quinta-feira, 17 de janeiro de 2019

Fifth Angel – The Third Secret (Cd-2018)

Fifth Angel - The Third Secret

Fúria Angelical
Por Trevas

O Fifth Angel apareceu em meados dos anos 1980 fazendo um ótimo Hard /Heavy, conseguiu dois bons contratos com gravadoras grandes, lançou dois ótimos discos e sumiu do mapa para reaparecer apenas em 2011, fazer alguns shows e então retornar ao exílio. Confesso que nunca dei bola para a banda até um amigo me mostrar a faixa de abertura desse disco de retorno, que traz três dos membros que gravaram o segundo (e então derradeiro) trabalho, no longínquo ano de 1989. Logo me peguei pensando, se o disco inteiro seguir essa toada, o negócio vai ser bom demais!  Consegui enfim uma cópia desse The Third Secret e lá fui eu colocar para rodar...

Calma, o som é bem melhor que a foto...
Stars Are Falling é a trauletada certeira que todo fã de metal tradicional sonha em ouvir abrindo um disco. Com seu andamento à lá The Trooper, guitarras inspiradas e vocais poderosos, faz as vezes de cartão de visitas perfeito para o retorno da banda. Aliás, impressionante ouvir o resultado alcançado pelo guitarrista Kendall Bechtel em sua performance vocal aqui. Na foderosa We Will Rise o cara parece um híbrido de Hietala com Dio e Meniketti! E seus companheiros de banda não ficam para trás, com grandes atuações emolduradas pela ótima sonoridade - culpa do baterista Ken Mary, que não se contentou em tirar um grande som de seu kit e assumiu com destaque a produção.



Obviamente uma ótima produção não garante por si só um disco à altura, mas para isso temos uma porção de canções excelentes ao longo da bolachinha: Queen Of Thieves (com algo de Messiah Marcolin nos versos) é pesadona e matadora, Dust To Dust parece saída dos melhores dias do Tarot, a power ballad e single Can You Hear Me é inspiradíssima e grudenta e This Is War faz jus ao título.



O nível estratosférico cai um pouco na reta final: nada em absoluto que desabone o trabalho, mas as boas Fatima, The Third Secret e Shame On You bem poderiam bem ter sido distribuídas ao longo do disco para não causar essa sensação de um pequeno anticlímax. Ainda bem que Hearts Of Stone aparece radiante, no último minuto da prorrogação, como que para nos lembrar da grandiosidade da primeira metade da bolachinha.




Veredito da Cripta

Os estadunidenses acertaram em cheio nesse disco de retorno, atualizando seu Hard & Heavy tipicamente oitentista para a era atual, com uma produção moderna e com punch suficiente para derrubar um mamute. Sinceramente, não me lembro de um comeback tão impactante desde o já clássico Blood Of The Nations do Accept.


NOTA: 9,31

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Gravadora: Nuclear Blast (importado)
Prós: ótimas músicas, ótima produção
Contras: um disco quase perfeito, sem contraindicações
Classifique como: Heavy Metal
Para Fãs de: Tarot, Iron Maiden, Dio



domingo, 13 de janeiro de 2019

Primordial – Exile Amongst The Ruins (Deluxe Edition – 2018)


Primordial - Exile Amongst The Ruins
Exilados Na Escuridão

O período que antecedeu a gestação do nono trabalho de estúdio dos titãs irlandeses do Black/Folk Metal viu um quinteto desalentado. Uma verdadeira encruzilhada criativa, diante da qual os experientes músicos questionaram veementemente a relevância do Primordial nos dias de hoje. Relutantes em prosseguir, mas teimosos demais para decretar o fim das atividades, o quinteto seguiu pela primeira vez em sua longa carreira para o estúdio sem nem uma linha escrita. Em seu site oficial, a banda passou a definir seu som apenas como heavy metal, o que evidencia o espírito e necessidade de libertação que os envolveu. Se nada das sessões de gravação agradasse a todos os envolvidos, o fim estaria decretado. Como Exile ganhou a luz do dia, sabemos que a história teve um final feliz. 

Rob Half...ehr, Primordial, 2018

Digibook

A edição Deluxe, aqui analisada, consiste em um belíssimo Digibook com encarte em papel especial que valoriza em muito a bela arte gráfica de Costin Chioreanu. Em miolos situados nas contracapas, temos os dois discos. O primeiro, o trabalho em si, com oito músicas. No segundo disco, 6 músicas entre versões instrumentais, ensaios e duas inéditas. Um caprichado pacote que agradará em cheio aos fãs de carteirinha. Quem é marinheiro de primeira viagem, melhor se ater mesmo à edição padrão.
Digibook do Exile

O Exílio

Nail Their Tongues, a apocalíptica faixa de abertura já mostra um bocado do que encontraremos ao longo da bolachinha: um Heavy Metal difícil de ser rotulado, mas sempre épico, intenso e pesado. Praticamente nenhum sinal de Folk pode ser entreouvido, e os resquícios de Black Metal se fazem presentes em uma ou outra voz rasgada e na bateria em sua reta final.



To Hell Or The Hangman segue explicitando ainda mais a liberdade que a banda almejou no novo trabalho. Ao ouvinte desavisado, o sinistro conto de traição e assassinato bem poderia ser confundido com um novo (e inspiradíssimo) single do misterioso combo gótico britânico Fields Of The Nephilim. Sim, o vocalista Allan AverillNemtheanga” soa aqui como um improvável filho bastardo do Carl McCoy com o Martin Walkyier (Skyclad). Uma das melhores faixas de um inspirado 2018.



