. Assim o fizemos, alugamos uma “Deluxe Tent” (há modalidade mais barata), para duas pessoas. O preço? 240 euros, mais uma taxa de caução de 100 euros. As barracas pré-montadas ficam em um local específico, próximo da entrada do camping.

Um pequeno trecho do camping, a maior concentração de doidos por metro quadrado do planeta
Ao chegar, tem que se dirigir a um guichê montado em um trailer, apresentar o ingresso para o camping impresso, uma espécie de “check in”. Um atendente te entrega uma lamparina elétrica (a ser devolvida no check out) e os kits do camping: cada kit contendo uma bela toalha do festival, um travesseiro com fronha do festival e um saco de dormir do festival. Todos esses itens ficam contigo após o fim do evento e são bem bonitos. Nas tendas de merchandise são vendidos separadamente a preço de ouro, diga-se. O atendente vai contigo até sua tenda, que possui colchões infláveis daqueles que se vende nas lojas americanas daqui, e mostra que está tudo ok. Cada tenda possui um número, e levamos cadeado para garantir a segurança dos nossos pertences enquanto passamos o dia no festival.

A área das barracas alugadas
Ao final do evento, é só chegar no guichê lá do início e solicitar o check out. Pouco tempo depois aparece um funcionário na sua tenda para checar se está tudo ok, lembrando que a lamparina e os colchões tem que ser devolvidos. Com o ok do check out, o valor caução pago é estornado no seu cartão de crédito.

Visual das barracas alugadas de dois lugares, existem maiores


Sobre a infraestrutura do camping: as barracas são ótimas, mas em uma das noites fez bastante frio e não havia isolamento térmico abaixo dos colchões. A friaca foi tensa, mas logo pelas 6 da matina o sol estava tão forte que cozinhamos na barraca. Choque térmico hehehehe. Há três pavilhões sanitários espalhados pelo camping, mas é muita gente, e filas se formam pela manhã para a mítica “barrigada matinal”. Os sanitários parecem réplicas de sanitários normais, longe daquela porcaria de banheiros químicos que conhecemos. Há sempre papel disponível e a higiene é ok. Só não é perfeita pois o camping é em terra batida e temos aquela desagradável laminha formando no piso. Para os meninos, há estranhos mictórios abertos espalhados pelo camping. Os pavilhões contém anexo com vários bebedouros coletivos, com água potável.


O bocão, seu amigo das horas mais difíceis - esses são os banheiros químicos presentes no festival e camping
Ainda nos pavilhões sanitários, temos os chuveiros. Cabines de plástico resistente com água quente acionada por um botão temporizador. Cada banho custa 1/5 token (ver mais à frente, formas de pagamento e preços) e é tranquilo de encarar. Curiosamente a fila de banho dos meninos sempre existe, já a das meninas? Quase sempre vazia, hehehehe

Um dos pavilhões sanitários do camping, com sua longa fila para a barrigada/banho matinais 
Além dos pavilhões sanitários, temos pavilhões médicos (muita gente bebe até capotar, como bebe esse povo), concorridos totens para carregamento de celulares, tendas para retirada de materiais de higiene e sacos de lixo, um pavilhão de lanchonetes com área para café da manhã (levamos nossos suprimentos para café da manhã comprados em um supermercado, estocamos na barraca), caixas eletrônicos e lojinhas vendendo itens de camping, alugando carregadores portáteis de celular, uma pequena loja de merchandise e uma prefeitura do camping. Anexo ao camping, estão o Festival Fair e o Metal Markt. Depois falarei sobre eles.
Pavilhão médico e os estranhos mictórios quádruplos ao ar livre
Totem de recarga para celulares e outros eletro-eletrônicos
Área para café da manhã e suas lanchonetes
Caixas eletrônicos para compras de Tokens no Camping
A estada no camping foi tranquila. O povo é muito louco e divertido, mas nenhuma briga se vê por lá. O único problema é aturar os malucos gritando “Slaaaayeeeer” e cantando Primo Victoria a noite inteira. De estranho, não há absolutamente nenhum controle de quem entra ou sai da área de camping. Aqui não daria certo. Lá, funciona.

Juntando o lixo - um pouco de civilidade no camping
Festival Fair – Metal Markt

Ao lado do camping, temos uma verdadeira feira Heavy Metal, o Festival Fair. São dezenas de barracas que vendem CDs, camisetas de bandas, Patches e acessórios dos mais variados. Muita coisa legal que não se acha nem à pau por essas bandas. Os preços variam bastante, mas no geral, são bem justos.

