quinta-feira, 28 de janeiro de 2016

Curtas: Swallow the Sun, Gus G, Slayer, Soilwork

Swallow The Sun, Gus G, Slayer, Soilwork


Swallow the Sun - Songs From The North, I, II& III
Swallow The Sun – Songs From The North, I, II & III (Cd Triplo – 2015)

Uma Bela e Longa Jornada Pelo Inverno Nórdico

Em plena era do short spam e da falta absoluta de interesse na aquisição de edições físicas de discos, uma banda finlandesa pouco conhecida de Doom Metal me resolve lançar um disco triplo. Sim, triplo! E que bom que o fizeram. Songs From The North divide suas 21 músicas em três partes que representam conceitos musicais diversos e que tem vida própria. A primeira parte, intitulada Gloom, representa o material mais equilibrado, exatamente o que se espera do STS, uma mistura equilibrada de Doom, Death e Gothic Metal. Soturno e pesado, com um grau de maturidade que a banda ainda não havia apresentado.


O segundo disco, Beauty, mostra uma faceta ainda não explorada pelos finlandeses. Um material semiacústico, folk e etéreo, de uma beleza soturna, com a qualidade das composições ainda lá no alto (me lembrando um pouco o Katatonia e o que o Green Carnation fez em Acoustic Verses). O terceiro disco possui um título autoexplicativo: Despair. Nele a banda aposta num Funeral Doom pesado à pampa, com a música mais curta batendo a casa dos nove minutos e proporcionando a sensação de que estamos afundando num mar de piche no meio do gélido inverno nórdico. A jornada pelas trevas finlandesas talvez seja longa demais para ser apreciada de uma só tacada, mas esse Songs From the North é a prova cabal e irrefutável da evolução de uma banda. Uma obra fantástica!

NOTA: 93

Classifique como: Doom Metal, Gothic Metal
Para fãs de: Green Carnation, My Dying Bride, Novembers Doom, Katatonia
Fuja se sofrer de déficit de atenção.

Olá, senhor, você teria mais de duas horas de seu tempo para ouvir a palavra do senhor Doom Metal? Swallow the Sun 2015
________________________________________________________


Gus G - Brand New Revolution
Gus G – Brand New Revolution (Cd - 2015)

Presente (repetido) de Grego

Terceiro disco solo do guitar hero grego, Brand New Revolution segue a fórmula que funcionou muito bem em I Am The Fire (ver resenha da Cripta). A despeito da veloz abertura instrumental, o que temos aqui é um Hard/Heavy bem moderno, com músicas bem construídas e com refrãos bacanas. Tal qual o disco anterior, Gus apelou para convidados nos vocais. Quase todos são figuras repetidas do trabalho anterior, como Jeff Scott Soto, Jacob Bunton e Mats Levén, mas há espaço também para a bela Elize Ryd, do Amaranthe, na bacana What Lies Below (ver vídeo).


Dois pequenos pontos fazem desse disco novo um pouco menos interessante que o I Am The Fire: o primeiro é a qualidade do material, bacana, mas menos inspirada. O segundo se refere a opção pelo uso de Jacob (Lynam, Adler, Mars Electric) como vocalista da maior parte do material. O cara não é ruim, soa por vezes como um improvável rebento entre Ray Alder (Fates Warning) e Zack Stevens (Circle II Circle), mas falta alguma coisa nas linhas melódicas, talvez um pouco de punch e personalidade. De toda forma, um disco divertido e muito bem tocado.

NOTA: 77

Classifique como: Hard Rock
Para fãs de: Talisman, Pink cream 69
Fuja se tiver problemas com toques modernos em seu Hard Rock.

