domingo, 25 de agosto de 2013

Curtas: Helloween, Killswitch Engage, Kvelertak e Pretty Maids


Curtas: Helloween, Killswitch Engage, Kvelertak e Pretty Maids
Por Trevas
Helloween - Straight out Of Hell
Helloween - Straight Out Of Hell (CD - 2013)

Álbum de número 16 na discografia dos inventores do Power Metal Melódico e novamente produzido por Charlie Bauerfeind, Straight Out Of Hell veio ao mundo com a difícil tarefa de dar uma chacoalhada na carreira da banda, que caminha no modo piloto automático já tem um tempo. A abertura com a épica (e boa) Nabatea dá alguma esperança de que finalmente os teutônicos nos presentearão com um disco de qualidade. Fica na promessa. Novamente carecendo de um senso de direção, a banda alterna investidas no lado mais bobalhão do melódico nas fracas World Of War, Far From The Stars e Years com tiros na direção do metal mais moderno e grudento (com o qual vem acertando a mão desde The Dark Ride) em Live Now, na gratuita Asshole e na ótima Waiting For The Thunder. A balada Hold Me In Your Arms é bacaninha, mas não chega a empolgar como outras do catálogo do grupo. Wanna Be God é uma tentativa assumida (e ruim) de reviver We Will Rock You do Queen.

Helloween 2013 - Uma preguiça só...
Curiosamente é justamente quando a banda encontra o equilíbrio entre o melódico e o Metal moderno que o disco melhora, como nas boas Burning Sun, Make Fire Catch The Fly e na faixa título. No final das contas, entre altos e baixos temos mais um disco para cumprir tabela de uma banda que outrora deu as cartas no metal europeu.

NOTA: 6,5




Killswitch Engage - Disarm The Descent

Killswitch Engage - Disarm the Descent (CD - 2013)

O futuro de uma das melhores bandas da nova onda do metal Americano parecia incerto. Após o excelente The End Of Heartache ter catapultado o grupo à estratosfera (com As Daylight Dies mantendo o nível), a banda sofreu um baque com a recepção aguada de fãs e críticos para o igualmente aguado disco homônimo. Não bastasse isso, o ótimo vocalista Howard Jones, envolto em sérios problemas de saúde, resolve abandonar a banda. Ah, isso sem contar com os problemas de saúde do guitarrista, produtor e líder Adam Dutkiewicz.

KsE 2013 - Jesse com a camisa do Bad Brains
Em meio ao caos o Killswitch Engage promoveu testes para o posto de vocalista. Entre os postulantes ao cargo, o eleito foi um velho conhecido, Jesse Leach, dono do microfone anteriormente a Howard. Quem, como este escriba, acreditava impossível que Jesse pudesse seguir de onde o trabalho impecável de Howard parou, quebrou solenemente a cara. Disarm The Descent é uma pedrada metalcore do início ao fim. Tudo funciona perfeitamente, desde a produção cristalina e repleta de punch, passando pela cozinha coesa, os riffs matadores e, pasmem, uma performance vocal avassaladora que não nos deixa ter saudades do demissionário HJ. Difícil apontar destaques em um disco tão homogêneo, mas In Due Time, Tribute to The Fallen e You Dont Bleed for Me tem tudo para se tornarem obrigatórias no set da banda. E ainda temos um momento para respirar um pouco com a bela Always, que coroa a evolução vocal de Jesse. Resta torcer para que o KsE mantenha o nível, pois estamos diante de um dos grandes discos de 2013.

