sábado, 4 de março de 2017

Accept - Restless And Live (Box Set - BD + 2Cds – 2017)

Accept - Restless and Live
Terror Teutônico Em Alto e Bom Som
Por Trevas

Acreditem, esse é de fato o primeiro Home Video (que expressão velha, hein?) de verdade da longa carreira do maior combo de Heavy Metal alemão mais importante da história. Não? Sim, camarada. Aos desavisados, a contraparte visual do excelente disco Staying a Life e sua versão relançada na década de 1990, Metal Blast From the Past, traziam toscas montagens de imagens de shows com a trilha sonora do citado ao vivo. As imagens não condiziam com o som. Ou seja, lançamentos mambembes que em nada faziam justiça ao conhecido poderio de fogo dos caras. Wolf Hoffmann, ao comentar o DVD (e Blu-ray) bônus encartado nas edições especiais do Blind Rage, havia se colocado pouco afeito à superproduções em vídeo, preferindo algo mais com cara de Bootleg, pois assim sentia mais o espírito do show. Para nossa sorte, ao que parece ele mudou de opinião, aproveitando as já usuais filmagens oficiais de um dos festivais de Metal mais famosos do planeta para preencher uma lacuna importante na discografia da banda. Ah, e Wolf teve a intenção também de finalmente lançar em Cd um registro capaz de rivalizar com o clássico Staying a Life, claro. Veremos se chega a tanto. 

Teaser oficial do lançamento

Apresentação

A edição que analiso aqui é o Digibook contendo um Blu-ray e 2 Cds. Há um pacote semelhante em DVD (lançado por aqui, inclusive) e um Earbook contendo Blu-ray, DVD e os Cds, além de muito material em foto. A apresentação do Digibook é bem bacana, seguindo o padrão usual da Nuclear Blast. Encartado em um case de papelão em preto fosco com o logo da banda em prateado e letras em relevo, o digibook contém encaixe prático para os discos nas contracapas e um livreto de 14 páginas em papel de alta qualidade contendo essencialmente fotos de shows. A ficha técnica é pequena e não dá detalhes sobre os locais onde as faixas dos Cds foram tiradas.


Edição analisada aqui na Cripta
Imagem e Edição

O show tem início ao entardecer na cidade alemã de Balingen, o que proporciona ao show um visual diferenciado ao longo de sua duração, já que logo a noite cai e os efeitos de iluminação passam a dominar. O palco é ornado de maneira simples e eficiente, com a habitual parede de gabinetes de amplificadores com logotipos cromados da banda, depositados sobre praticados metálicos (que emendam com o praticado da bateria, contendo o logo da banda nos bumbos) e um Backdrop trazendo a capa do disco da turnê, Blind Rage. A qualidade de imagens varia um bocado. Há uma nítida distorção em algumas nas tomadas, em especial a que pega o vocalista Tornillo e o praticado de bateria. Os closes individuais apresentam uma nitidez maior, mas confesso ter ficado decepcionado com a qualidade geral, aquém do que se espera para um lançamento em Blu-ray. No decorrer do show, conforme a noite toma conta e as luzes também, as câmeras se saem bem melhor e a distorção fica quase imperceptível.

A edição é correta, ágil sem ter aquela cara de videoclipe, seguindo o padrão para outros lançamentos filmados no Bang Your Head e no Wacken. O único senão fica por conta das raras tomadas para Uwe Lulis, algo que chega a beirar o constrangedor de tão evidente.




Som

O som compensa todos os senões do vídeo. Tudo nas mãos do atual sexto membro da banda, o mago britânico Andy Sneap. Tanto em Cd quanto no Blu- ray, o som está para lá de matador. Nítido, pesado e muito bem mixado, ouvimos todos os instrumentos com perfeição. E se você atribui essa perfeição a uma eventual pós-produção em estúdio e aos infames overdubs, te digo que, pelos shows que tive a oportunidade de assistir dos caras, a perfeição sonora era tamanha que até um Bootleg tosco deles rivalizaria com muito lançamento oficial de bandas menos afeitas aos palcos.