O que diabos será que Elize disse ao pé do ouvido do nosso amigo grego?
____________________________________________________________

Slayer - Repentless
Slayer – Repentless (Cd-2015)
Vida Após Hanneman?
Muita gente boa encarou com ressalvas a insistência do Slayer em prosseguir suas atividades após a morte de Jeff Hanneman. Pior ainda foram as reações quando Kerry King anunciou que a banda estava produzindo um novo disco. Mas qualquer dúvida quanto à qualidade do material sobrevive apenas à duração da bacana intro, pois a trinca de faixas composta por RepentlessTake Control e Vices é capaz de devastar os exércitos do Senhor. A faixa título por si só valeria o disco, diga-se. Ah, e que clipe divertido que ela ganhou, uma espécie de Vila Sesamo do inferno (ver abaixo).


A dobradinha Chasing DeathImplode faz as vezes de ponto fraco do material e até mesmo a inicialmente criticada When the Stillness Comes acaba de se mostrar boa com a repetição da bolachinha. O mestre Gary Holt pode não ter participado ativamente das composições, mas as dobradinhas que faz com Kerry King deixariam um sorriso no rosto de Hanneman, em especial em You Against You. Atrocity Vendor tem em sua urgência punk uma grande virtude, e curiosamente o acelerado disco termina com uma faixa (boa) faixa arrastada. Sim, o Slayer está vivo, e Repentless é um baita disco. Slayeeeerrrrr!!  

NOTA: 82

Classifique como: SLAYEEEEEERRRRRRR!!!!
Para fãs de: SLAYEEEEEERRRRRRR!!!!
Fuja se SLAYEEEEEERRRRRRR!!!!

SLAYEEEEEEEEEERRRRRRR!!!
______________________________________________________

Soilwork - The Ride Majestic
Soilwork – The Ride Majestic (Cd-2015)

Majestoso

Um dos grandes nomes da cena de Gotemburgo que originou o Death Metal Melódico na década de 1990, o Soilwork tomou as rédeas de uma carreira que vinha titubeando com o ambicioso e excelente disco duplo The Living Infinite (ver resenha da Cripta). Após uma bem sucedida turnê, a banda resolveu aproveitar os bons ventos e retornar rapidamente ao estúdio. Mas as gravações de Ride Majestic foram bem conturbadas, com alguns dos músicos perdendo pessoas próximas. Com a morte rondando a banda em seu refúgio criativo, nada mais natural que a mesma se esgueirasse para a temática central do novo trabalho. Mas nada de negativismo aqui, The Ride até possui uma aura bela, o término de uma existência é encarado nas letras mais como uma passagem, uma viagem. O direcionamento musical por sua vez está mais direto e até mesmo melodioso, como podemos checar na excelente faixa título e na música de trabalho Death In General (ver vídeo).


O Soilwork trabalha seu melodeath com influências diversas, que vão do progressivo ao Power Metal, passando pelo AOR e Hard Rock. Por vezes essas nuances ameaçam tornar algumas músicas algo esquizofrênicas, mas de alguma maneira mágica tudo se encaixa e soa bem. Muito bem. Méritos tem que ser dados ao excelente Bjorn Strid, possivelmente o melhor vocalista nesse nicho musical, soando extremamente bem tanto nos guturais quanto nas vozes limpas. The Ride Majestic não beira a perfeição como fizera o trabalho anterior, mas ainda assim rivaliza com alguns dos melhores trabalhos dos suecos. Um disco matador (ops)!

NOTA: 88

Classifique como: Melodic Death Metal
Para fãs de: At The Gates, In Flames, Killswitch Engage
Fuja se tiver problemas com a alternância entre o extremo e o melódico.

Bjorn está careca de saber como fazer um grande disco - Soilwork 2015

terça-feira, 19 de janeiro de 2016

Curtas: Graveyard, Nightwish, Symphony X, Trivium

Graveyard, Nightwish, Symphony X, Trivium



Graveyard - Innocence & Decadence (Cd-2015)
Graveyard – Innocence & Decadence (Cd-2015)

Às Arvre Somos Nozes

Das 789 zilhões de novas bandas suecas praticantes do famigerado (e inflado) Retro Rock, Graveyard conquistou meu carinho tão logo esbarrei com uma belezura chamada Hisingen Blues (ver história completa desse romance Criptoniano aqui). O problema é que esse disco acabou por deixar minhas expectativas muito altas para os futuros trabalhos dos caras. O bom é que eles nunca chegam perto de decepcionar. Innocence abre com Magnetic Shunk alternando entre o rock e o boogie com maestria, e a faixa de trabalho The Apple And The Tree (ver vídeo) é uma daquelas pérolas de 1968 que pegaram uma máquina do tempo para a década atual.