Where Lies The Gods traz consigo os elementos folk, mas com um ar oriental, e sua letra inicia um tema frequente no disco, o das civilizações e feitos apagados e soterrados pelas areias do tempo. O tema é explorado ainda mais vividamente na faixa título, carregada de emoção. Ambas apoteóticas.




Nemtheanga e suas linhas melódicas fortes, voz carregada de emoção e ótimas letras pode até reinar absoluto ao longo do disco, mas a banda está longe, muito longe de ser formada por um amontoado de pernas-de pau. Os guitarristas Ciáran MacUiliam e Micheál Ó Floinn jogam para o time, num peso minimalista repleto de nuances e dinâmica. E a cozinha, essa é excelente, com as linhas inventivas de baixo de Pól MacAmhlaigh e a bateria variada e tribal de Simon Ó Laoghaire roubando a cena nas passagens instrumentais. A longa e matadora Upon Our Spiritual Deathbed, que migra de um som marcial para algo mais próximo ao heavy metal mais tradicional é um belo exemplo da versatilidade do quinteto, emoldurada pela produção sombria e acertadamente árida de Ola Ersfjord (Tribulation).




Stolen Years, a melancólica e calma faixa de trabalho, assustou alguns dos fãs da fase mais crua da banda, mas é bela e hipnótica e merece o posto de single do disco, ainda que sua aura, com algo de Katatonia, pouco represente o restante do material.




O disco se encerra com dois pesadíssimos épicos: Sunken Lungs com sua intrincada cozinha e novamente com aquele espírito de Fields Of The Nephilim sobressaindo; já Last Call é tão sombria e claustrofóbica que não ficaria nem um pouco deslocada em um disco do My Dying Bride.




Veredito da Cripta

A crise de meia idade fez um imenso bem aos Irlandeses. Diante da necessidade de se reinventar, o Primordial conseguiu criar uma obra densa e difícil de ser rotulada. Um trabalho daqueles que acabam por proporcionar uma atmosfera absolutamente imersiva, um louvável e incomum resultado. Um dos melhores discos de 2018 e forte concorrente a disco de cabeceira deste escriba aqui.


NOTA: 10


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Gravadora: Metal Blade Records (importado)
Prós: atmosfera densa, sombria e imersiva
Contras: pode parecer monótono aos mais imediatistas
Classifique como: Doom Metal, Black Metal
Para Fãs de: My Dying Bride, Enslaved, Fields Of The Nephilim


terça-feira, 1 de janeiro de 2019

Metal Church – Damned If You Do (Cd-2018)

Metal Church - Damned If You Do (Cd-2018)

Bem-Vindo à Missa!
Por Trevas

Desde que lançou um dos melhores discos de estreia da história do rock pesado, o Metal Church viveu uma carreira algo errática, nunca chegando ao primeiro escalão do estilo entre diversas idas e vindas, mas deixando pelo caminho algumas pérolas, como Blessing In Disguise, The Dark e seu surpreendente último trabalho, XI. Contando com o retorno de Mike Howe ao microfone, XI conseguiu recuperar de maneira inesperada um pouco do respeito perdido ao longo da apenas competente fase com Ronny Munroe como frontman. Claro que a receptividade trouxe a tiracolo uma maior expectativa cercando o lançamento desse Damned If You Do, que recebeu uma edição nacional pelas mãos da Shinigami Records.

Kurdt e sua congregação
Duas coisas são prontamente perceptíveis logo nos primeiros dos dez números do novo disco: a primeira é que a banda definitivamente recuperou uma centelha há muito perdida, que o diga a já postulante à clássica faixa título, seguida das poderosas The Black Things e By The Numbers. A segunda, é que a produção fica bem aquém do que se esperaria de uma banda tão experiente. Som embolado e sem definição, culpa justamente do patrão, Kurdt Vanderhoof, que assina a parte técnica.



Para nossa sorte Kurdt é muito mais competente na arte de produzir ótimos riffs e solos, e tem a boa companhia de Rick Van Zandt no ofício. O estreante Stet Howland (veteraníssimo e com mais participações em bandas do que eu poderia lembrar) tem o poderio de sua bateria minado pela produção, que afunda também o baixo de Steve Unger. Já Mike Howe, esse brilha com sua potente voz, que nos momentos mais esganiçados lembra até Bobby Blitz do Overkill, em refrães e linhas melódicas caprichadas.



Tudo bem que o disco cai um pouco após o estonteante início, mas talvez com a exceção da chata e fora de contexto Monkey Finger, não há nada que te faça querer usar o botão de skip.

Veredito da Cripta

Como é bom ouvir uma banda tão querida pelos bangers de volta à boa forma. Damned If You Do, tal como XI, é um trabalho que facilmente figura entre os destaques da discografia do quinteto. Pode voltar à frequentar a missa sem medo, caro fiel!


NOTA: 8,70


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Gravadora: Shinigami Records (nacional)
Prós: ótimas composições e Mike Howe detonando
Contras: A produção amadora compromete um pouco
Classifique como: Heavy Metal
Para Fãs de: Accept, Annihilator