Caminhando pela Festival Fair - falência na certa!
Que caralhos?
Já o Metal Markt é um pavilhão lotado de lojas de CDs, a maioria vinda da Alemanha. Àqueles que ainda compram mídia física, um deleite. Todas as lojas tinham promoções do tipo 5 CDs por 20 Euros. Infelizmente não me preparei o suficiente e comprei bem menos do que gostaria. Vagar pela feira e pelo Metal Markt é um passatempo bacana para preencher a parte da manhã, já que o dia em que os shows começaram mais cedo teve início às 11 da manhã.

Achei até meu amigo das profundezas por lá...
Cadastramento e Entrada

O cadastramento do festival é bem organizado e com filas praticamente inexistentes. É chegar num guichê, mostrar o ingresso impresso e ter uma pulseira afixada em seu pulso. Essa pulseira, como em muitos festivais ao redor do mundo, tem uma plaqueta que deve ser passada no leitor das catracas de entrada. Tudo simples e rápido. Nas entradas, quem possui mochila e/ou bolsas passa por uma revista. No site está explicitado o que pode ser carregado para dentro da arena. Também não existem filas em nenhum momento para a entrada.
Em frente à entrada - se você não vê fila, é por que realmente não existe

Dressa no guichê de cadastramento




Usando seu Dinheiro no Festival

Para desencorajar o uso de dinheiro vivo no mundo de gente que frequenta diariamente o GMM, o mesmo faz a conversão de seus Euros à moeda oficial do Festival, no formato de tokens plásticos que podem ser quebrados pela metade. Os tokens podem ser comprados em guichês de atendimento próximos à entrada da arena. Ou em caixas eletrônicos.

Estamos ricos! uma cartela dos Tokens do Festival.
Para favorecer a ideia de não se transitar pela confusão com dinheiro vivo, a compra via cartão nos caixas contava com um “câmbio de conversão” mais favorável do que o pagamento em dinheiro. Dentro da arena, todos os stands de alimentação só aceitam os tokens. Mas o imenso (e confuso) stand de merchandise oficial, esse trabalha somente com dinheiro e cartões de crédito/débito.

Compra de Tokens: à esquerda, os guichês para compras em dinheiro. À direita, os caixas eletrônicos
Preços

Como estamos falando da forma de pagamento dentro do festival, vamos à dolorosa. Os alimentos e bebidas na arena custam mais caro que na vida real belga. Mas, ainda que sejam caros, não chega a ser absolutamente nada tão discrepante do que vemos em festivais e shows aqui no Brasil, onde as coisas dentro de uma casa de show custam por vezes o triplo do que fora. Uma cerveja (a oficial do evento é a Jupiler, mas temos outras opções, veremos mais à frente), copo de 300ml, custa um token (cerca de 2 Euros). Os lanches, em média 2 tokens.

Um dos guichês, com uma tabela de conversão
Já o merchandise oficial, esse segue os preços daqui: uma camisa custa em média 20 Euros. Cada banda contou com pelo menos dois modelos de camisas, sendo que algumas tinhas até 5 modelos. Dá vontade de levar tudo, mas haja grana. Curiosamente, o Amon Amarth, banda que conta com imensa popularidade por lá, tinha o Merchandise bem mais caro: 30 Euros cada camisa. E elas se evaporaram em um dia.

Alimentação e bebidas

Fácil, fácil mais de uma centena de stands de alimentação/bebida estão espalhados pela arena. Impressionantemente raramente se demorava mais de 5 minutos para sair do stand com seu pedido em mãos. Além dos stands tradicionais, vendendo a onipresente fritas belga com molho (regada e muito boa), pizzas e sanduíches e as marcas oficiais de cerveja do Festival (cervejas Jupiler e uma Hoegarden frutada meio xarope) e refrigerantes/sucos/chás, tinham duas áreas mais gourmet no festival, com culinária para lá de variada. Stands de churrasco na grelha regado a Jack Daniels, outros de comida vegana, massas, tinha de tudo lá. E sempre em porções caprichadas. Em média, cada refeição saía em torno de R$30,00. Tudo muito bom, um pouco caro, mas mais justo que nos festivais daqui.