NOTA: 9



Kvelertak - Meir
Kvelertak - Meir (CD -2013)

Três anos após os tresloucados noruegueses terem tomado a Europa de assalto com sua estréia homônima, o Kvelertak retorna com Meir, traduzido literalmente como “mais”.  O som da banda é um Punk Rock furioso misturado à Black Metal e elementos de Hard Rock de bandas clássicas como Thin Lizzy. Ah e isso contando com um trio de guitarras e letras escritas exclusivamente na língua natal da banda. Parece estranho? E realmente é. Mas é também incrivelmente grudento e divertido, basta uma breve conferida nos links abaixo, para as faixas Kvelertak (com algo de Hellacopters), Manelyst e principalmente Bruane Brenn, para descobrir o porquê. Esta última, aliás, é uma das faixas mais legais que ouvi nos últimos tempos. 

Kvelertak e sua mascote alada
No meio dessa sonzeira ainda destacaria a pancadaria de Trepan, o Folk porrada de Evig Vandrar e o clima de Jam de Tordenbrak. Cabe ressaltar ainda o belo trabalho gráfico, novamente cortesia de John Baizley, do Baroness. Para quem procura originalidade sem abrir mão do peso, o Kvelertak representa uma ótima pedida!

NOTA: 8,5






Pretty Maids - Motherland
Pretty Maids - Motherland (CD -2013)

Dono de um dos piores nomes já escolhidos para uma banda de rock pesado, o Pretty Maids iniciou sua carreira na Dinamarca em 1981, sendo mais um dos frutos da influência da NWOBHM (New Wave Of British Heavy Metal) pelo continente europeu. Para bem da verdade, o Pretty Maids pode ser considerado um dos artifices do Power Metal Europeu, tendo por característica em seu som o cruzamento desse estilo com o AOR, algo que ficou ainda mais forte ao longo dos anos 1990. A carreira da banda, reerguida pelo cover do Hammerfall para Back To Back, voltara a um viés de baixa. Mas deu uma nova guinada com a assinatura de um contrato com a gravadora italiana Frontiers, especializada em AOR, pela qual lançou o ótimo Pandemonium (2010, seguido por um excelente registro ao vivo). O sucesso de crítica gerou um bocado de expectativa para esse Motherland.

Pretty Maids - Ou seria Ugly Guys?
Mother Of All Lies, a faixa de abertura e primeiro vídeo mostra a banda enterrando os pés no AOR com maestria, uma música que entremeia riffs de guitarra e camas de teclado, sendo sempre guiada pela excelente voz de Ronnie Atkins, que outrora influenciara o timbre de Hansi Kürsch (Blind Guardian) e que é de uma versatilidade e competência impares. To Fool A Nation mantém a pegada AOR, e um ouvinte desavisado poderia bem pensar que o Def Leppard finalmente voltara a fazer boas músicas, tamanha a semelhança, em especial pelo atual timbre de Ronnie. Após uma curta introdução narrada, The Iceman finalmente nos mostra a fusão de Power Metal com AOR típica do Pretty Maids, mais uma boa ideia de Ken Hammer, guitarrista e único membro original da banda (além de Atkins) na formação atual. Sad To See You Suffer e Bullet For You são outras a fazer inveja ao Def Leppard, enquanto Hooligan e Why So Serious representam a pegada mais pesada da banda. A balada Infinity ressalta a excelente produção da bolachinha e a faixa título é mais um postulante a novo clássico da banda, assim como a melancólica Wasted, que encerra de maneira brilhante o disco. Uma audição obrigatória para todos aqueles que curtem AOR!

NOTA: 8,5 


quinta-feira, 15 de agosto de 2013

Sweden Rock Festival - Um Guia Prático



Prólogo – nem só de Wacken vive a Europa

Depois do sucesso do post sobre o Wacken Open Air (ver post aqui), confesso que fiquei com uma curiosidade imensa em relação aos outros grandes festivais do verão europeu, em sua grande maioria menos conhecidos por aqui, mas que há anos vem sendo realizados com esgotamento total de seus ingressos. Confesso que de todos eles existe um que sempre me chamou a atenção pelo Line-up, geralmente tendendo para o hard/heavy mais clássico, com incursões eventuais de bandas que hoje são rotuladas com o tétrico epíteto Classic Rock. Esse é o Sweden Rock Festival, que assim como o Wacken, teve seu início tímido com bandas locais, ganhando força na última década e hoje tendo se tornado um dos principais festivais do verão Europeu.