Performances e Set List

O Set List mostra que o Blu-ray (ou DVD) e os Cds são mundos completamente distintos. O repertório do show do Bang Your Head tem 18 músicas, totalizando cerca de uma hora e quarenta de duração. Nesse caso temos um típico show de turnê de divulgação de um disco, com o Blind Rage ocupando quase um terço das músicas apresentadas. Considerando o espaço dado aos já clássicos números do Blood of the Nations e Stalingrad (Teutonic Terror, Stalingrad, Shadow Soldiers, Pandemic), temos uma relativamente curta, ainda que certeira, seleção de clássicos da era UDO (Metal Heart, Fast As A Shark, Balls to the Wall, Restless and Wild e as surpresas Midnight Mover e London Leatherboys). A boa notícia é que o material atual do Accept é tão bom que pouco fica devendo aos chavões do passado.


Já o repertório apresentado nos Cds, contemplando 27 músicas em duas horas e meia de duração, é bastante extenso, representando boa parte da longa carreira da banda.
Sobre as performances individuais, elas diferem também dos Cds (que tem gravações de vários shows) para o material em vídeo. Mas a qualidade é alta em todos os casos. Abaixo farei a análise da performance do show do Bang Your Head.

Mark Tornillo provou-se de imediato protagonista de uma das melhores substituições que uma banda consagrada já fez para um vocalista icônico (UDO, no caso). Com sua performance de palco curiosa e que lembra um bocado Bon Scott, se sai muito bem tanto em seu material quanto no do UDO. Apesar disso, Tornillo não está numa noite tão perfeita no show do Bang Your Head quanto nas que tive o prazer de presenciar. Mas nada que interfira no resultado final, apenas um pouco mais contido nos agudos do que o normal. Digamos que, ao invés de 100%, o cara está 95%. Sim, estou sendo chato, hehehe


Quem assistiu essa formação em ação já sabe de uma coisa: os verdadeiros frontmen da banda são o patrão Wolf Hoffmann e seu fiel escudeiro, Peter Baltes. Tanto que o nome dos dois sempre aparece à frente do restante dos membros em todos os créditos. Quando não está cantando, Tornillo vai para o lado do palco, enquanto os dois dão um show à parte. Wolf é um mega guitarrista, tem timbre único e muito carisma. Assume pelo menos 90% dos solos do show e boa parte das tomadas das câmeras. Já Baltes, além de ajudar nos Backing Vocals sobremaneira, ainda passeia com desenvoltura e jovialidade pelo palco. O carisma da dupla é tanto que há até espaço para um empolgante duelo entre eles em No Shelter.

Fucker and Sucker, quer dizer, Baltes e Hoffmann

O batera Christopher Williams, aparentemente bem amis novo que seus companheiros, tem uma performance segura, com muita pegada e pouca frescura. Eficiente.

Uwe Lulis está ali claramente como um músico contratado. É de longe o menos focado pelas câmeras, ficando as vezes alguns bons minutos sem aparecer nem de longe em nenhuma tomada, o que me pareceu bem estranho. Bom guitarrista, segura as pontas com competência, tocando alguns poucos solos no percurso.

O público é um ponto curioso. Os shows em festivais costumam apresentar o mesmo problema que noto aqui: visivelmente a galera está curtindo o show, mas de forma comportada. Afinal, no Bang Your Head você fica o dia inteiro assistindo dezenas de shows e tem que se segurar um pouco para sobreviver à maratona. Então são raros os momentos de loucura generalizada. Uma gravação de um show próprio, só da banda, certamente traria uma resposta consideravelmente mais empolgada do que vemos aqui.



Como um todo, posso dizer com toda certeza que o Accept é uma das bandas mais bem ensaiadas e concisas de Heavy Metal tradicional que já vi sobre um palco. E o mais legal, tocam com absoluta perfeição sem abrir mão em nenhum momento de uma pegada para lá de pesada. Sensacional.