Exit 97 é um blues melancólico e esfumaçado engrandecido por um belo hammond, o tipo de música para compor o ambiente de um pub decadente repleto de facínoras. Never Theirs e Can’t Walk Out possuem uma aura de Proto Metal, contendo pinceladas de Led (na primeira) e Doors (na segunda). O retorno de Truls Mörck, guitarrista e vocalista da formação original do Graveyard, se faz perceber em maior grau quando este assume os microfones, na ótima From a Hole In The Wall – um Space Rock com Blast Beats!!!. E nem mesmo a chocha música final, Stay for A Song, consegue entornar o caldo. Quando ela aparece o jogo já está para lá de ganho. Innocence pode não ser um Hisingen Blues, mas mostra que o Graveyard ainda consegue chutar sua murcha bunda retrô com galhardia.

NOTA: 83

Classifique como: Retro Rock, Blues Rock, Stoner Rock
Para fãs de: Kadavar, Monster Magnet, Withccraft
Passe longe se você for um maldito clubber

Graveyard: nossos queridos suecos mofados
____________________________________________________


Nightwish - Endless Forms Most Beautiful (Cd-2015)
Nightwish – Endless Forms Most Beautiful (Cd-2015)

Pretensão e Água Benta...

Primeiro trabalho dos finlandeses a contar com a vocalista holandesa Floor Jansen, Endless traz um conceito baseado na obra do Biólogo e Evolucionista Richard Dawkins, tudo isso ornado por uma produção que envolve também uma orquestra e uma faixa de encerramento de 24 minutos. Quer um pouco mais de megalomania? Bom, pede lá para o mentor da banda, o tecladista Tuomas Holopainen, que ele deve ter mais no estoque sobrando. Shudder Before the Beautiful tenta com afinco justificar toda a pompa numa explosão sinfônica bacana, mas algo derivativa de trabalhos anteriores. Se na faixa de abertura Floor parece quase uma cópia da demissionária Anette, no fantasmagórico libelo anti-religião Weak Fantasy ela dá o verdadeiro ar de sua graça, num show de interpretação engrandecido pelo toque folk do britânico Troy Donockley. Èlan, primeira faixa de trabalho, é outra que poderia estar nos dois álbuns anteriores, um bonito Folk Metal versão MTV (ver vídeo).


Enquanto Yours Is An Empty Hope puxa pelo peso e dramaticidade, ainda que sem sucesso, Our Decades In The Sun bem poderia ser usada como música tema de princesa da Disney, e My Walden parece Enya com esteroides. Ainda bem que depois temos a pesada e inspirada faixa título, a Power Ballad gótica Edema Rull (muito anos 1990) e Alpenglow, que parece saída de Once. A instrumental Eye Of Sharbat saiu do toca discos de alguma loja que vende incensos indianos e prepara o terreno para The Greatest Show On Earth: uma colcha de retalhos que dilui alguns bons momentos entre narrativas de Dawkins, sons de bichinhos selvagens e muita, muita pretensão. Barulhos de bichinhos? É, talvez seja a hora de botar os pés no chão, Tuomas.

NOTA: 69

Classifique como: Symphonic Metal, Power Metal, Gothic Metal
Para fãs de: Within Temptation, Delain
Passe longe se: cara, barulhos de bichinhos...sério, cara!!!!!!!!!!!