Pois foi então que minha esposa lembrou de um casal gente boa que visitara recentemente o festival, e o convite foi feito (e aceito, veja só!!!!). Apresento então nossa colaboradora de hoje (quem frequenta o underground carioca certamente já a conhece), senhoras e senhores, com vocês a DJ Renata Roxy!





Renata Roxy é formada em Administração de empresas pela UERJ e atualmente é Analista de Planejamento em uma multinacional. Aos finais de semana atua como DJ em festas Rock no Rio de Janeiro.

Seus estilos preferidos são o Hard Rock, AOR e Heavy Metal, mas com uma queda pelo Goth Rock, porém nas pick ups toca desde o Trash até o Punk, diversidade na pista é tudo!














Sweden Rock Festival
Por Renata Roxy


O Sweden Rock é um festival anual que acontece na Suécia, atualmente na cidade de Sölvesborg. Sua primeira edição foi em Junho de 1992.

Está entre os maiores festivais da Europa trazendo a cada ano grande diversidade, podemos ver show de bandas pesadas, bandas de Classic Rock e Hard Rock, grandes nomes como KISS e Rush e artistas locais.

Durante quatro dias temos todo tipo de diversão, com total segurança  e educação de todos ali presentes. Aliás o povo sueco é muito simpático e receptivo, foi fácil fazer várias amizades por dia lá, rs.

Assim que chegamos ao lugar do festival já avistamos inúmeras barracas de cds, roupas, discos de vinil e acessórios, uma Disney para os metaleiros! Impossível não ir a falência ali.As pessoas que por lá circulam são um show a parte, muito visual!
 Para comer, barraquinhas e trailers vendendo de tudo, desde pizza e hambúrguer, comida mexicana e Quebab, cerveja, refri e energéticos, e tudo era muito gostoso!


Entrada do festival, antes da revista pelos seguranças
Do lado de dentro excelente estrutura e organização, cinco palcos (o palco principal Festival Stage onde tocavam os headliners, outros três menores, intitulados Rock Stage, Sweden Stage , 4 Sound Stage e um palco menor, o Rockklassiker Stage).
Outra coisa impressionante é a limpeza dos banheiros, com papel higiênico e álcool gel durante todo o dia. Na entrada dos banheiros, torneiras de água corrente para encher as garrafinhas d’água. Cervejas estão a venda nos balcões, todas muito boas.Como o povo sueco bebe!

Muitas pessoas ficam no camping mas também é possível se hospedar em cidades próximas. Eu fiquei hospedada na cidade de Kristianstad, há ônibus com horários marcados saindo das cidades vizinhas e que retornam após o término dos shows.Tudo comprado previamente pela internet.

No primeiro dia do festival os ingressos eram retirados após apresentar os tickets previamente pagos, recebemos uma pulseirinha que nos dá passe livre para o paraíso do Rock. Revistas com todos os detalhes sobre o  festival e horários dos shows são vendidas lá dentro para que você não perca o show da sua banda favorita. Sessões de autógrafos com as bandas, stand com exposição de fotos (esse ano tinha exposição do Motley Crue). Existe uma loja oficial que vende desde camisas oficiais do festival até cadeiras de praia, tudo com a marca Sweden Rock. Esse primeiro dia serve mais para explorar todo aquele espaço pois os melhores shows acontecem do segundo dia em diante.

Ao longo do dia são muitas as opções de diversão, shows acontecendo em todos os palcos o dia todo, as pessoas a volta, tudo é demais! Haja energético para ter pique para viver tudo!