Saldo Final

Quem já viu os caras ao vivo sabe bem, poucas bandas de Metal são tão íntimas dos palcos quanto os teutônicos. O que temos aqui é uma aula de como se fazer um puta show. Obviamente a ausência total de extras no Blu-ray e os pequenos problemas das imagens tem que ser levados em conta na avaliação também. Mas não há nem um senão a se dizer do áudio e da execução. É puro Heavy Metal em sua melhor forma, para baguear com uma cerveja na mão no sofá da sala. Excelente!  


NOTA: 9,00


Pontos positivos: repertório e execução excelentes, ótima qualidade de áudio.
Pontos negativos: as imagens estão um pouco aquém doe sperado para um lançamento em Blu-ray. 
Para fãs de: Accept, caralho!!!
Classifique como: Heavy Fucking Metal!!!!





sexta-feira, 3 de março de 2017

Metalmorphose - Ação & Reação (Cd-2017):

Metalmorphose - Ação e Reação (Cd-2017)
Metalmorphose - Ação e Reação (Cd-2017):

Sentando A Pua!!!!
Por Trevas

Os pioneiros do Metal Carioca parece que resolveram mesmo recuperar o tempo perdido. Após passar quase duas décadas afastada da cena, desde seu retorno (em 2008) a Metalmorphose vem soltando lançamentos em profusão. Coletâneas, discos e DVDs ao vivo e, mais importante, trabalhos de estúdio – enfim a banda vai engrossando, com qualidade, sua discografia.

Uma Longa Gestação

Lançado dia 02 de março somente nas mídias digitais, com previsão de lançamento em Cd pela Dies Irae em abril, Ação e Reação teve uma longa gestação. Sua produção começou pouco depois do lançamento de Fúria dos Elementos (ver Resenha da Cripta), ainda em dezembro de 2015. A gravação ocorreu nos estúdios HR e Naked Butt, sob a batuta de Gustavo Andriewiski, mesma parceria que a banda utilizou com sucesso nos dois discos pós retorno. Outra parceria que se repetiu aqui foi com o ilustrador Victor Santiago, responsável pela arte de capa de Fúria dos Elementos e que aqui se superou, trazendo uma bela imagem de um combate aéreo – clara referência à faixa de trabalho, A Cobra Fumou. A formação é a mesma que gravou o disco anterior: Tavinho Godoy na voz, André Bighinzoli no baixo, PP Cavalcante e Marcos Dantas nas guitarras e o rinoceronte branco André Delacroix na bateria.  Entretanto, pouco antes do lançamento do disco, foi anunciada a saída de Tavinho, que desde 1983 é o responsável pelos microfones da banda. A separação, amigável, foi sacramentada em um show comemorativo apresentando o mais longo repertório que a banda já tocou ao vivo. 

Metalmorphose: PP, Bighinzoli, Tavinho, Delacroix e Dantas
Ação e Reação – Faixa por Faixa:

1. Bala Perdida – levada contagiante à lá Motörhead, com um riff na cara. Letra que exprime bem o medo que contagia nosso cérebro numa grande capital como o Rio de Janeiro. Há momentos de destaque em separado no arranjo para a bateria de André Delacroix e o baixo de André Bighinzoli. O Refrão é grudento e deve funcionar bem ao vivo, mas por algum motivo não me conquistou.

2. Solução: Cadenciada. Gang Vocals? Bacana! Linhas de guitarra e voz matadoras. Não lembro de ter ouvido cowbell na banda no passado, e a novidade se encaixou muito bem. Toques de rock moderno no refrão, que é grudento (me lembrou estilisticamente o disco Live to Win do Paul Stanley, que adoro) - excelente.

3. Ação e Reação: Rolo compressor na bateria de Delacroix, que segundo consta, pela primeira vez usou bumbo duplo nas gravações do disco. Riffs com cara de Accept, em uma improvável e bem-vinda versão Brasuca, com direito a Gang Vocals de novo, gostei disso! O solo com referência a Grieg ficou realmente muito bom. Clássico pronto!