Um dos muitos stands de birita do festival
Nas áreas gourmet também era possível comprar cervejas diversas das oferecidas pelas marcas oficiais, e aí coloca-se todas aquelas belezuras belgas que são vendidas à preço de ouro por aqui. O preço, 1,5 Token, mais caro que a Jupiler, mas que o cervejeiro profissional paga com um sorriso no rosto ébrio.


A estranha Hoegarden Rosee
Quem fica no camping pode deixar compras na barraca, e isso pode fazer com que a necessidade de comprar coisas na arena ao longo do dia diminua, proporcionando uma baita economia. Não se pode entrar com alimentos na arena, mas o camping fica ao lado. Bateu uma fome moderada, volte à barraca e mande brasa. Salgadinhos, bebidas, chocolates, bolos, o que resistir fora da geladeira é válido. Fizemos isso com nosso café da manhã, o que deve nos ter economizado uns bons 20 euros por dia.


Banheiros/Água

Diversos pavilhões com banheiros, mictórios e bebedouros coletivos estão espalhados pelo festival. As filas raramente duram mais que 2 minutos. As cabines, que mais se assemelham a um banheiro normal (com privada bonitinha e papel sempre disponível) estão miraculosamente sempre limpíssimas. Dá para encarar uma barrigada sem sustos.


Um dos pavilhões sanitários do festival: bebedouro em azul, ao fundo a fila para os banheiros
Água fresquinha está sempre disponível nos bebedouros. Como não se pode andar por lá portando garrafas (nem das plásticas), compramos uma daquelas garrafas que são tipo um saco. Manter-se hidratado é questão de ordem, o calor, acima dos 30º somado à biritagem de boas cervejas, é uma mistura fatal caso não se tenha cuidado.

Cada pavilhão sanitário tem pencas desses mictórios, o que provavelmente garante as privadas limpas
Merchandise

O grande ponto negativo de todo o festival. Um stand longitudinal onde se formavam aglomerados imensos e desorganizados para a compra de um sem-número de opções. Acima do imenso stand, painéis expunham boa parte do material disponível com um código (para facilitar a identificação do produto na hora do atendimento) e preço. Como o espaço de exposição é limitado, geralmente a cada dia ficava exposto o material das bandas do dia + exposição constante do material dos headliners. A desorganização para comprar qualquer item era tamanha que acabei por me limitar a pegar uma camisa oficial do festival. Se bem que meus bolsos agradeceram hehehehe. 

Atrações Alternativas

Vimos por lá tendas de patrocinadores, que faziam jogos com premiações diversas, uma roda gigante (o ingresso era ganho mediante a coleta de X copos plásticos) e torres de recarga de celulares (disputadas à tapa). Em alguns locais da arena, devidamente indicados no mapa oficial, disponibilidade de Wi-fi aberto. Uma área refeitório coberta para se fugir do forte sol. Existe também uma pequena arquibancada, na qual se pode acompanhar de frente os shows de um dos palcos principais e descansar os pés.
Próximo aos palcos principais, um stand para sessões de autógrafos, com os horários e bandas sendo informados em um painel eletrônico.
Na entrada da área do festival, existe uma espécie de boate, com atividades musicais até às 6:00 da matina. A ideia é manter entretido o visitante que não está acampado e não tem como voltar para casa até que as linhas de ônibus e trem voltem a circular. Dentre as atrações, bandas locais cover/autorais, discoteca e karaokê. Não aproveitamos nada dessa tenda, sempre lotada e aparentemente animada. 

Roda gigante e o local do Palco Marquee ao fundo
O APP Do festival

 Já tem alguns anos que o GMM disponibiliza um aplicativo oficial para celular (IOS e ANDROID). Nele você vê informações sobre cada atração, mapa da arena e grade de horários. A maior funcionalidade é uma que se chama MY GMM: você escolhe as bandas que você quer ver e ele te monta a grade personalizada de cada dia, te mandando lembretes do início (e local) de cada atração 10 minutos antes. MUITO interessante.