Durante o dia faz calor (levem protetor solar), pessoas circulam de camiseta e short, mas ao cair da noite fica frio, então sempre leve uma jaqueta, meia-calça e gorros na mochila. Aliás vale mencionar que na Suécia durante o verão temos sol até umas 23hs, tudo contribui para a diversão! Esse ano excepcionalmente não choveu, mas sempre é bom ter uma capa de chuva. E um boné para se proteger do sol durante o dia.



Entre um show e outro vale a pena dar uma descansada básica, leve uma canga na sua mochila para dar aquele deitadão na sombra! Se bem que tem gente que deita no sol mesmo, hahahaha, os suecos adoram o verão!

Rocker descansado na grama entre um show e outro, coisa comum durante o festival
O line up dese ano estava incrível! Assisti bandas pesadas como Amon Amarth, com seus arsenais vikings no palco, o metal melódico do Avantasia, o classic rock do Sweet,  Black Star Riders, Saxon, Accept e Doro, monstros como KISS e Rush, o AOR do Europe tocando em casa, muitas bandas suecas como o Crazy Lixx e  Mia Klose entre muitos outros. Toda essa diversidade faz do Sweden Rock o melhor festival de Rock europeu da atualidade! No Sweden você consegue assistir um show da grade! Eu assisti o KISS na grade, é bem mais tranquilo do que aqui.

Somente consegue entender  o clima mágico do Sweden Rock Festival quem tem a oportunidade de passar por lá: várias crianças pequenas com protetor de ouvido, famílias inteiras, suecas que tiram a blusa sem a menor cerimônia e ficam de lingerie (afinal é verão). Gente de todos os estilos e muito vikings espalhados por todo canto.


Quem tiver vontade de conhecer, aconselho muito! Compre tudo com bastante antecedência porque os hotéis nas cidades vizinhas lotam rápido!

Stay Rock!

Painel do kiss para os fans brincarem de tirar fotos com seus ídolos: tudo em 2013 era em homenagem ao Kiss

domingo, 11 de agosto de 2013

Wacken Open Air - Tudo o Que Você Sempre Quis Saber e Nunca Te Contaram...


Prólogo, Por Trevas:


Woodstock, Isle Of Wight, California Jam, Castle Donnington, Dynamo Open Air, durante décadas os grandes festivais de rock figuraram no imaginário de jovens ao redor do mundo. Como uma espécie de Ilha Da Fantasia rocker, a Disneylandia do Capiroto...

Tendo sido criado em 1990, um tímido início que praticamente envolvia somente atrações teutônicas, o Wacken Open Air (ou simplesmente W:O:A) ano a ano se tornou uma espécie de Meca Headbanger, o mais popular dos grandes festivais do verão europeu, recheado de atrações de estilos e porte variados...

A saber, tenho já há alguns anos adiado o desejo de visitar o Wacken. Que Odin me perdoe por essa procrastinação...mas eis que ao me deparar com um post enviado diretamente da cena do crime, feita por um amigo, tive a ideia: por que não convidar alguém que tenha ido ao festival para escrever um post sobre o mesmo na Cripta? Contactei o amigo em questão, ainda presente no festival, que surpreendentemente ficou extremamente empolgado com a ideia! Fico orgulhoso então de apresentar a vocês nosso colaborador de hoje, o talentoso e gente boa Pedro Viana!










Pedro Viana é movido pela música e atuou por anos como guitarrista na banda DIVA (Death/Thrash Metal) do Rio de Janeiro e hoje em dia atua tocando em tributos ao Slayer e ao grande Death e na banda Tarantinos, dedicada às trilhas sonoras do grande diretor, Quentin Tarantino. Gosta de Rock Clássico à Metal Extremo e em meio a sua "truezisse" não suporta os que reprimem o Metalcore. "Quem vive de passado é museu."




