domingo, 28 de março de 2021

Human Fortress – Epic Tales & Untold Stories (2CD-2021)


 

Épico em Dose Dupla

Por Trevas

Comemorando 20 anos de lançamento de seu primeiro Full Length, o combo teutônico de Power Metal Human Fortress preparou um pacote especialíssimo para os fãs: um disco duplo contendo passado e presente. O primeiro, ou Untold Stories, passa pouco a marca dos 30 minutos, e traz um compilado de material inédito, majoritariamente gravado durante as sessões de Reign Of Gold, de 2019. O segundo disco, seria o Epic Tales, um Best Of de toda a carreira do sexteto, que desde 2013 conta com os préstimos do brazuca Gus Monsanto (Astra, Revolution Renaissance, Adagio, Takara...) nos vocais.


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Untold Stories

As faixas foram produzidas pelo lendário Tommy Newton (que já trabalhou em clássicos do Helloween e Conception, só para ficar em dois exemplos), que também toca baixo em Disappear In Dark Shadows. E o disco abre majestosamente, com a misteriosa e épica The Grimoire: fácil, fácil uma das músicas mais legais desse ano, que ainda conta com Michael Bormann no violão e backing vocal. 


Disappear In Dark Shadows e Vain Endeavour quebram o clima soturno da abertura, trazendo aquele Power Metal clássico e grudento que caracterizou o som dos alemães. Free é uma balada orquestrada, que bota a privilegiada de voz de Gus na marca do pênalti. Gol certo, é claro. Fernweh faz o mistério retornar ao som, e We Are Legion é daquelas de incendiar qualquer show. Cruel Fantasy e a folk Pray For Salvation, encerram o primeiro disco, 33 minutos que mostram que a banda vive seu melhor momento.

Epic Tales

No segundo disco temos 15 petardos tirados de 5 dos 6 discos de estúdio da carreira do Human Fortress. Apenas o polêmico Eternal Empire ficou de fora, até por apostar em uma sonoridade bem diversa, o que ocasionou um hiato nas atividades dos caras à época. O material é apresentado em ordem cronológica, o que permite observar a evolução da sonoridade do Human Fortress. Destaque para Gladiator of Rome e para o material de Reign Of Gold, último trabalho da banda, com Gus na voz. Uma compilação matadora, que apenas peca pela falta de informações técnicas sobre as faixas e respectivos discos de origem, a despeito do encarte do belo pacote (um digipack duplo) ser caprichado e trazer fotos de todas as eras.


Ao final das 23 faixas contidas em Epic tales & Untold Stories, fica fácil chegar à conclusão de que os alemães mereciam mais reconhecimento por essas paragens. Um material perfeito para quem quer conhecer a carreira dos caras, e uma promessa de que ainda há muita coisa boa por vir. (NOTA: 9,00)

Gravadora: Massacre Records (importado)

Prós: passado e presente em harmonia

Contras: faltou liner notes com a história da banda para ficar perfeito

Classifique como: Power Metal

Para Fãs de: Helloween, Heavens Gate


terça-feira, 2 de fevereiro de 2021

Vader – Solitude In Madness (CD-2020)


Grosseria Polaca

Por Trevas

Um dos baluartes do Death Metal em sua forma mais simples, a banda polonesa Vader chega ao seu 12º trabalho de inéditas contando com uma formação estabilizada e fixa desde 2011. O disco contou com produção de Scott Atkins, o mesmo responsável por Scriptures, do Benediction, e foi lançado em solo Brazuca pela Shinigami Records.

Piotr sonhando acordado com um gorduroso X Bacon

E o que temos aqui é mais uma demonstração da mais pura grosseria polonesa, cortesia de Piotr Wiwczarek (voz e guitarras) e sua trupe. Shock And Awe faz justiça ao nome e a faixa de trabalho Into Oblivion nos lembra que os caras tem as manhas de colocar elementos grudentos em meio à porradaria. Os 78 segundos de Despair e a quase épica (mais de 3 minutos!) Incineration Of The Gods esfregam em nossos combalidos tímpanos o absurdo que é a performance do moedor de carnes que atende pelo nome de James Stewart. O cara deve perder uns 7 kg por show tocando bateria desse jeito!


O disco não deixa tempo para respirar e muito menos pensar, mas se assim o fizesse, talvez desse para processar a informação de que não há nenhuma novidade por aqui. Até mesmo na escolha do divertido cover para os patrícios do
Acid Drinkers, Dancing in The Slaughterhouse, o Vader não faz questão de se aventurar muito fora de sua zona de conforto. Mas quando sua zona de conforto rescende a enxofre e garante meia hora de devastação sonora como a que ouvimos aqui, quem se importa? Mais um disco matador! (NOTA: 8,57)

Visite o The Metal Club

Gravadora: Shinigami Records (nacional)

Prós: violento e muito bem produzido

Contras: definitivamente não indicado a ouvidos de pelúcia

Classifique como: Death Metal

Para Fãs de: Morbid Angel, Behemoth


 

Heathen – Empire Of The Blind (CD-2020)


 

Recuperando o Tempo Perdido

Por Trevas

Os veteranos da Bay Area tem uma história que remonta aos idos de 1984. Curioso constatar então que Empire Of The Blind é apenas seu quarto disco de estúdio, o primeiro em 11 anos. Com uma formação que traz David White (vocalista) e o fundador Lee Altus (guitarras) ao lado de Kragen Lum (guitarras, ex-Exodus), Jason Mirza (baixo, Psychosis) e Jim DeMaria (bateria, Whiplash), o grupo partiu para o Planet Z Studios, para gravar seu novo trabalho ao lado do renomado produtor Zeuss (Queensrÿche, Rob Zombie, Soulfly).

Veteranos Pagãos

O disco começa com a curta e climática instrumental The Rotting Sphere, que prepara o terreno para a excelente The Blight. A faixa título prossegue com o massacre sonoro, um Thrash melodioso e mais técnico que em muito lembra o caminho trilhado pelo Megadeth, com similaridades com Exodus e Testament nos momentos mais pesados.


Dead And Gone é mais cadenciada, mas ainda excelente, e o impressionante assalto sonoro termina com Sun In My Hand, forte candidata a melhor faixa do disco. 


A partir desse momento a qualidade cai um pouco. Longe de dizer que coisas como Blood To Be Let e Devour sejam ruins, apenas não tem nada de especial. Há ainda a redenção com a instrumental A Fine Red Mist e com a espetacular The Gods Divide, corando um baita disco de Thrash, mas que poderia ser ainda melhor se mantivesse o poderio de sua primeira metade. (NOTA: 8,57)

Visite o The Metal Club

Gravadora: Shinigami Records (nacional)

Prós: Thrash melodioso e bem trabalhado

Contras: perde força lá pela metade do disco

Classifique como: Thrash Metal

Para Fãs de: Megadeth, Testament