domingo, 22 de dezembro de 2013

Curtas: Anvil + Monster Magnet + Death Angel + Deep Purple + Trivium + Whitesnake


Curtas: Anvil + Monster Magnet + Death Angel + Deep Purple + Trivium + Whitesnake

Ano acabando e minha lista de melhores começa a ser elaborada. Faz um bocado de tempo que não posto por aqui, fim de ano complicado, então lá vai uma penca de resenhas, no atacado!

Anvil - Hope In Hell
Anvil – Hope In Hell (CD - 2013)

Mais do Mesmo

Segundo disco dos mestres do Speed/Thrash Metal canadense após o estouro do documentário History Of Anvil, Hope In Hell repete a dobradinha da banda com o renomado produtor Bob Marlette (Alice Cooper, Iommi, Seether). Infelizmente dessa vez sem o mesmo sucesso do ótimo Juggernaut Of Justice.

Ok, Lips, nós também gostamos de você. Mas vê se capricha mais na próxima!
Não que falte garra a Lips, Reiner e Sal Italiano, o Anvil continua com uma pegada bem pé no acelerador, e nem falta também o obrigatório senso de humor, vide a brincadeira com o riff e estrutura de Smoke On The Water, que atende pelo nome de Through With You. O que ficou faltando foram músicas memoráveis. Para se ter uma ideia, somente na quarta música, a vigorosa The Fight Is Never Won é que o disco ameaça engrenar. E só ameaça, pois afora a mencionada música e as duas bônus da edição limitada (Hard Wired e Fire At Will), o material do disco não empolga, embora também não chegue a ser ruim. Como a banda está excursionando como nunca, dá a nítida impressão que esse Hope In Hell foi produzido apenas como desculpa para o retorno aos palcos. Se não se cuidar com os próximos lançamentos, é possível que o Anvil comece a traçar seu retorno ao ostracismo. Melhor caprichar, então!

NOTA: 6,5

Recomendado para: apenas para os fanáticos pelo Anvil e/ou completistas.

Passe longe se: quiser conhecer a banda, nesse caso, a discografia dos caras tem coisas muito melhores, tente Juggernaut of Justice ou Metal On Metal...



Monster Magnet - Last Patrol
Monster Magnet – Last Patrol (CD - 2013)

(Not So) Hot Shit, Babe!

Após uma seqüência de grandes discos que tornaram o Monster Magnet provavelmente a banda mais bem sucedida e influente da história do Stoner Rock, o maluquete Dave Wyndorf sofreu uma overdose, e então tudo desandou. 

Seguiram-se os pouco inspirados 4 Way Diablo e Mastermind, que só chamaram a atenção dos fãs mais ardorosos. Dave parecia inclusive ter perdido a centelha que movia a banda e suas histórias de proxenetas interplanetários e drogas cósmicas (seria porque ironicamente sua overdose quase fatal fora de remédios para dormir?).

Seria Dave Wyndorf  = Sr. Madruga + LSD?
Bom, quando poucos esperavam alguma coisa da banda, foi anunciado esse Last Patrol, como uma audaciosa e triunfal volta aos primórdios lisérgicos do MM. Seria verdade ou bravata? Veremos.

Logo de início, na sombria faixa de abertura (I Live Behind) e na espacial faixa título que a segue, duas coisas ficam claras: 1. não, não é um retorno a Superjudge ou Spine of God; 2. Certamente trata-se de material muito melhor que o dos últimos dois discos.

Com uma sonoridade que fica entre God Says No e Monolithic Baby, o disco segue com uma surpreendentemente boa releitura para Three Kingfishers (do Donovan), e com as boas Paradise e Hallelujah e a “MM no piloto automático” Mindless Ones (música de trabalho, que se parece outras 789 músicas da banda). The Duke Of Supernature torna o disco novamente interessante, seguida pelo rockão End Of Time. Stay Tuned encerra a bolachinha como que para nos avisar de que Wyndorf tem planos mirabolantes para os novos capítulos. Que assim seja, pois Last Patrol, embora longe das glórias de outrora, deixa os fãs esperançosos para com o futuro do Monster Magnet!