Tuomas finalmente acha uma vocalista do tamanho do seu ego, só que mais forte
_______________________________________________________

Symphony X - Underworld (Cd-2015)
Symphony X – Underworld (Cd-2015)

Aventuras sombrias de uma banda barroca

Desde Paradise Lost os estadunidenses vinham carregando no peso, temática sombria e nos timbres modernos, afastando um pouquinho os fãs antigos de seu Power Metal Neoclássico com toque Sinfônico/Progressivo. O conceito sombrio por detrás de Underworld, baseado na Divina Comédia, poderia ser indicativo de que novamente trilhariam o caminho do peso e força bruta no novo disco. E faixas como Kiss Of Death, Nevermore (ver vídeo) e Charon, todas ótimas e presentes na primeira metade da bolachinha, até pendem mais para esse lado. Mas daí para frente, Underworld toma uma outra forma.


To Hell And Back coloca os teclados, tímidos nas primeiras faixas, na linha de frente. A estrutura mais progressiva e com toques de AOR se repete na razoável Swan Song e nas boas Run With the Devil e In My Darkest Hour. Mas ao chegar ao final da jornada, com Legend, fiquei com a impressão de que tivesse a banda seguido a toada da primeira metade do disco, estaríamos diante de seu provável melhor trabalho. Um grande disco, ainda assim.

NOTA: 84

Classifique como: Power Metal, Prog Metal, Symphonic Metal
Para fãs de Malmsteen, Fates Warning, Dream Theater
Passe longe se tiver alergia a devaneios neoclássicos


O gigolô Russell Allen e seus colegas do Symphony X
_____________________________________________________

Trivium - Silence In The Snow (Cd-2015)
Trivium – Silence In the Snow (Cd-2015)

Let It Go, Let It Goooo

Há não muito tempo atrás, os garotos do Trivium apareceram como a linha de frente da NWOAHM, reais postulantes ao trono de maior banda de Heavy metal em atividade quando os Maidens e Priests da vida pendurassem as jaquetas de couro. Bom, a história foi um pouco diferente e bem menos benevolente com os já não tão garotos. Sem conseguir emplacar comercialmente como era esperado e também sofrendo um pouco com os narizes torcidos da velha guarda de metaleiros troozões, o Trivium vem tentando disco após disco achar seu espaço. E se você é um dos tantos que não gostou do direcionamento de Vengeance Falls, provavelmente vai gostar menos ainda do que temos aqui. Após uma intro absolutamente desnecessária composta e tocada pelo mestre Ihsahn (sim, aquele do Emperor, ídolo de Matt Heafy), a razoável faixa título traz um resumo do direcionamento da bolacha: metal tradicional direto, polido e com vocais limpos. Não, nada de peso em excesso e estruturas complexas.


Matt disse recentemente à Metal Hammer inglesa que sempre quis cantar como vocalista de metal clássico, como Dio e Dickinson, e que assim tentaria daqui para frente, mesmo sabendo das limitações de sua voz. E foi num metal clássico e algo radiofônico que a banda centrou esforços, com produção cristalina de Michael Elvis Baskette, conhecido pelo seu trabalho com o Alter Bridge. O novo enfoque mais direto pode ter minado o poderio de fogo da banda, mas em termos de composições, os caras parecem ter achado seu nicho. Blind Leading the Blind, Dead And Gone (com groove caprichado) e a ótima (ainda que algo farofa) faixa de trabalho Until The World Goes Cold provavelmente farão parte dos shows vindouros sem que ninguém reclame e temos toneladas de Iron Maiden nas bacaninhas Pull Me From the Void e The Thing That’s Killing Me. Ao que parece, a recepção do novo trabalho foi quase tão fria quanto sua temática visual, mas ainda assim Silence In The Snow merece uma conferida. Um bom disco, mas os caras podem fazer melhor!

NOTA: 78

Classifique como: Heavy Metal, Melodic Metalcore
Para fãs de: Bullet For My Valentine, Avenged Sevenfold
Passe longe se a capa e o nome do disco te derem vontade de assistir Frozen de novo... 