Vamos então ao post de hoje:



Wacken Open Air - Tudo o Que Você Sempre Quis Saber e Nunca Te Contaram...
Texto e Fotos por Pedro Viana


Vou começar o texto com uma observação. Existem dois tipos de headbangers nos tempos atuais: os que gostam de shows e os que não gostam. Definitivamente este relato e tudo que será dito aqui não é para os que ficam em casa assistindo bluray, DVDs, youtube e o que mais seja.

Me pergunto se ainda é possível existir alguém que ouve música, principalmente metal e não sai de casa, não vai a show algum ou simplesmente não se emociona ao estar no meio de tanta gente com um mesmo objetivo, ovacionar aqueles que um dia trouxeram alguma esperança às suas vidas por meio de suas músicas e discos. Mas vamos lá, vim aqui pra deixar a minha experiência à respeito do Wacken Open Air, então, que comecem as palavras.

O Wacken Open Air é o tipo de experiência onde se ouvem diversos relatos de amigos que já foram. Estes chegam a ser tão contraditórios que a curiosidade em saber se é bom ou não talvez acabe sendo no final das contas o maior motivo pelo qual você se mete por 4 dias acampando, comendo relativamente mal, tomando banho quando dá e matando sua sede basicamente com cerveja, energéticos, destilados e quando se toma coragem AGUA COM GÁS, isso mesmo, se você encontrar água sem gás que não seja da bica em terras alemãs, sinta-se “abençoado”.

Por satan até que vale a pena não beber água

Pois bem, o 1º dia em que chego lá é dedicado ao Metal Battle. É uma espécie de pré abertura do evento onde tudo está aberto, menos a área principal onde constam os dois palcos onde “os grandes nomes” tocarão alternando entre os palcos chamados Black Stage e True Metal Stage. E a ansiedade já atormenta a cabeça daqueles que tem sua lista de favoritos, bandas que querem assistir em suas cabeças, mas calma, no 1º dia a boa é explorar tudo e fazer amigos, se for possível. E obviamente comprar as camisas oficiais, mas já falo melhor sobre isso.

Brindar com os amigos - fator importante no primeiro dia!
A primeira impressão ao chegar ao local do evento é que há toda uma “terra à se explorar” já que muito se anda e muito se descobre. No começo é tudo novo, muitas barracas de comida as quais as bandeirinhas dos países das mesmas indicam o que se está comendo. Basicamente vi muita comida Turca, Italiana, Chinesa e obviamente Alemã. A comida é um ponto importante, prepare-se pra ficar 4 dias à base de lanches, basicamente sanduiches, espetinhos, pizzas vendidas em pedaços, comidas locais (principalmente na área viking/medieval do evento) e massas.

Cheguei e já tô perdido!?
Melhor agora, mas será que me perdi de novo? PQP!
Super nutritivo
Finalmente comida de verdade. Mas no último dia de evento, ainda tá valendo a pena?


Fora a área principal que já falei, o evento possui uma vasta área de camping, a área viking (onde se vê tudo de regional que se imagina, incluindo lutas medievais hahaha), a área do circo onde constam dois palcos cobertos WET Stage e Headbanger’s Stage e uma área dedicada ao Wrestiling (esta eu não visitei). Aliás, se tem um ponto que me irritou na organização, foi o acesso a estes palcos. Eu simplesmente não consegui assistir uma banda sequer nesta área por conta do afunilamento de pessoas que a segurança estava realizando nesta área, vai saber o porque. O acesso era demorado e sempre ficava o medo de se perder alguma atração em outra área do evento, único ponto negativo que vi a respeito da organização neste ano (primeiro que vou, mas como já ouvi relatos bem piores de outros anos, é bom destacar).

Feito o mapeamento de tudo que se vê, vem agora a parte mais interessante do evento, a parte pratica. Afinal, porque vim ao Wacken? Pois é, acredite ou não, algumas pessoas vão lá simplesmente para acampar, beber, comer, se divertir e não estão nem ai pros shows, mas obviamente estamos falando de pessoas que já foram diversas vezes ao evento, moram por perto, enfim, outro tipo de cultura e comportamento, mas e você o que faria com o tempo livre que tem por lá? 