NOTA: 7,5

Recomendado para: fãs de Stoner e Space Rock em geral.

Passe longe se: o Monster Magnet morreu para você após Superjudge.



Death Angel - The Dream Calls For Blood
Death Angel – The Dream Calls For Blood (CD - 2013)

Absolutamente Destruidor

Um raro caso de segunda chance na história do Metal, o Death Angel, banda promissora de Thrash a surgir na segunda leva da cena da Bay Area, retornou com sangue nos olhos em 2004. De lá para cá produziu três obras que facilmente suplantam em qualidade os três discos de sua encarnação original. E o quarto rebento desse ressurgimento, The Dream Calls For Blood já chama a atenção de primeira, graças à belíssima ilustração de Brent Elliot White que adorna sua capa, facilmente a mais bacana de 2013.

Death Angel - 2013
Mas de nada adiantaria se o conteúdo, produzido pelo guitarrista e principal compositor do D.A., Rob Cavestany e Jason Suecof (Trivium, Firewind, Six Feet under) não fizesse frente à bela arte de capa. Ah e como faz. Left For Dead, Son Of The Morning e Fallen formam uma trinca de derrubar tanque de guerra.

Mark Osegueda está usando sua voz peculiar (que poderia bem servir a uma banda sleaze, por exemplo) como nunca. Rob Cavestany e Ted Aguilar são os culpados por uma chuva de riffs e solos memoráveis e a cozinha de Damien Sisson (baixo) e Will Carroll (bateria) não deixam pedra sobre pedra.

O ritmo cai com a faixa título, somente em velocidade, já que a mesma cheira a clássico. E não para por aí, somos presenteados com uma pedrada após a outra, com destaque para Caster Of Shame e Empty. A edição limitada, além de um DVD com o Making Of do álbum, ainda vem com uma ótima versão para Heaven And Hell, do Black Sabbath.

Em suma, o Death Angel nos entregou o disco de Thrash de 2013!

NOTA: 9

Recomendado para: fãs de thrash,  seja ele old ou new school.

Passe longe se: seu ideal musical tenha algo com Jack Johnson e John Mayer...




Deep Purple - Now What?!
Deep Purple – Now What?! (CD - 2013)

Cuma?

O tempo pode ser cruel com alguns artistas. Mas com outros pode ser ainda pior. Esse é o caso do Deep Purple, que aos poucos se tornou uma caricatura hedionda do outrora seminal grupo do Rock britânico. Com seu último grande disco datando de 1984 (Perfect strangers), a fase atual da banda, com o enfadonho Steve Morse na guitarra, até começou com um brilhareco, sob a figura do corretinho Pupendicular, mas depois desceu uma interminável ladeira. E se você caiu na propaganda enganosa desse novo disco, de que o produtor Bob Ezrin (que produzira o the Wall, do Pink Floyd, dentre outros...) teria conseguido efetuar um milagre, esqueça. A ladeira Purpleniana  realmente  não tem fim...

Não, ainda não descobri se ali é o Gillan ou o Bill Murray...
Sim, acho um absurdo a banda ter mudado seu som para se encaixar no estilo do “novo” guitarrista, mas seria demais colocar toda a culpa por todas as mazelas da banda nas costas de Steve Morse. Na verdade, a saída de Blackmore representa muito mais que a mudança de um guitarrista. Representou a saída do compositor de 90% do material da banda. E disso o Purple nunca se recuperou. Atualmente a banda parece muito mais com um misto de projeto solo de Gillan e/ou Morse. Fato ainda mais acentuado após a saída do saudoso Jon Lord.

E não ajuda em nada o fato de Ian Gillan, outrora a voz mais prodigiosa dos anos 1970 hoje soar ridículo, com seu timbre anasalado que irrita até monge budista.

Bom, o que esse Now What?! Traz de novo, então? Bob Ezrin ajudou em todas as composições do disco, e orientou a banda a compor em forma de Jam. O álbum traz uma produção encorpada, com bastante punch e um clima progressivo que permeia todas as faixas. Um bom começo, desde que as faixas demonstrassem alguma qualidade. Não é o caso. A despeito de boas passagens instrumentais, inclusive com uma referência a ELP (Uncommon Man, homenagem à homenagem do ELP a Aaron Copland), o que temos aqui é um ótimo som tentando esconder músicas envelhecidas e desinteressantes. Curiosamente a melhorzinha da safra vem sob a figura da esquisitona Vincent Price, uma ode bacana aos filmes de horror do passado. Sintomaticamente, horror é quase o que temos aqui. 