Interface do APP Oficial
As arenas de shows

O principal: são 5 arenas de shows. Duas delas, as principais (Main Stage 1 & 2), são geminadas e alternam os shows principais do dia. Mesma operação que vimos no Maximus por aqui, enquanto o palco da direita tem uma atração tocando, o da esquerda está sendo aprontado para o show seguinte, com um intervalo médio de 10 minutos entre o fim de uma atração e início da outra.
O Main Stage 2, com Anthrax rolando
Três palcos menores estão espalhados mais próximos da entrada. Dois deles em pavilhões cobertos e fechados nas laterais (Red Bull Metal Dome e Marquee), um deles uma versão menor dos palcos principais (Jupiler Stage). Por “menores”, me refiro à comparação com os gigantescos palcos principais: cada uma das três arenas menores é maior que um palco de qualquer casa de grande porte daqui. Som sempre perfeito, telões laterais para os gnomos (como eu e Dressa), pontualidade britânica e capricho visual. Os sets dos shows “menores” geralmente variavam de 45 a 80 minutos. Muitos deles tão ou mais disputados pela galera quanto algumas das atrações dos palcos principais.
O Mapa do GMM
Dressa devidamente abastecida no intervalo entre shows no "pequeno" palco Marquee

Clima

Alto verão na Bélgica, pegamos temperaturas girando em torno de 30º durante os dias. Mas ao que parece o verão foi mais quente que o normal. Os dias são muito longos, temos o sol dando as caras até próximo de meia noite, reaparecendo umas 5 e pouca da matina. Mas não se enganem, a variação térmica é notada claramente ao fim do dia, e em uma das noites deve ter feito uns 15º, passamos um pouco de frio. Curiosamente às 6 da matina na manhã seguinte já era difícil aguentar o calor dentro da barraca, hehehehe. Sempre bom levar um casaquinho na mochila para quem é friorento, para não ter que retornar à barraca ao longo do dia. Um isolante térmico na barraca ou roupas quentes para dormir se fazem recomendáveis.

Céu de meia noite em Dessel

Público

Os belgas são animadíssimos, gente gigante (e surpreendentemente bonita) sempre bêbada e sorridente. Pessoas andando de cueca, calcinha e sutiã eram tão comuns de se ver quanto os tradicionais bangers de corpse paint e roupa pesada. Todo mundo MUITO amistoso a despeito do clima de loucura e da quantidade inumana de bebida ingerida. ZERO confusão. Muita gente de outros países também. Esbarramos com uma penca de grupos de brasileiros também. As meninas que andavam quase peladas (o pessoal lá aproveita cada raio do verão) não eram importunadas. Pessoas deixavam seus pertences nas cangas no gramado para comprar bebida e, ao voltar... MILAGRE, tudo continuava lá.

Dressa relaxando enquanto assiste um show. Essa é a toalha que vem no kit da barraca de camping!


Convivência entre tribos? Superpacífica. No primeiro dia, o headliner foi o Within Temptation, com o Slayer e sua turnê final em seguida. Nenhum babacoide troozão encheu o saco. Bandas modernas e Old School se sucediam com as pessoas mais preocupadas em assistir e se divertir do que encher o saco. Muita animação e cantoria. E nos shows mais pesados, MUITO crowd surfing e mosh. Cada vez que assisto um show lá fora, cai por terra aquele mito de que o pessoal aqui é louco. Na verdade, hoje somos muito comportados, isso sim. Quem quiser socializar, é fácil fazer amizade com os belgas e outros visitantes. De negativo, a galera joga absolutamente TUDO no chão. Mas ao final de cada dia, várias máquinas passavam pelas montanhas de copos e embalagens jogadas no chão, fazendo pacotes compactados que eram retirados da arena. No dia seguinte, tudo limpinho de novo.

Povo figura? Tem sim sinhô!
um lugar seguro para se guardar seu copo em meio ao show do Amon Amarth
Avaliação Final

Me faltam comparativos com outros festivais de lá, mas conversando com pessoas que estavam por lá e que frequentam ouros gigantes, geralmente as avaliações eram favoráveis: o GMM parece ser dos mais organizados festivais do verão europeu. Toda a equipe de produção te atende com muita cordialidade, tudo funciona e é absolutamente fantástico estar em meio a tanta gente e poder se preocupar unicamente em se divertir. Não dá nem para o começo tentar comparar com qualquer festival grande que eu tenha visto por aqui. 
Uma experiência fantástica que, se o dinheiro permitir, pretendo repetir mais vezes. Amanhã, postarei sobre os shows em si. Quem quiser saber algum detalhe que não tenha sido explicado á contento aqui, só perguntar!