Let it Go, Let It Gooo, Silence in the Snooow

segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

Curtas: Tesseract, Powerwolf, Queensrÿche, Act Of Defiance

Tesseract, Powerwolf, Queensrÿche, Act Of Defiace

Tessseract - Polaris (Cd-2015)
Tesseract – Polaris (Cd-2015)

A Vingança dos Nerds

Banda surgida em 2007 na Inglaterra, é considerada uma das mais emblemáticas do movimento Djent, um rótulo derivado do metal progressivo para designar bandas como Meshuggah e Sikth. Não, não espere por algo tão pesado quanto as bandas citadas, os garotos do Tesseract pegam bem mais leve aqui. O retorno do vocalista Daniel Tompkins não mudou tanto o resultado em relação ao disco anterior, o que temos aqui é um Metal moderno, bastante técnico, mas sem espaço para exibicionismo. A mágica progressiva está centrada nos arranjos, que fazem as músicas oscilarem entre uma beleza quase etérea, baixos pulsantes e peso monolítico quando necessário. Quando funciona, como em Hexes e Tourniquet, essa última quase saindo da seara metálica, ficamos diante de um material que beira a perfeição.


Mas o problema é que nem sempre a mistura engrena, vide as menos inspiradas Cages, Dystopia e Utopia, onde a banda aposta num som com vocais rapeados em alguns momentos, com clara influência de Faith No More. A faixa de Trabalho, Survival (ver vídeo abaixo), é outro destaque, e uma boa amostra do que o ouvinte encontrará em Polaris. Um disco bastante interessante, mas que passa a impressão que o Tesseract ainda vai lançar sua obra definitiva num futuro não muito distante.

NOTA: 79

Classifique como: Prog Metal, Djent
Para fãs de: Pain Of Salvation, Sikth
Fuja se você for aquele garoto que rouba o dinheiro do lanche de gente como os garotos do Tesseract

Hey, cara, devolve nosso lanche!!! Tesseract 2015


_____________________________________________________


Powerwolf - Blessed & Possessed (Cd-2015)
Powerwolf – Blessed & Possessed (Cd-2015)

Lobinhos Do Capeta!

Banda alemã de Power Metal, o Powerwolf se destaca da maioria dos seus congêneres por dois pontos: a mistura com música sacra e os temas também sacros, tratados com muito humor politicamente incorreto. Para ajudar a dar um tempero à temática, os caras também se utilizam de Corpse Paint e muita pirotecnia. O vocalista Attila Dorn vem de um background de música erudita, então espere por muito coros e vocalizações operísticas. Mas espere, esse não é o tipo de coisa que você esperaria encontrar na Cripta né? Ah sim, uma coisa que me faz gostar do som dos caras é que tudo soa sombriamente divertido, nada de Happy Metal aqui, e os caras costumam caprichar no peso, como pode ser checado na faixa de trabalho, Army Of The Night (ver vídeo abaixo).


Bom, eu realmente acho que o som dos caras lembra bastante o dos suecos do Sabaton, e tal qual os primos belicosos, uma vez que você compra a proposta musical, fica difícil encontrar uma música que desagrade. Tudo aqui soa bacana, nada de novo, mas divertido e com aquela sensação e que deve ser muito legal conferir os lobos profanos ao vivo.

NOTA: 77

Classifique como: Power Metal
Para fãs de: Sabaton, Dream Evil, Grave Digger
Passe longe se for alérgico a coros e ópera 

Não, cara, não é para rir...é para ter medo. Powerwolf 2015


______________________________________________________

Queensrÿche - Condition Hüman (Cd-2015)
Queensrÿche – Condition Hüman (Cd-2015)

Coitado do Cotovelo de Tate

Depois do surpreendente reboot da lendária banda estadunidense com o disco homônimo de 2013 (ver aqui), confesso que pela primeira vez em muito tempo me senti ansioso em relação a um novo lançamento dos caras. E quem gostou do disco anterior, não terá do que reclamar de Condition Hüman, pois a fórmula aqui é exatamente a mesma. O Queensrÿche parece ter pego uma máquina do tempo e escolhido uma era entre o Rage For Order e o Operation Mindcrime. Até mesmo o ótimo Todd LaTorre parece uma versão quase idêntica vocalmente ao Geoff Tate daqueles tempos. Quem se lembra dos caras como uma banda de vanguarda, sempre inovadora e produzindo trabalhos diferentes uns dos outros, pode estranhar e questionar a honestidade dessa nova empreitada. Mas a banda não parecer dar a mínima, fazendo até mesmo uma auto referência justamente na música de trabalho, a ótima Guardian, na qual a letra brada Revolution Calling na maior cara de pau no refrão (ver vídeo).