NOTA: 5

Recomendado para: não consegui pensar em ninguém para recomendar isso aqui...

Passe longe se: for fã do Deep Purple!




Trivium - Vengeance Falls
Trivium – Vengeance Falls (CD - 2013)

Rumo Ao topo

Surgida como a possível cereja do bolo dentro da cena que vem sido chamada de New Wave Of American Metal, a banda Trivium acabou por ver sua carreira ratear para longe do topo, enquanto o Avenged Sevenfold era catapultado à estratosfera.

Quebrando a parceria de longa data com o produtor Jason Suecof (ver resenha sobre o novo do Death Angel, nesse mesmo post), os garotos assumiram a atitude do “ou vai ou racha”. Só que muitos estranharam quando foi anunciado o novo produtor: David Draiman, mais conhecido pelo posto de vocalista no controverso Disturbed.

Pelas orelhas de Matt Heafy! Esse disco é bom mesmo!
Mas não se desesperem caros amigos, a presença de Draiman não fez que Matt Heafy passasse a imitar orangotangos em suas linhas melódicas. Muito pelo contrário, a presença do diminuto careca fez com que finalmente Matt encontrasse sua voz, não mais pecando pelo excesso de referências a seus ídolos. A maior preocupação com as melodias vocais não tirou o foco das guitarras, que permanecem excelentes. Matt e Corey Beaulieu formam uma dupla de respeito, e não faltam solos e riffs memoráveis no novo disco. E o fato das músicas estarem mais diretas, isso não deveria assustar, já que In Waves já mostrava essa tendência.

Sem sequer uma música ruim, fica difícil apontar os momentos de destaque no novo disco, mas a tríade composta pela faixa título, Strife (a melhor) e No Way To Heal devem se tornar obrigatórias nos shows. O encerramento com a épica Wake (The End Is Nigh) deixa o ouvinte com aquela sensação de que poderia escutar mais uma hora de material desse nível. A apontar de negativo (se é que dá para considerar isso como negativo), apenas uma presença um pouco forte demais de Disturbed em algumas composições (como nos versos da boa To Believe, por exemplo). No mais, um grande salto de qualidade na carreira do Trivium e um dos melhores discos do ano.

NOTA: 9

Recomendado para: fãs de metal tradicional em geral.

Passe longe se: prefere músicas mais intrincadas e/ou extremas.



Whitesnake - Made In Japan
Whitesnake – Made In Japan (Blu Ray - 2013)

Rugas e Farofa em HD!

Após ter passado seu período de maior sucesso sem soltar sequer um disco ao vivo, o Whitesnake resolveu capitalizar na última década, lançando um atrás do outro. Não que isso seja ruim, David Coverdale nunca foi bobo e sempre se cercou da nata do hard/Heavy, fazendo com que uma apresentação da banda seja quase sempre certeza de sucesso.

Quase por um simples motivo, de alguns anos para cá a voz do tiozão anda pagando o preço de décadas de birita e muito cigarro. Como visto esse ano nos últimos shows da banda em território tupiniquim, Coverdale alterna bons shows com outros nos quais parece ter feito gargarejo com giletes.

Pode admitir, ele parece alguma tia sua, vai...
Para nossa sorte, nesse Blu Ray (com edições em DVD e CD duplo), que imortaliza a participação da banda no festival Loud Park de 2011 (realizado na Saitama Super Arena, Tóquio),  a voz de Coverdale está no melhor estado que sua idade permite atualmente. Somos agraciados com um set curto (cerca de 80 minutos), mas matador, contando com alguns clássicos misturados a faixas do ótimo Forevermore e do bom Good To Be Bad. Doug Aldrich e Reb Beach arregaçam as guitarras, como sempre. Brian Tichy é um tremendo baterista e dá até para não passar o solo do rapaz. Michael Devin pode não ser tão famoso quantos eus colegas, mas segura as pontas com louvor. E Coverdale, esse é um dos maiores frontmen da história, esbanjando vigor e simpatia, além de possuir uma das mais belas vozes do rock. Tudo isso coroando uma imagem cristalina (podemos ver as rugas de tio Cobrabranca com perfeição), e um som que em nada deve a essa imagem.