Felizes na grade do início do último dia, para o show do FM! Sonho realizado! Valeu!







domingo, 16 de fevereiro de 2020

British Lion – The Burning (CD-2020)



Leão de Pelúcia
Por Trevas

Oito anos se passaram desde que Steve Harris surpreendeu o mundo ao adotar uma desconhecida banda britânica como canal de seu primeiro trabalho longe do Iron Maiden. O primeiro trabalho do British Lion, ainda lançado de forma confusa, se confundindo com um cd solo do baixista, era para lá de desinteressante. Produção mediana, banda apenas competente e faixas inócuas povoavam um disco para lá de esquecível. Quando The Burning foi anunciado, confesso que fiquei surpreso, e confesso também que não tinha nenhuma intenção de gastar meu tempo com essa banda novamente. As faixas de trabalho lançadas só aumentaram meu desinteresse, mas me deparei com uma porção de boas resenhas, que davam a impressão de que os amigos do patrão haviam evoluído em relação à estreia. E cá estou eu então.

Steve e seus amigos do clube de bocha
Olha, não sei que disco esse pessoal anda escutando, mas definitivamente não deve ser esse aqui. City Of Fallen Angels abre o disco com uma suposta energia renovada, mas que dura muito pouco. Os vocais irritantemente comportados e genéricos de Richard Taylor estão ali, tão magrinhos e qualquer nota quanto estiveram no primeiro disco. A faixa título chega em seguida, e tudo que ouço é aquele pastiche de Hard moderno, uma versão de quinta categoria de um Alter Bridge, com elementos tímidos de Melodic Rock e uma ou outra guitarra Heavy Metal.


Father Lucifer e Elysium mantém a toada, canções que nem irritam nem chamam a atenção. A produção de Steve Harris novamente não faz bonito, tudo soa sem punch aqui. Lightning, uma das faixas de trabalho, mostra-se uma boa escolha: é bem melhor que suas irmãs, mas a continuidade da audição prova que essa tarefa nem era exatamente das mais difíceis. Músicas vem e vão, nada fica em nossos ouvidos, num amontoado de passagens instrumentais competentes e melodias vocais absolutamente apagadas.


O pior é que o disco se arrasta por longos 60 minutos. Se por um lado fica difícil entender o que Steve Harris faz aqui, por outro, só posso admirar a coragem do mestre das quatro cordas: ele podia bem ter chamado qualquer músico famoso da cena e feito um trabalho clinicamente indicado aos ouvidos do Headbanger médio. Mas não o fez. British Lion pode ser um pudim de chuchu com calda de jiló, mas é a visão e vontade de Mr. Harris. Boa sorte se for encarar esse prato. (NOTA: 5,90)

Visite o The Metal Club
Gravadora: Parlophone (importado)
Prós: é corretinho, dá para rolar no consultório do dentista
Contras: dá sono, e os vocais são MUITO chatos.
Classifique como: Melodic Rock, Hard Rock
Para Fãs de: Creed, Alter Bridge   

domingo, 2 de fevereiro de 2020

Os Melhores de 2019 - Pela Cripta do Trevas!



Olá, Guardiões da Cripta!

Chega o fim de um ano e me pego tendo a mesma impressão de sempre, quantos bons lançamentos que tive em mãos! E quantos outros podem ter me escapado...

A facilidade de acesso que instrumentos como o streaming nos proporciona faz com que consigamos explorar cada recanto do “universo música”, se assim nosso dia a dia permitir.

E se considerarmos que ainda assim existem mundos pouco afeitos a expor sua arte nessas plataformas, chega a assustar quanta coisa boa pode estar perdida por aí...

Quem já lê a Cripta com frequência, provavelmente sabe que a maior parte do material nela resenhado é composta por aquisições em mídia física para a minha coleção pessoal. Como não sou rico, claro que isso limita bastante meu range. O Spotify tem me ajudado a ter acesso a materiais que não encontro e/ou não consigo comprar.

Como habitual, tentei escutar nesse janeiro eventuais “discos do ano” que me passaram desapercebidos. Uma tarefa dura, a cada lista de “melhores do ano” que exploro, ao menos dois ou três discos que nunca ouvi são citados. Na maioria das vezes, com mérito.

Então, encarem essa presente lista como um instrumento falho, incompleto, mas cheio de boas intenções. Uma lista de recomendações, já que o conceito de “melhor ou pior” me parece injusto. 

Por tabela, segue a minha playlist do spotify para 2019.