4. Princesa do Metal: Nascendo quase colada à faixa título, sua letra é uma homenagem direta às moçoilas metálicas. Riff pesadão, refrão grudento e solos em profusão, tudo com cara daquela era mais romântica do Metal tradicional – por sinal, muito boa!

5. Tudo na Vida Tem Seu Preço: Mais um bom refrão, ótimos solos, essa música, bem AOR,  tem muita cara de rádio. Composta por Bighinzoli, que deixou o Brasil rumo à Itália pouco após findar as gravações das suas linhas de baixo, me lembrou algo que poderia fazer parte da fase Hard do Scorpions. Infelizmente as rádios já não se interessam mais por rock.

6. Liberdade: Aqui o disco ganha tons mais épicos, com a música composta por Roosevelt Bala (do Stress) trazendo algo de velho oeste empoeirado. Guitarras dobradas à lá Maiden (em seus tempos áureos) – cortesia de PP Cavalcante e Marcos Dantas - andamento empolgante. Pouco provável que não venha a se tornar obrigatória nos shows vindouros.

7. A Cobra Fumou: Primeira faixa de trabalho, composta por Marcos Dantas. Tivemos acesso a ela através do videoclipe (ver abaixo), com imagens da Segunda Guerra. Outra que aposta em atmosfera épica e que remete ao Iron Maiden clássico. Na letra, uma singela e bem-feita (“Não Há Lourdinha à Matracar” é genial) homenagem aos combatentes da FEB (Força Expedicionária Brasileira), mais especificamente comemorando os 72 anos da batalha de Monte Castello, ao final da Segunda Grande Guerra. Já não era sem tempo, os suecos do Sabaton já haviam prestado homenagem a nossos heróis e agora temos um hino em verde e amarelo sobre esse importante episódio de nossa história. Absolutamente emocionante.



8. Prelúdio Metálico: Uma boa e curta faixa instrumental, que a banda executava ao vivo em seus shows na década de 1980. Bom riff e bons solos. Imagino que poderia dar origem a uma música inteira.

9. Viver Para Correr: Hardão com aquela letra que faz a felicidade dos motociclistas. Grande interpretação do vocalista Tavinho Godoy.

10. Menina Má: E André Delacroix ataca de novo de cowbell. Ouvi um slide ali? Linha melódica que explora a sensualidade da letra. Por algum motivo essa faixa me remeteu ao primeiro disco do Montrose ou os momentos mais Rockers da carreira solo do grande Sammy Hagar.

11. Aquela Menina: Blues Rock na Metalmorphose? Mais uma novidade. Encardida, traz aquelas letras bem típicas do Blues, com direito a mulher atormentando o protagonista e a belos solos.

12. Quem foi: Outra com um toque de modernidade. Direta e bacana, com uma boa letra. Gostei da cara de jam no meio, lembrando o Thin Lizzy.

13. Mate o Réu: A música que encerra a bolachinha é uma merecidíssima, vigorosa e honrosa homenagem àquela que é tida como a grande pioneira do Metal Brasuca – Stress!!


Saldo Final:

Ação e Reação traz um punhado de grandes músicas que varrem um vasto espectro musical dentro do Rock Pesado. Aqui cabe ressaltar o belo trabalho de produção de Andriewiski, que conseguiu equilibrar a diversidade do material do disco, dando igual destaque a todos os instrumentos sem que com isso prejudique o desempenho de Tavinho Godoy, que faz em sua despedida sua melhor performance em estúdio.
Em suma, Ação e Reação é o melhor trabalho dos veteranos e tem tudo para angariar mais atenção e  respeito ao Heavy Metal feito em nossa língua. Matador!


NOTA: 9,11


Pontos positivos: material variado e com grandes músicas
Pontos negativos: Bala Perdida definitivamente não me conquistou
Para fãs de: Riot, Iron Maiden, Stress, Salário Mínimo, Azul Limão
Classifique como: Heavy Metal


quarta-feira, 1 de março de 2017

Os Melhores de 2016 - Pela Cripta do Trevas!

