quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

Airbourne – Breakin’ Outta Hell (Cd-2016)

Airbourne - Breakin' Outta Hell
Para Colecionar Multas na Estrada!

Por Trevas

Os australianos do Airbourne surpreenderam o mundo em sua estreia, fazendo um hard calcado em AC/DC, WASP dos primórdios e leve pitadas de Def Leppard. Alavancados por um impressionantemente energético show que os levou a abrir a turnê caseira de seus ídolos, os irmãos Young, a carreira dos caras vem crescendo a cada ano, e a promessa era de que esse novo álbum conseguisse captar o fervor do quarteto em suas apresentações. Para isso, abriram mão da produção polida do premiado Brian Howes, que trabalhara com...urgh...Nickelback (vade-retro!!!!), para apostar as fichas em Bob Marlette. Bob, parceiro de Alice Cooper nos pesados Dragontown e Brutal Planet, já havia acertado a mão na estreia dos garotos de Melbourne. Então as expectativas aumentaram consideravelmente com a repetição da parceria!


Hey, você tem uma cerveja??? Airbourne 2016
A faixa título é daquelas que você jura que o AC/DC já gravou anteriormente, mas ainda assim é impossível não agitar a cabeça e bater o pé ao ritmo acelerado da mesma. Excelente!


Rivalry (ver vídeo) praticamente implora para ser cantada junto e é clássico certeiro. Impressionante a capacidade dos caras em fazer canções simples e diretas, mas que grudam de imediato na cachola!


Logo depois temos um trio de músicas aceleradas que deveriam ser proibidas de se ouvir no som do carro em uma estrada aberta, pois é garantia de excesso de velocidade! I’m Going to Hell For This é viciante e midtempo e nessa alternância segue o restante dos pouco mais de 40 minutos da bolachinha, Hard Rock direto, extremamente vigoroso e sem frescuras, e sem lá muita preocupação em soar minimamente inventivo.



Saldo Final

Impossível para um fã de rock que se preze não curtir um disco como Breakin’ Outta Hell, que acaba por se tornar o melhor trabalho dos australianos desde sua excelente estreia. Diversão garantida e obrigatória!

NOTA: 8,75


Pontos positivos: rock and roll frenético e cheio de punch
Pontos negativos: porra, chupa AC/DC até a medula, mas quem se importa?
Para fãs de: AC/DC, Krokus, WASP antigo
Classifique como: Hard Rock

terça-feira, 29 de novembro de 2016

Sabaton – The Last Stand – Deluxe Edition (Cd + DVD-2016)

Sabaton - The Last Stand
Cansados de Guerra
Por Trevas

A vida dos suecos do Sabaton trafega em ritmo frenético. Galgando respeito e território à base e uma incessante e espartana (oops) agenda de shows, os efeitos dessa estratégia se mostrando na constante mudança de formação. E quando você acha que eles vão tirar um merecido tempo livre, lá vem o anúncio de um festival próprio ou de novo disco.

Sabaton no Circo Voador, 2016 (Foto por Daniel Croce)
O problema é que essa loucura por vezes cobra um preço alto. O disco anterior, Heroes já fora um passo algo burocrático criativamente e quando The Last Stand foi anunciado, confesso que mesmo sendo fã dos caras, fiquei com um pé atrás: será que a fórmula não está começando a se esgotar? Sem se afastar da costumeira temática bélica, dessa vez o disco tem como tema central batalhas históricas onde batalhões solitários se mostraram a última fronteira entre a vitória e a derrota em uma guerra.


Com esse tema em mente seria óbvio falar sobre os 300 de esparta, e é justamente Sparta que abre o disco, uma música eficaz, feita para o ambiente dos palcos, tal qual Last Dying Breath. Duas boas faixas, mas que não soam lá muito diferente do que a banda já fez.



E se cobramos que os caras se reinventem, temos gaitas de foles na chatinha Blood of Bannockburn, uma ode aos escoceses de Robert, The Bruce. Uma sessão rítmica feita de tiros, baionetas e explosões trazem um curioso tempero à boa The Lost Battalion. A produção de Peter Tagtgren deixou a voz e os teclados bem na cara e isso comprometeu o peso da bolachinha até aqui. Mas a boa Rorke’s Drift vem para relembrar que os suecos sabem soar pesados quando deixam.


Enfim, a faixa título talvez seja a mais fraca do disco, e o uso excessivo de corais piora ainda mais a situação. Ainda bem que Hill 3234 melhora o panorama, apostando novamente no peso e velocidade. Inspirada nos eventos históricos romantizados por Hollywood em O Último Samurai, Shiroyama é a única das faixas do material que eu apostaria ser um postulante a clássico. Realmente contagiante, apesar do arranjo meio “música do Jaspion”! 


Winged Hussars é outra faixa fabricada pensando nos shows e The Last Battle encerra os 44 minutos de música da edição padrão de maneira competente.