Leiam, escutem, divirtam-se, cornetem. E se quiserem, me mostrem suas listas!
Saudações
Trevas 

Revelação

No Rio de Janeiro, o Facing Fear lançou seu primeiro disco (Ana Jansen) e vem causando barulho com seu metal revivalista (até no visual) e com letras eventualmente em português. Já o combo Prog Metal Vikram, com músicos de vários lugares de nosso vasto país, fez um disco que merece com sobras entrar na nossa listinha. O Tanith, que traz Russ Tippins, do Satan, Tysondog e Blind Fury fez uma promissora estreia num elo perdido musical entre os anos 1970 e a NWOBHM. Somaria aos três a brilhante estreia dos paraguaios do Nightbound, num Ep homônimo caprichado, que soa uma delícia aos ouvidos dos fãs de bandas como Thin Lizzy.

Revelações
Melhor DVD/Blu-Ray

Ainda que não conte com nenhum extra de bastidores, Songs From The Dead é o Home Video dos sonhos (ou pesadelos?) de qualquer fã do mestre King Diamond que se preze. O dinamarquês, aliás, está em forma impressionante após quase antecipar sua sentada no colo do Capeta. Em contrapartida, o apoteótico registro da bem-sucedida turnê Punpkins United, reunindo eras diferentes dos Lordes teutônicos do Power Metal Helloween, é tão recheado de material caprichado, que não poderia ficar de fora da lista. Um dos pacotes mais bem servidos já lançados no formato.

Os melhores Home Videos que o dinheiro pode comprar, em 2019

PLAYLIST de 2019 – Criptozoologia 2019:




Agora, fiquem com a lista dos 30 (+1, pois errei a conta e só vi quando fui publicar...típico, hehehehe) melhores trabalhos de 2019:


30. Baroness – Gold & Grey
Os esquisitões estadunidenses por pouco não lançaram seu disco definitivo. Ainda que minado por exageradas 17 faixas e uma produção incomodamente suja, quando Gold & Grey acerta a mão, é espetacular e único.



29. Gloryhammer - Legends from Beyond the Galactic Terrorvortex
Power Metal escocês e galhofeiro entre os melhores do ano? Teria Trevas comido um cogumelo estragado? É possível. Mas é inegável que os caras conseguiram lançar um disco para lá de divertido e diferente, mesmo brincando com clichês de um dos gêneros mais bobocas dentro do Metal.


28. Vírus – Contágio
O tão aguardado disco de estreia dos veteranos da cena Brazuca enfim chegou. E mesmo com o atraso de décadas, impossível resistir às versões definitivas para petardos como Matthew Hopkins e Batalha No Setor Antares. Isso sem contar com os “novos” clássicos Povo do Céu e Sacrifício. Imperdível aos ouvidos dos fãs do metal em Português.


27. Týr – Hèl
Essa lista está tão estranha que entra até banda das Ilhas Faroe. Sim, os caras chegam aqui na cota de Viking que deveria ser do Amon Amarth. Já que os suecos lançaram um disco bom, mas inferior ao alto padrão por eles imposto...fico com esse belo trabalho que mistura de forma única vários gêneros dentro do metal.


26. The 69 Eyes – West End
Olha, mesmo eu curtindo muito vários trabalhos dos Vampiros de Helsinque, os caras andavam tanto no piloto automático que jamais imaginei gamar em um disco deles de novo. West End é uma delícia do Gothic Rock, viciante.


25. Overkill – The Wings Of War
Faz tempo que a máquina de Thrash estadunidense não erra a mão. Em Wings Of War o Overkill se recusa a trilhar a fórmula que dera tão certo no surpreendente disco anterior. Com uma sonoridade mais próxima de seus primórdios, acertam em cheio em um disco que é uma muqueta na zoreia.


24. Pristine – Road Back To Ruin
Heidi Solhein comanda com sua bela voz e feeling o combo norueguês em Road Back To Ruin, um disco que, apesar da evidente cara retro-rocker, não é para ficar limitado somente a esse nicho. Um baita trabalho que merece ser ouvido por fãs de Rock em geral 


23. Arch/Matheos – Winter Ethereal
A junção de metade da formação original do Fates Warning traz um trabalho complexo e repleto de melancolia, com cascatas de melodias vocais e instrumental sofisticado nos levando para uma viagem sombria. Um disco de Prog Metal maduro, sem os exibicionismos estéreis do gênero.