A reclamar, somente a escassez de extras de verdade. Se considerarmos que o show é bem curto e Blu Ray ainda custa um bocado para os incautos cucarachas, temos a relação custo/benefício um bocado prejudicada. Ainda assim, trata-se de um grande registro de uma grande banda.

NOTA: 8

Recomendado para: amantes de boas vozes e grandes guitarras...

Passe longe se: tem alergia ao verbete “Love”


quarta-feira, 25 de setembro de 2013

Clutch – Earth Rocker (CD - 2013)

Clutch - Earth Rocker

Clutch – Earth Rocker (CD - 2013)
Por Trevas

Prólogo - As Sete Faces do Dr. Clutch

Grunge? Hard Rock? Post-Hardcore? Stoner? Metal Alternativo? Blues Rock? Heavy Rock?

Parece que desde a criação da banda, nos começando-a-ficar-distantes anos 1990, todo e qualquer ser vivo que esbarrou com a música do Clutch perdeu um pouco que seja de seu valioso tempo discutindo que rótulo melhor representa o som dos malucos de Maryland.

Quer dizer, quase todo e qualquer ser vivo, a própria banda sempre defecou solenemente para rótulos...

Inicialmente uma banda barulhenta e pouco afeita a sutilezas, como fica claro a uma mínima audição de seu primeiro hit, A Shogun Named Marcus, faixa de abertura de seu não muito promissor primeiro disco (e que chegou a ouvidos mais amplos via inserção em um episódio de Beavis And Butthead), o Clutch evoluiu um bocado, aos poucos aflorando o interesse de seus membros por Doom Metal, Stoner, Blues Rock, rock dos anos 1950 e R&B...

Tudo misturado de uma maneira única, moldando a personalidade idiossincrática e prá lá de cultuada da banda. E por "a banda", desde 1992, leia-se: Tim Sult (guitarras), Neil Fallon (voz e guitarras), Dan Maines (baixo) e Jean-Paul Gaster (bateria), unidade apenas quebrada pela inserção de um tecladista entre 2004-2007.

Clutch - 2013
E se Beavis & Butthead deram o pontapé inicial no status de banda Cult que o Clutch angariaria, foi outro ícone do besteirol o responsável por catapultar de vez a música dos caras. A banda já tinha uma carreira razoavelmente estabilizada na cena underground estadunidense quando Bam Margera, o boçal por trás do Jack Ass e Viva La Bam, adotou a fantástica The Mob Goes Wild, do igualmente fantástico disco Blast Tyrant. Bam divulgou a música, tendo dirigindo inclusive um videoclipe com seus colegas de TV para o rockão (ver resultado abaixo). Para a Classic Rock Magazine, The Mob Goes Wild seria o primeiro dos hinos do rock no recém inaugurado século 21.



Dali para frente o Clutch gravaria outros grandes discos, como Robot Hive/Exodus (mantendo a fúria meio Stoner de Blast Tyrant) e From Beale Street to Oblivion e Strange Cousins From The West (nesses últimos tendo mergulhado mais fundo no Blues Rock envenenado).



Mas foi durante uma turnê com os ídolos Thin Lizzy e Motorhead, nos idos de 2010 que uma luz acendeu na mente dos membros do Clutch: O Cenário Rocker atual carecia de discos como os dessas duas bandas, obras diretas e curtas de puro escapismo e diversão. E foi com a meta de reproduzir os resultados (e não o som) de bandas como as duas citadas que a banda então adentrou o estúdio para compor seu décimo trabalho.


Earth Rocker - 11 odes ao mais puro Rock And Roll

Com a faixa de capitão do time distribuída ao mesmo produtor do agora clássico Blast Tyrant, um tal Machine, e contendo uma bela arte gráfica que muito lembrou o conceito de Audio Visions do Kansas, Earth Rocker cospe grosso desde seu primeiro minuto.