Os Melhores de 2016 pela Cripta do Trevas!
Olá, Guardiões da Cripta

Mais um ano se passou, mais uma lista atrasou, hehehehe

Bem, passei janeiro e fevereiro chafurdando nas listas de sites e pessoas em busca de discos obscuros. Confesso que caso não o tivesse feito, meu Top 20 de 2016 teria ficado bem empobrecido.

E não é por falta de material, não. Foi o primeiro ano em que utilizei ativamente o Spotify, e com ele e o The Metal Club, consegui ter alcance a uma penca de discos quase impossíveis de serem encontrados fisicamente. Devo ter escutado cerca de 200 trabalhos, uns 100 deles resenhados na Cripta.

2016 foi tão bom em lançamentos de rock pesado que minha lista original para essa postagem contava com 30 discos. Abri mão de coisas como os novos do Testament, Kvelertak, Temperance Movement, Claustrofobia, Killswitch Engage, Deftones...mas o fiz para que o texto ficasse menos longo.

Mas ainda assim ficou beeeem longo. Dividirei a postagem em duas partes. Na primeira, farei um apanhado de diversos pontos de 2016. Na segunda parte consta a lista do Top 20.
Comentem, critiquem, desenvolvam vossos vocabulários chulos, só lembrem de deixar minha progenitora fora dessa. Divirtam-se!!!

Saudações metálicas!
Trevas


MELHORES (E PIORES) DE 2016 – Parte I:
Por Trevas


Decepção e Bomba
Decepção e Bomba? Opeth e Metallica cabem aqui? Bom, decepção a gente só tem quando se espera algo de alguma coisa ou alguém. Não é o caso, parei de me importar com o Opeth tem tempo e Metallica nunca me interessou. E, convenhamos, por mais mequetrefes que soem os novos discos, estão longe de poderem ser considerados bombas. Decepção tive quando escutei o novo projeto dos mestres Hank Shermann e Michael Denner. Os caras tiveram a infeliz ideia de contratar para os vocais Sean Peck, o Ripper Owens sem pedigree, que tem tempos infla minha bolsa escrotal com o genérico Cage. Bom, Sean parece ter se empolgado ao fazer um som com os tiozões do Mercyful Fate, nos presenteando com a performance vocal mais irritante desde a estreia de Jim Gillette. Some os maneirismos para lá de Over de nosso amiguinho à um punhado de faixas burras do naipe de Son Of Satan e temos o disco mais decepcionante que escuto em eras. Mas, por pior que seja Masters of Evil, ele em nada se compara a The Astonishing, do Dream Theater. Os nerds estadunidenses encapsulam tudo o que há de pior no Prog Metal, mas dessa vez se superaram: 130 minutos de puro exibicionismo com barulhinhos de robôs e melodias insípidas que contam uma história tão desinteressante e genérica que se trocássemos os robozinhos por dragões, teríamos um disco do Rhapsody. E tome tiruliruli-tirulirulu-pim-pom-tum. O treco é tão absurdamente ruim que a melhor música dentro as 34(!!!!), the Gift Of Music, não serviria nem de lado B de single do Rush atual. Bisonho!

Denner/Shermann + Dream Theater - why, Lord, whyyy??!?!?!

Revelações:

Ok, ok. Podem me xingar. Mas o combo britânico de Classic/Hard Rock que o queridinho do The Voice Nathan James montou promete, e muito. O primeiro disco do Inglorious pode não ter reinventado a roda, mas promete fazer a alegria dos fãs de Rainbow e seus derivados pelos anos que virão. O mesmo pode ser dito dos espanhóis do Lords Of Black. Não os caras não nasceram em 2016, mas a escolha de seu vocalista, Ronnie Romero, para o posto de nova aposta de Blackmore no retorno improvável do Rainbow fez com que os caras ganhassem uma exposição gigantesca. Uma baita banda a ser espiada no futuro! E coloco aqui um supergrupo também – Last In Line. O combo montado por Vivian Campbell e Vinny Appice chutou bundas com seu debut. E para provar que não foi acidente, já anunciaram o lançamento do segundo rebento. Aqui no Brasil, fui surpreendido pelo trio Chronicode, que lançou meio que na surdina seu Shapeshifter, mostrando que Mari Figueiredo é uma das melhores vozes da nova cena brasuca. Com boas músicas guiadas pelas guitarras afiadas de Julia Pombo e Celo Oliveira e uma baita produção, esse projeto é mais uma promessa tupiniquim de alta qualidade! 