22. RAM – The Throne Within
Para não dizer que não há espaço para o Metal-Metal da nova leva nesse 2019, o novo trabalho dos suecos troozões chuta bundas com seu coturno gasto e surrado. Fãs de Accept e Judas Priest certamente ficarão com suas cacetas em riste perante o Metal puro e vigoroso do quinteto, que parece nunca errar a mão.


21. Angel Witch – Angel Of Light
Eu falei Metal-Metal? Pois olha quem nos surpreendeu esse ano: Direto e certeiro, Angel Of Light pode ser a luz (oops) que faltava para o Angel Witch enfim engrenar e, quem sabe, construir uma reputação que faça justiça ao status de lenda que o quarteto ganhou exclusivamente por conta de seu excelente debut. Imperdível


20. Sacred Reich – Awakening
Despretensioso, virulento e direto ao ponto! De onde menos se esperava veio um disco de retorno dos mais legais que já escutei. Viciante, Awakening tem como único grande “defeito” durar parcos 30 minutos.


19. Death Angel – Humanicide
Desde seu triunfal e prolífico retorno, os ex-menudos da Bay Area definitivamente não podem ser acusados nem de amansar seu som, nem de se deitar no saudosismo repetitivo que acomete a cena Thrasher. Humanicide é definitivamente um dos discos mais poderosos dos californianos, audição obrigatória para qualquer fã de Thrash, de qualquer era.


18. In Flames – I, The Mask
Ainda que seja fã de carteirinha dos suecos, fazia tempo que nada deles me empolgava tanto. Longe da discussão infrutífera sobre os rumos que a banda tomou quase 20 anos atrás, temos em mãos o melhor e mais equilibrado disco do In Flames em muito tempo. Um disco direto, moderno, grudento e ainda assim cheio de nuances. Viciante.


17. Crobot – Motherbrain
Os malucos do Crobot conseguem unir em Motherbrain elementos de Retro-Rock e Stoner com o som alternativo dos anos 1990 e tempero Hard/Heavy, num dos discos mais viciantes desse 2019. E Brandon Yeagley é um dos vocalistas mais bacanas que ouvi da nova safra.


16. Vikram – Behind The Mask – I
Um punhado de ótimos músicos de nossa cena se unem em uma viagem conceitual num dos melhores Debuts dos últimos anos. Prog Metal inteligente, único e vigoroso, uma feliz prova de que há sim renovação e esperança para a cena Bazuca!


15. Evergrey – The Atlantic
Se alguém quer um exemplo de como uma banda pode amadurecer seu som sem soar meramente pretensiosa, reserve uma hora de seu tempo e embarque em The Atlantic. Um disco colossal, ao mesmo tempo pesado, denso e sensível. Isso sem nunca soar piegas. Uma pena que não consegui conferir o show no Rio.


14. Lacuna Coil – Black Anima
Após alguns anos de estagnação, os italianos acertaram a mão ao apostar em uma guinada no peso e em temáticas mais sombrias. Delirium já era matador, mas Black Anima vai além, um forte concorrente a melhor disco da prolífica carreira de Cris Scabbia e seus amigos.


13. Thunder – Please Remain Seated
Fiquei em dúvida se incluía ou não esse disco aqui, já que se trata praticamente de uma compilação. Mas esse não é um Best Of normal, os britânicos escolheram faixas não necessariamente incensadas de sua carreira e praticamente as reconstruíram em um delicioso formato anos 1950. Uma bela maneira de se explorar o passado sem soar apelativo. Um disco único e muito bacana de se ouvir.


12. Cellar Darling – The Spell
The Spell pode se mostrar uma jornada demasiadamente longa e melancólica ao ouvinte de um Metal mais convencional, mas é uma jornada na qual vale a pena embarcar, para aqueles afeitos a músicas que permeiam várias vertentes do estilo. O Cellar Darling encontrou enfim sua cara, e ela é bela e triste.


11. Kadavar – For The Dead Travel, Fast
Os retro-rockers teutônicos do Kadavar mergulham de maneira firme e certeira na história de Drácula e num som que parece erguido triunfantemente das brumas lisérgicas do final dos anos 1960. Absolutamente matador.


10. Eclipse – Paradigm
Paradigm pode não ter exatamente quebrado nenhum paradigma do Melodic Hard Rock/AOR, mas é facilmente um dos melhores trabalhos do estilo que escuto em anos, e provavelmente o melhor disco da carreira dos prolíficos suecos.