Aproveitando o Wacken:

- A primeira dica que dou é ficar atento ao cronograma do evento, tudo é seguido à risca, os shows praticamente não atrasam e se vi algum atraso rolar, foi no máximo de 5 minutos, provavelmente porque houve algum ajuste final a ser feito. Neste ano foi disponibilizado um app para iOS e Android com toda a programação do evento e lá dentro você conseguia montar uma grade só sua, com todos os seus interesses pessoais. Ou seja, só perde os shows quem ficar atolado na lama ou perder o celular. Feito isso vamos para o próximo passo.

Essa foi minha running order, mas dá para imaginar que aí não tem 1/3 do evento, não é mesmo?

- Foque. Não adianta, o festival é maravilhoso, tem tudo que você queria aqui no Brasil, mas não perca seu tempo com coisas que você pode ver depois, foque nas bandas, atrações e etcs que realmente quer assistir e dedique seu dia a elas. Saia com antecedência de sua barraca também, pois não adianta contar com atrasos como fazemos aqui no Brasil e perder a intro daquele show incrível, lá no Wacken, não rola né? Ou melhor, não vale a pena.

Ponte de acesso aos palcos principais, dentro da área vip, ainda fechada. Garantia: 10 minutos mais ou menos da área de camping até os shows. Assim é moleza, né?
- Se prepare. Não adianta, você vai ficar a tarde toda pegando sol, certo? Então passe protetor o máximo que puder, se puder, leve um protetor em uma embalagem pequena, já que as vezes é demorado o tempo de sua barraca até a área dos shows e passe sempre nos braços e no rosto, áreas que ficarão expostas, o sol é bem cruel mas pior ainda é ter que fugir dele pra assistir a qualquer show, o que é impossível.

- Aproveite. Tenha noção do seu tempo, necessidades e o que você realmente quer assistir e se for o caso, não dependa de ninguém, se meta no meio da galera (aliás, como é fácil chegar até a grade no Wacken hein? pqp), faça o seu horário. É sempre bom ficar com os amigos, se divertir, beber, mas porra, vários shows históricos à poucas horas/minutos/segundos de você, não vá desperdiçar tempo na barraquinha de cerveja bebendo até cair e depois reclamar que perdeu algum show, se mova, se for o caso, pegue logo três cervejas e já fique perto da área dos palcos principais. O intervalo entre um show e outro é bem pequeno e o risco de perder algo é grande quando não se fica de olho nos ponteiros do relógio.

Annihilator: primeira banda que assisti com a devida atenção e a pontualidade já tomava conta do palco. Era chegar e assistir. Chegou atrasado 5 minutos? Perdeu a primeira música.
Mãe, tô na grade! Soilwork
E os shows, são tudo isso mesmo que falam?

Bom, temos que concordar em um ponto. O Brasil, já faz muito tempo, não é o país do rock, muito menos do Metal. Nós temos sim, bandas admiráveis, metalheads fanáticos, apaixonados e dedicados ao estilo, mas se tem algo que percebi uma diferença gritante foi o SOM do evento. Quando se fala de som, se fala de estrutura e obviamente onde se investe, vai se conseguir algo com excelência, mas será que é só isso? 

Eu me lembro de ter ouvido com precisão o som de TODAS as bandas que assisti lá e não foram poucas, posso enumerar aqui, Gojira, Fear Factory, Soilwork, DevilDriver, Trivium, Rammstein, Annihilator, Lamb Of God, Meshuggah e todas estavam com o som cristalino, fiel, tão fiel que parecia até playback. Mas será que isso é um ponto diferencial? Eu diria que sim. Fui à grandes festivais aqui no Brasil, Rock in Rio e SWU e já cansei de ir a shows em casas de médio e pequeno porte e como faz diferença o tato que se tem no Wacken com a nossa audição e com a apresentação de cada uma das bandas. 