Inglorious, Lords Of Black, Last In Line e Chronicode - gratas surpresas!
Capas do Ano!

Ah, tá, ninguém mais compra mídia física. Foda-se! Ninguém liga mais para arte gráfica. FODAAAAAA-SEEEEEE!!!!!!!!!!!!!!!!! 

Eu ligo. Engole o choro!

Olha, ainda que o declínio da vendagem das mídias físicas seja uma infeliz realidade, ele não afetou tanto assim a qualidade das artes gráficas dos lançamentos mundo afora não. Muito provavelmente por que as ferramentas hoje são muito mais acessíveis aos artistas de plantão. Escolhi aqui quatro capas que considero das mais belas que vi esse ano. Brotherhood of the Snake, do Testament, pode ter falhado em me conquistar como o fizeram os lançamentos dos caras desde The Gathering. Mas a arte de capa do Israelense Eliran Kantor (Satan, Crowbar, Kreator) ficou excelente, casando bem com as paranoias conspiratórias das letras do disco.

O Tamuya Thrash Tribe explora em suas letras um pouco de nossa história. E também toca em temas para lá de pesados, como o silencioso genocídio de nossos índios. E dificilmente uma arte de capa poderia se mostrar mais concisa e impactante do que a que adornou The Last Of The Guaranis. Um Forte e belo trabalho da artista plástica Isabelle Araujo.

O Metal extremamente técnico e espacial dos estadunidenses do Fallujah geralmente vem adornado por artes de capa belíssimas e etéreas, e em Dreamless não foi diferente: cortesia de Peter Mohrbacher, especialista em ilustrar versões bem diferentes para as entidades que chamamos de “Anjos”.

Os noruegueses do Kvelertak decidiram abandonar as artes de temática pagã do excelente John Baizley (líder do Baroness), mas o renomado ilustrador Arik Roper (que além e artes para outras mídias já pintou coisas para Black Crowes, Sleep e Cathedral) nos presenteou com uma bela ilustração Old School para o Night Traveller (com a corujinha mascote da banda à tiracolo) do título em norueguês.

Testament, TTT, Fallujah e Kvelertak - belos trabalhos de arte gráfica
Shows:
A oferta de shows pelo Brasil em 2016 foi bastante boa. Os preços, nem tanto. Aqui na Cripta vocês puderam ler relatos de alguns convidados ilustres sobre o primeiro Hell In Rio, sobre a primeira turnê do Iron Maiden depois da recuperação de Mr. Bruce Dickinson, além da passagem marcante do Sisters Of Mercy pelo Rio. Pude assistir a uma penca de shows em 2016, vários deles memoráveis (Soilwork, Candlemass, Halestorm, Kamelot, Exciter/Sacred Reich), mas dentre todos, os que mais me marcaram foram os shows de dois combos teutônicos (7x1?):

A) O verdadeiro massacre sonoro que a nova encarnação do Accept propiciou no Imperator, em Abril. Arrisco a dizer que os caras estão melhores hoje do que em seus tempos áureos. Um show de metal sem frescuras, apenas a banda e sua música.

B) Bem diferente da minha escolha seguinte: o apoteótico show do Rammstein encerrando o primeiro Maximus Festival. Um show de tanto poder de fogo musical e visual que é capaz de tornar uma apresentação do Kiss algo mambembe e desinteressante. Simplesmente o melhor espetáculo audiovisual que a cena do rock pesado já criou. Inesquecível.

Pôster do primeiro Maximus
O que esperar de 2017?