A faixa título é a demonstração cabal da habilidade de Neil Fallon com letras, ao melhor estilo Lemmy Kilmister. A história sobre a mesma fora contada em entrevista à Metal Hammer:

Neil disse que ao passar dos anos uma das coisas que mais teve que escutar foi:

“Qual Sua Profissão?”

Ao responder ser um músico profissional, sempre se deparou com olhares que por vezes mesclavam reprovação contida, outras vezes pura pena. Cansado desse tipo de reação, ao ser perguntado sobre sua profissão passou a responder: “I’m A Full Time Jammer”

O nome do disco seria esse a princípio, mas Neil corretamente achou o termo meio pedante para alguém que queria trazer de volta a essência do rock mais simples. Transformou a expressão em Earth Rocker. E nessa faixa faz então uma mistura de ode ao estilo de vida rocker e também uma piada com os músicos que se esquecem do quão abençoada a vida na estrada é. Uma pedrada perfeita com uma letra irônica e divertida.

Neil Fallon: Barba maneira, voz idem.

A pancadaria rock and roll prossegue com Crucial Velocity, cujo refrão faz referência à Rocket 88, faixa que ficara famosa com Ike Turner nos anos 1950 e que para muitos é considerada o primeiro rock da história. Mr. Freedom é outro bom exemplo do som do Sr. Capiroto, um rockão rápido com um riff tão simples quanto brilhante, cortesia do sempre inspirado  Tim Sult.


Quem até aqui teve a impressão de que o novo Clutch trouxe uma pegada bem mais acelerada ao som da banda vai passar então a ter certeza quando DC Sound Attack!, com seu groove incendiário marcado por uma cozinha poderosa e um inesperado riff de gaita, espancar os alto falantes. Unto The Breach só parece uma faixa mundana por estar espremida entre tantos postulantes a clássicos, pois também tem muita qualidade.

Gone Cold é um ótimo blues semi-acústico muito influenciado pela experiência da banda nas releituras acústicas do EP Baskett Of Eggs. Um ótimo portfólio para a voz de Neil Fallon, uma evolução que poucos apostariam ao escutar seu primeiro registro com o Clutch.


The Face mantém a quebra de ritmo, mas reascende o peso, com sua pegada algo Doom pontuada por um excelente refrão e ótima linha de baixo. O ritmo acelera de novo com as boas Book, Saddle, And Go e Cyborg Bette. Oh, Isabella é uma das melhores faixas já escritas pelo Clutch, com passagens de guitarras alucinantes e uma atmosfera épica que torna a faixa de encerramento ( a legal The Wolfman Kindly Requests...) até pálida em comparação.



Saldo Final

Earth Rocker atingiu o 15º posto nas paradas da Billboard e o primeiro lugar no ITunes na categoria Rock (e quarto lugar no total). Nada mal para um disco de “Vintage Rock”, feito por uma banda sem muito apoio da grande mídia e com figuras nada afeitas ao esteriótipo de rockstar. Um feito e tanto, não?

Pois é. A explicação para isso é simples assim: Earth Rocker é um discaço!

Não perca tempo, se você nunca ouviu falar da banda e ficou curioso, Earth Rocker é um ótimo ponto para adentrar o mundo do Clutch.

O Vício é quase garantido!  

NOTA: 9

Ficha Técnica
Banda (Nacionalidade): Clutch (EUA)
Título (ano de lançamento): Earth Rocker (2013)

Mídia: CD
Gravadora: Weathermaker Music (Importado)
Faixas: 11
Duração: 44’

Rotule como: Heavy Rock, Stoner Rock, Qulaquercoisa-Rock, caceta!