Ainda bem que o material musical aqui é bem acima da média, contando com ótima produção e boas músicas. Os destaques ficam por conta de Hourglass e da Power Ballad oitentista Bulletproof. Mas nem tudo são flores, a bolachinha cai um pouco na reta final, com a péssima balada Just Us inaugurando uma trinca para lá de medíocre antes do encerramento com a boa faixa título. Mais uma bola dentro que só não vai deixar o Geoff Tate careca por que os cabelos já o abandonaram tem tempo (Infelizmente parece que a inspiração se foi com eles).

NOTA: 79

Classifique como: Heavy metal, Prog Metal
Para fãs de: Fates Warning, Queensrÿche antigo
Passe longe se você for o Geoff Tate 

Tate deve atirar dardos num poster desses


_____________________________________________________


Act Of Defiance - Birth And The Burial (Cd-2015) 
Act Of Defiance – Birth And The Burial (Cd-2015)

Supergrupo Sem Sal

Vendido como o novo supergrupo do metal estadunidense, o AOD tem em sua formação dois ex-Megadeth, o excelente guitarrista Chris Broderick e o batera Shawn Drover, o baixista Matt Bachand (que é guitarrista em sua banda de origem, o Shadows Fall) e o ex-vocalista do Scar the Martyr, Henry Derek. A proposta da banda é...bom, esse é o problema principal, nem eles parecem saber direito. A faixa de abertura e trabalho, Throwback (ver vídeo), começa com uma fúria Thrasher à lá Exodus, mas logo descamba para um híbrido Metalcore.


E isso se repete em boa parte do disco. Você está batendo cabeça com um riff bem Slayer e de repente entra uma melodia vocal de ruborizar os caras do Bullet For My Valentine. Não que eu considere isso um problema por si só. O fato é que a banda carece de boas músicas, a maior parte do material se destacando mais pela perícia de Broderick em sua guitarra (mas mesmo ele parece se repetir aqui) e pela ferocidade da bateria de Drover. Os vocais de Henry Derek tendem a irritar rapidamente, seja pela falta de inventividade, seja pelo seu timbre rasgado chatinho à balde. Enfim, Birth And The Burial não chega perto de ser uma bomba, mas é daqueles discos fadados a catar poeira ou ganhar um delete em tempo recorde pela simples falta de momentos memoráveis.

NOTA: 68

Classifique como: Metalcore com elementos de Thrash Metal old school
Para fãs de: Exodus com Dukes, Metalcore em geral   
Passe longe se você tiver pavor da mistura de vocais urrados e refrões limpos.

Hm, será que o Mustaine vai nos ouvir?

quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

Curtas: Enforcer, Ahab, Kadavar e Avatarium

Enforcer, Ahab, Kadavar e Avatarium




Enforcer - From Beyond (Cd-2015)
Enforcer - From Beyond (Cd-2015)

Irresistivelmente Veloz

Talvez o maior expoente da New Wave Of Traditional Heavy Metal (NWOTHM), a banda sueca Enforcer volta com seu quarto disco, tentando manter o lastro de sucesso que o disco anterior, Death By Fire, alcançou em 2013. Destroyer (ver vídeo) começa como manda o figurino, veloz para cacete, ótimos riffs e aquelas melodias vocais que nos tacam no meio de um moshpit em 1985. Aliás, de cara percebe-se que Olof Wikstrand, que além das guitarras (divididas com maestria com Joseph Tholl) responde pelos vocais da banda, está muito mais comedido em seus agudinhos, o que é um grande ponto que me fez gostar mais desse trabalho que os anteriores. Undying Evil é excelente e parece saída de um álbum nunca gravado pelo Grim Reaper.