Sabaton 2016 - ainda querendo briga


Saldo Final

O Sabaton continua trilhando um terreno seguro, mas cuja paisagem vem se fazendo familiar demais. The Last Stand é divertido e vai fazer a felicidade daqueles que não se importam em ouvir uma fórmula ser repetida à exaustão. Mas, há de se convir, uma banda que já fez discos como The Art of War e, especialmente, Carolus Rex, pode muito mais que isso!


NOTA: 7,40


Edições Especiais
A bela edição brasileira conta ainda com duas faixas bônus: a divertida Camouflage (melhor que quase todas do disco) e uma competente versão para All Guns Blazing, do Judas Priest. Além disso temos um show inteiro da Turnê de Heroes em boa qualidade num DVD bônus e um encarte com impressão de primeira! Boa pedida! A edição em Earbook gringa traz ainda duas covers, uma para Afraid to Shoot Strangers, do Iron Maiden e Burn In Hell, do Twisted Sister.


Pontos positivos: disco fácil de se ouvir, com muita energia
Pontos negativos: a produção meio rococó e músicas que trilham fórmulas já esgotadas pela própria banda
Para fãs de: Powerwolf, Blind Guardian, Accept
Classifique como: Power Metal

segunda-feira, 28 de novembro de 2016

Metal Church – XI (Cd-2016)

Metal Church - XI
Hora da Missa!!!
Por Trevas

Prólogo – Uma Igreja Amaldiçoada

A banda estadunidense Metal Church surgiu em 1980, fruto da visão do chefe e guitarrista Kurdt Vanderhoof. A constante mudança de formação acabou por atrasar sua estreia, que só aconteceu mesmo em 1984. E que estreia, o disco homônimo, mesmo lançado de forma independente, vendeu mais de 70.000 cópias.

Metal Church, o disco, com sua icônica capa
O burburinho que a banda causou na cena atraiu a Elektra, que assinou com os caras. Reza a lenda, a contratação contou com suposta interferência dos colegas (e fãs declarados) da então emergente Metallica. O disco seguinte, The Dark, foi um sucesso e crítica e vendas e parecia indicar que a Metal Church se tornaria uma das maiores bandas de metal da história. Mas dali para frente tudo deu desmoronou. Kurdt abandonou o barco, David Wayne foi demitido e nada mais foi o mesmo. Para o lugar de Wayne, foi chamado o então vocalista da Heretic, um tal de Mike Howe. O excelente novo vocalista brilhou em três grandes discos que falharam em reproduzir o sucesso comercial dos dois primeiros.


Reformulações e reformulações...

A Igreja foi reformulada uma penca de vezes, sem grande sucesso. Com o vocalista original David Wayne (R.I.P.) não obtiveram o brilho esperado e o outro vocalista tentado (por duas vezes), Ronnie Munroe, também não foi lá muito feliz em seus lançamentos com a banda.


XI

XI é o 11º disco do Metal Church...ehr...dã. Bom, confesso que não andava muito afeito ao som da banda em sua última encarnação, com o Ronnie Munroe nos microfones. E como muitos, fiquei surpreso com o anúncio do retorno do vocalista Mike Howe e lançamento desse novo disco.

Metal Church versão 789
E o que poderia soar como uma infrutífera nostalgia gratuita cai por terra logo nas primeiras músicas: Reset é certeira, direta e com uma forte veia oitentista, mas é absolutamente impossível não banguear de cara com ela!


E quem tinha dúvidas se um cara recém-saído da aposentadoria poderia dar conta do recado, é só ouvir a performance de Mike Howe em qualquer das faixas que escolher. A voz rascante do cabrunco, que por vezes remete ao grande Bobby Blitz (do Overkill), combina perfeitamente com as composições de Kurdt. Particularmente tive esse primeiro contato com Killing Your Time, outra destruição total.


A sequência arregaçante ainda inclui a faixa de trabalho No Tomorrow e se estende até Sky Falls In. Mas não me entendam mal, o disco em nenhum momento fica ruim não. Mas é o momento de alternância entre faixas excelentes (Soul Eating Machine) com outras apenas boas (Needle and Suture).

Saldo Final

XI é figura fácil em qualquer lista de melhores do ano que envolva Heavy Metal. Simplesmente viciante, tem praticamente tudo que um fã do estilo pode esperar. E ainda melhor, suas vendas surpreederam e fizeram o Metal Church atingir sua melhor colocação nas paradas da Billboard desde o início da carreira (no número 57, nada mau para uma banda sem grande estratégia de marketing, hm?). Enfim, hora de voltar a ir à missa!!!!


NOTA: 9,21


Pontos positivos: ótimas músicas e excelente performance vocal de Howe
Pontos negativos: nada relevante a declarar aqui
Para fãs de: Overkill, Reverend, Megadeth
Classifique como: Heavy Metal