Em termos de lançamentos, 2017 começou com tudo! Kreator, Pain Of Salvation e Sepultura já botaram suas garrinhas de fora com dois discaços que em breve ganharão suas resenhas por aqui. Os veteranos prometem muita coisa boa vindo por aí: Judas Priest, Metalmorphose e Deep Purple são alguns dos “velhinhos” que já anunciaram novos trabalhos para esse ano. Ritchie Blackmore já avisou que uma segunda rodada de shows do Rainbow redivivo irá acontecer, deixando um suspense em relação a um novo disco. O Megadeth finalmente conquistou seu primeiro Grammy, ainda que trolado pela produção, que tocou uma música do Metallica no momento do anúncio. E 2017 ainda promete ser o ano em que finalmente o Tool vai largar a preguiça de lado e lançar seu primeiro trabalho em mais de 10 anos. Em relação a shows em nosso território, Amon Amarth, Abbath, Lacuna Coil, Evanescence e Moonspell já tem datas confirmadas. A promessa é de uma agenda ainda mais cheia e repleta de grandes apresentações do que 2016. Enfim, o ano promete!


MELHORES DE 2016 – PARTE II - TOP 20!!!


20. Witherscape - The Northern Sanctuary

20. Witherscape – The Northern Sanctuary
O projeto do criativo sueco Dan Swanö com Ragnar Widerberg  tem um pé na morbidez, mas com nuances Prog e citações a quase todo e qualquer subgênero dentro do Heavy Metal, mas sem perder uma inesperada veia pop.


19. Gus Monsanto - Karma Café
19. Gus Monsanto – Karma Café
O primeiro disco solo de um dos melhores vocalistas da história do rock pesado Brasuca é uma grata surpresa: AOR/Hard recheado sensibilidade e boas ideias. Ah, e com um vocal de primeira!


18. Lords Of Black - II
18. Lords Of Black – II
Vocal de primeira é o que encontramos nessa banda espanhola, que faz uma versão 2016 do som que o Rainbow imprimiu lá nos anos 1970. Não à toa, Ronnie Romero foi escolhido vocalista do...Rainbow!


17. Ihsahn - Arktis
17. Ihsahn – Arktis
O norueguês é especialista em trabalhos que misturam zilhões de influências de tudo o que já foi feito dentro do metal. Só que dessa vez ele conseguiu fazer isso de maneira ainda mais acessível.


16. Blood Ceremony - Lord Of Misrule
16. Blood Ceremory -  Lord Of Misrule
Os canadenses fazem um Occult Rock que bebe tanto de Jethro Tull quanto de Black Sabbath e Coven. Os riffs monolíticos com nuances folk, flautas e a bela voz de Alia O’Brien criam um clima único e sombrio.


15. Vader - The Empire
15. Vader – The Empire
Não há nada de necessariamente novo nos pouco mais de 30 minutos do novo disco dos mestres poloneses do Death Metal. E nem precisa ter novidade quando se faz um disco tão forte e vigoroso quanto esse.


14. Tygers of Pan Tang
14. Tygers Of Pan Tang - Tygers Of Pan Tang
Talvez o disco mais improvável a figurar na minha lista. Os veteranos da NWOBHM  tem mais cacos do que clássicos em sua discografia, então esse ótimo disco homônimo certamente pode figurar entre seus melhores trabalhos.


13. Last In Line
13. Last In Line – Heavy Crown
Vivian Campbell remonta a formação clássica que gravou Holy Diver para honrar a memória do desafeto Ronnie James Dio. Soa falso? Em intenção, sim, mas que puta disco nasceu dessa ideia!


12. Purson - Desire's Magic Theatre
12. Purson – Desire’s Magic Theatre
Rosalie Cunningham, o prodígio britânico que praticamente faz tudo nessa banda com nome de capeta, muda a chave de seu som para algo mais psicodélico e menos sombrio, mas ainda assim excelente.


11. Magnum - Sacred Blood, Divine Lies
11. Magnum – Sacred Blood, Divine Lies
Os veteraníssimos britânicos, responsáveis por uma das sonoridades mais idiossincráticas da história do rock, vivem um raro momento de criatividade tardia. Um dos melhores trabalhos de sua extensa discografia.