A faixa título diminui a velocidade da bolachinha, mostrando que a banda também se sai muito bem no terreno do mid tempo. A velocidade retorna com One With Fire e, sinceramente, fica difícil não bater a cabeça com o disco até então, há até mesmo uma leve referência ao Iron Maiden no meio da faixa. A power ballad Below The Slumber por vezes até lembra algo bem lá do início do WASP e aqui a voz de Olaf esbarra no limite do irritante, mas ainda assim a faixa é bem legal. Hungry They Will Come é o paraíso instrumental para os fãs da NWOBHM, lembrando aquelas pérolas que a donzela fazia em seus primeiros dois discos. The Banshee, Farewell e Hell Will Follow são outras duas pedradas velozes com refrães brilhantemente grudentos, essa última com algo de Motörhead em seu instrumental. Depois da velocidade excruciante da maioria do material, a bolachinha encerra com uma faixa épica e mid tempo, Mask Of Red Death, infelizmente a única mais ou menos num disco quase perfeito. Mas não se deixe enganar por essa pequena falha, From Beyond é uma aula de metal tradicional à velocidade da luz!

NOTA: 90

Classifique como Speed Metal, Metal Tradicional
Para fãs de Running Wild, Grim Reaper, Iron Maiden, Anvil, Eciter, Razor
Passe longe se você só gostar de Funeral Doom tocado à velocidade de uma tartaruga sifilítica.


Enforcer, forçando (ugh) anos oitenta através de nossas goelas
_____________________________________________________________



Ahab - The Boats Of the Glen Carrig (Cd-2015)
Ahab -The Boats Of The Glen Carrig (Cd-2015)

Sailing the Seas Of Doom!

Baseado no livro homônimo do britânico William Hope Hodgson, uma obra de horror algo hermética publicada originalmente em 1907, The Boats Of the Glen Carrig é absolutamente o oposto do disco do Enforcer aí de cima. Lento, denso e muito, mas muito pesado, o som aqui emula com perfeição a atmosfera da horrenda história dos sobreviventes do naufrágio do Glen Carrig, que se defrontam com um indescritível horror em sua luta pela sobrevivência num mar infestado de seres nefastos. Alternando entre belos momentos semi-acústicos e riffs monolíticos, entre vozes lamuriosas e limpas (que fazem lembrar Opeth) e urros que parecem vindos das profundezas abissais, o disco tem apenas seis faixas, das quais só uma, The Red Foam (ver vídeo), tem menos de dez minutos de duração.




Todos os discos do Ahab tem como temática o mar e seus mistérios e sua sonoridade, tal qual o Mastodon conseguira com Leviathan, nos transporta exatamente para dentro do convés de um navio fantasma. Uma qualidade cinemática que contagia o ouvinte, numa obra bastante interessante de Funeral Doom para ser escutada de ponta a ponta, desde o clima de aventura de The Isle, passando pelo desespero de The Weedmen, culminando com a redenção em The Light In The Weed. Um discaço que felizmente me foi apresentado pelos antenados colegas do Música Ofensiva.

NOTA: 89

Classifique como: Doom Metal, Funeral Doom
Para fãs de: My Dying Bride, Cathedral, Opeth de quinhentos anos atrás
Passe longe se metal tocado à velocidade de tartaruga sifilítica te irritar.