Indicado para: fãs de rock sem concessões 

Passe longe se: seu ideal de paraíso envolver John Mayer, Beyonce, Justin Timberlake e ursinhos carinhosos 

segunda-feira, 2 de setembro de 2013

Curtas: Volbeat, Audrey Horne, The Winery Dogs & Judas Priest



Curtas: Volbeat, Audrey Horne, The Winery Dogs & Judas Priest
Por Trevas

Volbeat - Outlaw Gentlemen & Shady Ladies


Volbeat - Outlaw Gentlemen & Shady Ladies (CD - 2013)

Evocando o Rei Elvis com a benção do Rei Diamante

Banda dinamarquesa de ascensão meteórica na cena européia, o Volbeat faz uma mistura de Punk Rock, Rockabilly, Heavy Metal e country, tendo conquistado uma horda de admiradores dentre os colegas músicos. Apadrinhados por James Hetfield (que se refere à banda como sendo uma espécie de “Elvis Metal”) e agora contando com Rob Caggiano (ex-Anthrax) na guitarra solo, sempre sob a batuta de Michael Poulsen (guitarra e voz), os dinamarqueses prepararam com cuidado seu quinto rebento, o sucessor do multiplatinado Beyond Hell/Above Heaven.

Volbeat 2013

Tendo encontrado seu som logo em seu debut, o Volbeat não muda muito a fórmula no novo disco, excelentemente produzido por Caggiano. Após a abertura tipicamente western, temos duas boas canções radiofônicas, Pearl Hart e Nameless One. A ótima Dead But Rising puxa a mistura um pouquinho mais para o lado metálico da coisa e o primeiro single, Cape Of Our Hero, pode não ser a melhor faixa do disco, mas exala “hit” por todos os poros. E se o estilo de Poulsen em muito se inspira no Rei Elvis, temos a participação de outro “Rei” em Room 24: King Diamond. O mestre do falsete, o produto tipo exportação mais conhecido do metal dinamarquês (ah, ta, tem o mala do Lars...), faz dessa música (que em muito lembra os melhores momentos do Mercyful Fate) um dos destaques absolutos do disco. Os demais destaques ficam para as pesadas The Hangman’s Body Count, Black Bart e Doc Hollyday, assim como para a participação de Sarah Blackwood em Lonesome Rider. Com sua temática calcada nos vilões míticos da história Norte Americana, Outlaw Gentlemen & Shady Ladies é um disco divertido e que deverá agradar até mesmo àqueles não familiarizados com estilos mais pesados dentro do rock.

NOTA: 8

Recomendado para: fãs de rockabilly, punk rock, metal e de rock em geral...
Passe longe se: não curtir muito misturas de estilos.


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Audrey Horne - Youngblood
Audrey Horne - Youngblood (CD - 2013)

Uma pérola da saturada cena Retro-rock

Inicialmente talhado como um projeto paralelo de membros da cena extrema da Noruega (contando com gente de bandas como Enslaved, Gorgoroth, Coldseed e Sahg) com o intuito de homenagear as bandas clássicas do rock pesado, o Audrey Horne, exatamente por se tratar de um projeto, passou por mudanças de formações constantes desde sua criação. Essas mudanças ocasionaram também um contínuo desenvolvimento da sonoridade da banda, que sorrateiramente migrou para a cada vez mais saturada cena retro-rocker/stoner que virou a modinha musical do momento, em especial na Escandinávia.

Audrey Horne, em Twin Peaks era mais bonita 
Mas basta a audição de poucos segundos de Redemption Blues (ver vídeo) para nos certificarmos estar diante de um produto que se destaca dentro da cena. Doses cavalares de Thin Lizzy, UFO, Kiss e Foghat permeiam cada uma das dez excelentes canções de Youngblood (treze na edição digipack). A trinca inicial, com a já citada Redemption Blues, Straight Into your Grave e a faixa título sozinhas já valeriam o disco, mas nenhuma das outras faixas fica muito atrás, não. As guitarras harmonizadas, o baixo pulsante e bem destacado, a bateria solta e, sobretudo os ótimos refrãos tornam Youngblood um dos melhores discos de 1978 lançados em 2013.

NOTA: 9

Recomendado para: fãs de Thin Lizzy, Foghat e “classic rock” em geral
Passe longe se: estiver muito saturado de Retro Rock e Stoner...