É algo inacreditável e diversas vezes este diferencial fez eu me tocar que estava a mais de 12 horas de casa, batendo cabeça, curtindo, chorando, sorrindo e um lugar onde o músico era sim, respeitado e não era só uma questão de equipamento, mas de profissionalismo. Eu enquanto musico, confesso que babei muito por tudo aquilo e obviamente, sempre rola aquele desejo de estar lá em cima, vendo aquele mar de gente se emocionando com o que se toca. Os set lists são diferentes dos shows no Brasil. Muitos deles dedicados a trabalhos mais recentes das bandas, mais curtos, com menos hits, até porque obviamente as bandas tocam muito mais em terras européias do que aqui, então não há necessidade de comover tanto o publico, mas isso não estragou nenhuma das apresentações.

Gojira no Black Stage - Primeiro show no qual percebi que o som não estava somente alto, mas extremamente agradável. Como eu diria, um caminhão de som pelo qual você faz questão de ser atropelado.
Fear Factory no Black Stage. Já falei que fui atropelado? pois é, tem muito caminhão no Wacken...
Rammstein ao fundo no True Metal Stage, mostrando ao que veio no Wacken. Som, luz, palco, produção e performance com perfeição do começo ao fim
Meshuggah: difícil dizer se o melhor é a banda, a iluminação, o timbre ou as músicas. A perfeição esteve no Party Stage do Wacken.

Algum vacilo que cometi?

SIM. Jamais me perdoarei, mas a regra némero um do Wacken é, quer uma camisa oficial? Compre no 1º dia. Fique na fila TOSTANDO, mas compre essa desgraça. Depois fica cada vez mais difícil comprar qualquer produto oficial, afinal, são muitas pessoas comprando e isso também vale para o merchan oficial das bandas. Fiquei muito puto de não ter conseguido aquela porra de camisa oficial da tour atual do Trivium, PUTAQUEPARIUCARALHOQUERAIVADEMIMMESMO (desculpem a irritação). Enfim, então JÁ SABE. Quer camisa, lembrancinha, qualquer coisa? Corre atrás no 1º dia. O próprio Rammstein preparou um merchan DEDICADO para o festival com um caminhão somente com produtos da banda.

Quem é rei nunca perde a majestade. Merchandising oficial do Rammstein.
Outro vacilo? A BARRACA. Não se esqueça de comprar uma barraca com protetor. A minha barraca era grande, o colchão que comprei, confortável, mas porra, a umidade e a chuva entraram. Não foi grande coisa, mas foi algo que eu poderia ter evitado. Algumas marcas inclusive vendem barracas com proteção para sol e chuva ao mesmo tempo, basta pesquisar. Isso é algo importante, ainda mais se forem dias longos de chuva como foi em 2012, pelo que já me falaram. Este ano, por sorte foi apenas uma chuva grande, porem mesmo assim, breve, durante o show do Lamb Of God.

Preparado? Para ver os shows, sim. Para a chuva? Nem tanto.
Carregar o celular? Bom, existem pontos para carregar o celular. Na área vip o carregamento era bem rápido, porem na área comum, dizem que demora-se horas para ter uma bateria cheia novamente. Por isso, se você quer tirar fotos, e etcs, economize bateria e só abuse se tiver uma boa fonte de energia. Juice packs (aquelas capas/baterias especiais para iphone e outros celulares que alimentam até 3x mais do que o normal) e carregadores solares são sempre bem vindos.

Internet? Wi Fi? Olha, depende. Como fiquei na área vip consegui um wifi onde postava, me atualizava e também me comunicava com o povo. Foram disponibilizados hotspots por todo o evento, mas não soube muito bem como funcionavam. Pelo que vi, era só em áreas especificas e se pagava um preço “X” pelo uso. Uma boa dica é conseguir um chip 3G local para uso de internet, mas lembre-se, o Wacken é uma cidade de interior, então em alguns momentos o sinal 3G ficará fraco e isso pode se tornar um problema. Mas enfim, você tá no WACKEN, filhão. Usa essa porra pra postar umas fotos e depois, VA APROVEITAR os shows. Deixa o Whatsapp pra depois.