Nossos amigos do Ahab nas barcas, indo para Niterói

___________________________________________________________________



Kadavar - Berlin (Cd-2015)
Kadavar - Berlin (Cd-2015)

Mofo do Bom

Confesso que demorei um bocado a ceder aos encantos desse power trio alemão que faz um Retro Rock com pitadas de psicodelia e Stoner Rock. Talvez por estar cansado das 789 bandas surgindo ao mesmo tempo praticando esse estilo, eu não tenha dado a devida atenção ao escutar umas duas faixas do primeiro disco dos caras. Bom, sempre há tempo para corrigirmos nossas falhas curriculares, e no caso do Kadavar minha redenção vem justo com o novo disco, Berlin. Não precisou de muito mais que o riff inicial de Lord Of The Sky para me convencer que eu estava errado e diante de uma banda bem acima da média no estilo. A cozinha tem uma ótima pegada vintage (a saber, o batera Christoph “Tiger” Bartelt e o baixista Simon “Dragon” Bouteloup), as guitarras de Christoph “Lupus” Lindemann são diretas, sempre contendo riffs grudentos e com peso na medida. A voz do mesmo Lupus talvez seja o ponto fraco, com aquele timbre algo Ozzy, como em Last Living Dinosaur, que pode afastar os mais exigentes.




Mas ao contrário de boa parte dos grupos do estilo, e contrariando até mesmo a impressão que o nome passa, o Kadavar tem algo de alto astral em seu som. As faixas, quase todas abaixo dos quatro minutos e bem legais, vão direto ao ponto, não dando tempo de enjoar do som dos caras. Feito bastante interessante em tempos onde as bandas confundem complexidade forçada e com criatividade. Além da trinca que abre o disco, destacaria The Old Man, Into The Night e Stolen Dreams acima do restante do material da bolachinha, que cai ligeiramente de qualidade na sua segunda metade, mas ainda assim soando interessante o suficiente para merecer uma conferida. Algumas edições contam ainda com a viajandona versão para Reich Der Träume, faixa da carreira solo de Nico (Velvet Underground) como um interessante bônus, mostrando uma outra faceta dos alemães.

NOTA: 82

Classifique como: Retro Rock, Stoner
Para fãs de: Graveyard, Witchcraft, Hellacopters, Black Sabbath
Passe longe se a onda vintage cheirar a mofo e ervas ilícitas demais para você.


Kadavar aproveitando Floripa com a galera do Música Ofensiva
__________________________________________________________________


Avatarium - the Girl With the Raven Mask (Cd-2015)
Avatarium – The Girl With The Raven Mask

Candlemass Desnatado

Quando Leif Edling anunciou o fim do Candlemass, confesso que me senti dividido. Por um lado, uma de minhas bandas favoritas deixaria de existir. Por outro lado, o então último disco, Psalms From The Dead, era tão mixuruca que dava a entender que Leif encerrara as atividades pelo motivo certo: a fonte havia secado, enfim. Qual não foi minha surpresa quando me deparei com o anúncio do lançamento do primeiro disco de seu novo projeto, pessimamente nomeado Avatarium (não consigo deixar de reclamar desse nome horrendo, sorry). Lançado em 2013, o disco homônimo mostrava um Leif revigorado, fazendo uma versão Light do Candlemass misturada com Occult rock, psicodelia e elementos setentistas. Tudo muito bem feito e empolgante, não tivesse escutado o disco só em meados do ano seguinte ele teria figurado na minha lista para 2013. Quando foi anunciado esse The Girl With The Raven Mask, fui conferir com a certeza de um grande trabalho. Infelizmente não é o caso.




A faixa título, um raro momento de velocidade na bolachinha, parece um remake mequetrefe de Black Dwarf. De resto temos uma espécie de Candlemass desnatado genérico, com aquele clima de ocultismo servindo como uma cortina de fumaça para esconder riffs e refrões genéricos e estruturas musicais preguiçosas. Claro que existem bons momentos, como o peso etéreo de Ghostlight e a acelerada Run Killer Run, essa a que mais difere do restante do material, apostando mais no clima setentista. De resto, a bela voz de Jennie-Ann Smith, cujo timbre garante a autenticidade do som dos caras, é quem salva o material da mediocridade absoluta. Uma pena.
   
NOTA: 68

Classifique como: Retro Rock, Doom Metal
Para fãs de: Purson, Jess And the Ancient Ones
Passe longe se não for fanboy do Leif.


Jennie-Ann, a garota com a voz bonita tenta fazer com que a gente não durma...