10. Trees of Eternity - Hour of the Nightingale
10. Trees Of Eternity – Hour of the Nightingale
A Sul-Africana Aleah Stanbridge pode ter deixado cedo demais esse plano astral. Mas seu legado musical, em parceria com Juha Raivio (do Swallow the Sun), viverá para sempre nesse belo e tristonho disco.


09. Fallujah - Dreamless
09. Fallujah – Dreamless
Robótico, etéreo e extremamente técnico, o som dos estadunidenses é bem próprio. Para nossa sorte também é pesado feito um mamute celestial. Estranho e muito criativo, um baita disco de metal moderno.


08. Metal Church - XI
08. Metal Church – XI
Outra surpresa vinda de um grupo veterano. Mike Howe retornou ao Metal Church e parece que os anos afastado da cena fizeram muito bem ao vocalista uma ótima performance num disco recheado de petardos para deixar a velha guarda de sorriso no rosto.

07. Khemmis - Hunted
07. Khemmis – Hunted
Em Hunted, o Khemmis escreve um verdadeiro compêndio de quase tudo o que se pode fazer dentro do Doom Metal. Épico, pesadíssimo e lento feito uma tartaruga das galápagos com reumatismo.


06. Gojira - Magma
06. Gojira – Magma
Composto em um longo espaço de tempo onde a vida dos irmãos Duplantier foi revirada de pernas para o ar, Magma confirma a capacidade dessa banda francesa de compor discos que não se parecem com nada que já tenha sido feito antes. Pesado, denso e ainda assim cheio de sutilezas.


05. Blues Pills - Lady In Gold
05. Blues Pills – Lady In Gold
O combo multinacional capitaneado pela bela vocalista sueca Elin Larsson já havia apresentado uma imensa gama de influências no som retrô de seu surpreendente debut. Mas no novo disco foram ainda mais longe, mostrando que além de emular com precisão as eras de ouro do Rock, são capazes também de compor belas músicas que grudam na nossa cabeça.


04. Tamuya Thrash Tribe - The Last Of The Guaranis
04. Tamuya Thrash Tribe – The Last Of the Guaranis
Os cariocas nos presentearam com um trabalho extremamente bem pensado, desde o conceito, passando pela arte gráfica, composições e arranjos. Ah, e no meio disso tudo tem peso, um puta peso, diga-se. Um dos melhores trabalhos de estreia de uma banda brasuca em muito tempo.


03. Insomnium - Winter's Gate
03. Insomnium – Winter’s Gate
Puta merda, um trabalho conceitual sobre uma história viking em uma única música dividida em várias partes. Adornado por uma sonoridade que remete ao Melodic Death Metal. Isso pode prestar? Sim, e como!!!!! Um trabalho quase perfeito.


02. Amon Amarth - Jomsviking
02. Amon Amarth – Jomsviking
Eita, mais um trabalho conceitual envolvendo temática nórdica? Virou moda? Obviamente os suecos do Amon Amarth são bem menos sutis que os colegas do Insomnium, mas ainda assim a história simples de Jomsviking é muito bem contada. E musicalmente o disco é o melhor dos brucutus desde o perfeito Twilight Of The Thunder God.



01. Fates Warning - Theories Of Flight
01. Fates Warning – Theories Of Flight
Vejam só que surpresa, um cara que adora desancar o Prog Metal coloca justamente um dos baluartes do estilo no topo de sua lista? Pois é. Mas não estamos falando de qualquer banda, e sim de uma das pioneiras. E de longe a mais madura. E é justamente por isso que o FW não cai nas armadilhas de punhetagem explícita e arrogância intelectualoide que assolaram e minaram o estilo. Não que não existam momentos de proficiência técnica que esbarrem nisso por aqui, mas o que vem primeiro para Jim Matheos, Ray Alder e sua trupe é a música. E Theories Of Flight está repleto de boas canções, excelentes melodias e peso, muito peso. Com dos melhores discos de uma longa carreira, o Fates Warning angariou com sobras o topo de minha lista!