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The Winery Dogs
The Winery Dogs (CD - 2013)

Supergrupo nada recomendado para diabéticos

Nos últimos anos muito se ouviu falar sobre uma nova encarnação do Blue Murder, contando com John Sykes (Whitesnake, Blue Murder, Tygers Of Pan Tang, Thin Lizzy) na guitarra e voz, aliado aos novos membros Mike Portnoy (ex-Dream Theater e 789 projetos) e Billy Sheehan (Talas, Mr. Big, Dave Lee Roth) no lugar dos originais Carmine Appice e Tony Franklin. Bom, esse Winery Dogs é o supergrupo nascido do fracasso em reavivar o combo oitentista. Alegando falta de comprometimento de Sykes, Sheehan e Portnoy recrutaram o talentoso Richie Kotzen (Poison, Mr. Big) para o posto de vocalista/guitarrista do Power trio.

Sheehan, Portnoy & Kotzen - virtuoses açucarados
O disco resultante dessa união deve ser o detentor do recorde de convenções por minuto, como se precisássemos a todo o tempo ser lembrados da evidente proficiência do trio em seus respectivos instrumentos. Mas o mais curioso é que a bolachinha, apesar das demonstrações explícitas de virtuosismo, é guiada por canções e pela bela voz de Kotzen (que remete um pouco ao Chris Cornell, mas bem poderia nos deixar longe dos maneirismos à lá Prince), lembrando em muito o material solo do talentoso rapaz. Como acontece na maior parte do trabalho do guitarrista, temos aqui um Hard Pop polido e repleto de influências de Soul e Funk, tudo muito certinho e um tanto quanto açucarado demais. Elevate e a balada I’m No Angel puxam o resto do disco a reboque, numa audição que se torna mais cansativa a cada minuto. Se o Winery Dogs seguir o tradicional caminho de dissolução meteórica, o que acomete 99% dos supergrupos, a tomar por esse debut não teremos grandes motivos para chorar a perda.

NOTA: 6

Recomendado para: fãs de punhetagem explícita e da açucarada carreira solo de Kotzen.
Passe longe se: for diabético.


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Epitaph - Cartaz de Cinema
Judas Priest - Epitaph (Blu Ray - 2013)

Despedida de Gala em Alta Definição

Gravado no último show da Epitaph World Tour, esse é o primeiro registro em alta definição para um show de uma das mais influentes bandas de Heavy Metal da história. Aos desavisados, a Epitaph Wolrd Tour marcou a despedida do Judas Priest das turnês mundiais, tendo sido anunciado que a partir de agora a banda tocará eventualmente em festivais, sempre em território europeu. E para comemorar essa despedida, o Priest preparou uma produção de palco caprichada, coroando a escolha de um repertório que passa por cada um dos lançamentos da banda sob o comando de Rob Halford. Cada um dos quatorze discos que contaram com o Metal God nos vocais possuem ao menos um representante aqui.


Quem teve o prazer de assistir a banda nessa turnê aqui no Brasil já sabe o que esperar, 22 hinos do metal perfeitamente interpretados em mais de duas horas, com iluminação de primeira, efeitos visuais bacanas e alguma pirotecnia. Halford está em sua melhor forma vocal desde seu retorno à banda, e a despeito dos problemas de coluna que em muito limitam sua movimentação (e que atualmente deixaram o careca em uma cadeira de rodas por algum tempo), o sexagenário tem aqui uma performance de fazer inveja a 99% dos aspirantes a vocalistas com metade de sua idade ao redor do mundo. Com Dio em outro plano astral, Rob passa a ser o maior vocalista de Heavy Metal em atividade. O restante da banda faz seu trabalho com esmero, e a adição do britânico (e bem mais jovem) Richie Faulkner (da banda de Lauren Harris, filha do Sr. Iron Maiden) no lugar do demissionário KK Downing acabou por se tornar uma grata surpresa, trazendo um bocado de vitalidade e virtuosismo ao show do Priest.
De negativo, há de se destacar a ausência de extras e o uso desnecessário de um ou outro efeito de edição. De resto, um show excelente, com qualidade de imagem e som perfeitos. Cabe ressaltar que aqui no Brasil esse show só está disponível em DVD.

NOTA: 9,5

Recomendado para: qualquer fã de metal que se preze...
Passe longe se: seu negócio for John Mayer...