09. Sabaton – The Great War
Os simpaticíssimos suecos do Sabaton vêm tomando o mundo do Metal de assalto. The Great War alcançou o Top 10 em nada menos que 13 países (e Top 50 em 21), chegando ao número 1 na Alemanha. E é merecido. Dentro do estilo que se propõe, é facilmente um dos melhores discos desse 2019, e tem aquele raro mérito de pedir por um repeteco tão logo os 39 minutos se encerram. Excelente.


08. Rammstein – Rammstein
Com a estética do “menos é mais”, o quinteto ganhou foco, caprichando bastante nas composições. Até aquelas que aparentemente nada trazem de novo ao bestiário Rammsteiniano soam deliciosas. Com parcos 46 minutos de duração (e as tradicionais 11 músicas), Rammstein é cirúrgico e denso. Um dos melhores discos de 2019, que também ameaça se tornar um dos favoritos dos fãs dentro da discografia da banda.


07. Insomnium – Heart Like A Grave
Retornando a um formato de disco mais tradicional, o combo finlandês mergulha ainda mais na melancolia para produzir um disco de Melodic Death Metal excepcional, adotando elementos de diversos gêneros dentro do rock para temperar seu som. Denso e pesado, belo e sombrio.


06. Tuatha De Dannan – The Tribes Of Witching Souls
Um Ep vitaminado por algumas versões diferentes de faixas já apresentadas anteriormente, The Tribes Of Witching Souls é a prova cabal de que os mineiros são das melhores bandas de nossa cena. Um daqueles trabalhos que tão logo terminam já pedem por um novo toque compulsivo no “PLAY” do aparelho de som.

DAQUI PARA  FRENTE, A ORDEM NÃO IMPORTA!


Tygers Of Pan Tang – Ritual
Difícil esperar de um combalido veterano do segundo escalão da NWOBHM qualquer sinal vital em pleno 2019, certo? Porra nenhuma. Os tigres britânicos já vêm ameaçando lançar um novo clássico tem pelo menos 10 anos. E Ritual, ainda que seja apenas um simples disco de Metal tradicional, consegue grudar em nossa mente feito chiclete. 53 minutos que farão qualquer fã Old School sorrir sem parar.


Jinjer- Macro
Eis que vem da improvável Ucrânia um dos melhores e mais inventivos discos de 2019, que nos prova com sobras que o Jinjer não é mais uma promessa da cena, e sim uma retumbante realidade. Pesado, inteligente, criativo e diversificado.


Rival Sons – Feral Roots
Incapaz de fazer um disco minimamente medíocre, o combo Retro-rocker estadunidense nos presenteia com um discaço ao mesmo tempo simples e bastante sofisticado. Um forte rival (oops) para The Great Western Valkyrie pelo trono de melhor disco da carreira dos caras.


Candlemass – The Door To Doom
Os mestres suecos do Doom Metal parecem uma fênix sombria. Renasceram anos atrás com o impecável disco homônimo, ressurgiram de novo quando Rob Lowe assumiu os vocais da banda. Anunciaram o fim. E do nada retornam, com o vocalista original que gravara Epicus Doomicus Metallicus, com um disco tão matador que não merecia o título tosco. Um dos melhores de toda a carreira.


Swallow The Sun – When A Shadow Is Forced Into The Light
Quando os finlandeses sorumbáticos lançaram o ambicioso disco triplo Songs From The North, acreditei piamente que esse seria o ápice criativo que uma banda como eles poderia atingir. Ledo engano. Movidos pela dor do luto de seu líder e principal compositor, os caras fizeram um disco tão sombrio e denso quanto delicado e belo. Um Gothic Doom de cortar o coração (e os pulsos).


Soilwork  - Verkligheten
E não é que o The Night Flight Orchestra fez muito bem ao Soilwork? Após anos de estagnação criativa, os caras vêm enfileirando discaço atrás de discaço. Até fica difícil escrever aqui sem cair na armadilha da adulação gratuita de fanboy. Mas o fato é que no novo trabalho os suecos conseguiram encontrar um raro equilíbrio entre peso, melodia e inserção de elementos estranhos ao seu som tradicional. As composições são tão caprichadas, e o clima tão único, que nos resta aplaudir quando You Aquiver nos presenteia com os últimos acordes de um disco fadado a se tornar um clássico do estilo.