quinta-feira, 23 de novembro de 2017

Kadavar – Rough Times (Cd-2017)

Kadavar - Rough Times

Power Trio Alemão Na Pressão
Por Trevas

A história da música popular conta com uma miríade de depoimentos de artistas que colocam a culpa do insucesso ou da baixa qualidade de alguns de seus trabalhos na conta da pressão sofrida por gravadoras e/ou empresários, que ávidos por aproveitar uma janela de oportunidades, apressam seus pupilos a soltar uma música ou até mesmo um disco em tempo recorde. Ok, se tem algo na atual nova ordem do mercado musical que mudou foi a quase inexistência desse cenário. Afinal, discos já não vendem nada, mesmo. Mas eis que vem um Power Trio de Retro Rock alemão, com absoluto controle criativo que resultou em três incensados discos, e que resolve emular essa atmosfera de pressão para apostar em um resultado mais espontâneo e mais distante de sua zona de conforto. Loucura? Parece, mas é o caminho que o Kadavar escolheu para seu quarto disco, sintomaticamente nomeado Rough Times.

Kadavar em technicolor
Composto e gravado do zero no recém-inaugurado estúdio próprio da banda, tendo que obedecer um cronograma apertado, Rough Times foi concebido em meio ao caos para se tornar um contraponto ao relativamente acessível e muito bem-sucedido Berlin. A crueza da faixa título, com seu tema viciante guiado por uma cozinha boçal (culpa do baterista Tiger Baltelt e do baixista Simon Bouteloup) nos soca no meio do estômago sem nem percebermos. Em seguida temos a absurdamente excelente Into the Wormhole (vídeo), tão grudenta quanto suja e lisérgica.


Skeleton Blues é Black Sabbath do Vol 4 mergulhado em um tonel de ácido, enquanto Die Baby Die (ver vídeo) se faz um híbrido horrendo e eficaz entre Prog Rock e Stoner Rock. A bateria marcada e calma do início de Vampires nos pega de surpresa, a música dando uma retorcida violenta em seu ótimo refrão e que acaba por nos arremessar diretamente em um vendaval psicotrópico chamado Tribulation Nation. Tribulation foi composta em casa pelo tresloucado guitarrista/vocalista Lupus, que queria deliberadamente criar um Space Rock com elementos de Gong e com sintetizadores à lá Hawkwind. Conseguiu, e o bicho é bom demais.



Words of Evil é diretona e bem Proto Metal, e talvez por isso mesmo seja a primeira coisa abaixo do nível absurdo do material até agora mostrado. A reta final do trabalho é intencionalmente mais calma e experimental, guiada pela bela e viajandona The Lost Child e pelas chatinhas You Found The Best In Me (que lembra algo do Led) e A L’Ombre Du Temps. A edição nacional ainda conta com uma suja e bacana versão para Helter Skelter, vocês sabem de quem, claro.



Veredito da Cripta

E não é que a pressão funcionou? O Kadavar criou em Rough Times seu trabalho mais forte até o momento, ainda que sua reta final soe um pouco anticlimática. Uma pista de que os alemães talvez ainda tenham sua obra prima escondida em algum lugar daquelas cacholas desmioladas.



NOTA: 8,69


Gravadora: Shinigami Records (nacional).
Pontos positivos: a primeira metade é absurda
Pontos negativos: as duas últimas músicas quebram e muito o clima
Para fãs de: Graveyard, Vintage Caravan, Radio Moscow
Classifique como: Retro Rock, Stoner Rock




2 comentários:

  1. Ah, mizifio, de desmioladas aquelas cacholas não têm nada!!!
    De certa forma acho irônico q estejam se tornando o maior nome dessa onda retrô, já q a maioria dos representantes do "movimento" sejam suecos, ingleses ou americanos e o Kadavar é, praticamente, o único grupo alemão mais relevante; digo isso pq muito de toda essa sonoridade retrô vem, principalmente, das zilhares de bandas alemãs dos anos 70 q se dedicavam a um rock mais pesado, progressivo, psicodélico e experimental - o gigantesco e variado saco de gatos chamado "krautrock".
    Mesmo outras bandas e artistas não alemães q influenciaram toda essa onda retrô, naquela época, encontravam no público alemão não só grande aceitação como, tb, inspiração - e pra isso dou o exemplo clássico do Nektar, q era uma banda composta por ingleses, mas q foi formada e baseada (sem trocadilhos...) na Alemanha.
    Vida longa ao Kadavar, q continue nos presenteando com ótimos álbuns e nos surpreendo com sua extrema qualidade e criatividade.
    Abração!!!
    ML

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  2. Fala, Marcello!
    Pois é, na verdade minha resenha inicial fazia um paralelo com o histórico do Krautrock. mas confesso que estou longe de compreender o que foi o movimento mais a fundo, fiquei com medo de estar escrevendo merda, e mudei, hehehehehe
    Só lembro do Zodiac vindo de lá tentando um som Retrô, e isso é curioso.
    Abração
    T

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