Área VIP, com WiFi e local para carregar o celular. Algumas das pequenas coisas consideradas "regalias" por todo o evento.


Vip, mas não fique mal acostumado. À noite, o camping te espera.

E se chover? É sempre bom ter uma capa de chuva, mas não porque você vai tomar chuva, mas porque tudo que tá no seu bolso, vai molhar né? Eu tomei chuva com vontade no show do Lamb Of God, lavei todos os capirotos/demônios/cramunhoes que estavam no meu corpo naquele dia, mas por sorte, um amigo meu estava com capa e abrigou meu celular e carteira em seus bolsos, ou seja, se não houvesse isso, tava fudido, ia ficar tudo molhado, quebrar, entrar em curto (pqp, quanto drama) e etcs. Então pense sempre muito bem se vale mesmo levar o celular para a área dos shows e se tiver uma câmera boa, tente comprar aqueles protetores para se usar debaixo d’água, parece besteira, mas faz toda diferença. Leve pelo menos uma calça e um tênis dedicados para a chuva e lama, porque fatalmente uma hora você passara pelo risco de se sujar e se molhar todo.

Nunca fui fã de tomar chuva, mas no show do lamb Of God, ninguém ta nem aí quando se ouve as primeiras notas de "Omerta".
E ai, vale a pena mesmo?

Sabe aquela história de “ninguém disse que ia ser fácil”? Pois é. O Wacken é uma “batalha” em alguns aspectos. Até na área VIP se passam alguns perrengues, pois é camping, céu aberto, sol, chuva, frio de matar em algumas noites, barraca, colchão de ar, enfim, só com essas palavras mágicas você já consegue imaginar o quanto ficará cansado não é mesmo? Mas eu diria que gostando ou não, todo headbanger precisa passar por isso pelo menos uma vez na vida. Não dá pra descrever em palavras (ainda que eu tenha usado muitas por aqui) a sensação que é estar no meio de tanta gente com as mesmas paixões, intenções, gritos de felicidade e cara tostada de sol igual a você e tudo com o mesmo motivo, A MÚSICA (e a cerveja, mas deixa quieto).

Ainda que esse espírito coletivo mova muitas pessoas, a questão é que cada um em seu intimo, vai ver o Wacken de uma forma diferente. Não adianta eu vir aqui, dar essas dicas todas, falar um monte se você não vai passar por isso um dia. Wacken é sonho, é algo que trás boas experiências, algumas difíceis, outras fáceis e outras libertadoras (experimentem tomar chuva em um dia de evento, vocês vão entender).
Preferi resumir neste texto o que eu gostaria de ouvir antes de ir pro evento. Não vou ficar aqui falando de banda X ou Y, até porque quem monta sua “grade” de favoritos é você mesmo e no Youtube há diversos shows registrados de streamings de qualidade.

Ou seja, show é show em tudo que é lugar, mas o Wacken? É único. Ficou curioso? Quebra o porquinho, compra um pra guardar os trocadinhos, junta dinheiro, enfim, faça os sacrifícios que puder, porque como disse no começo do post, se você é do headbanger que gosta de shows, vai sair de lá reclamando de sol, de chuva, de acampamento, com as costas doendo, alguns machucados se bobear, tênis e calça cheios de lama, mas assim que chegar ao Brasil, vai querer voltar, pelo menos mais um aninho, ou quem sabe dois, três.

Uma das regras do festival. Acenderam o boi? É, caiu a ficha, tô no Wacken!
E pra não perder o costume, como sempre se ouve durante o festival, em meio a tanto berro, brinde e gritos de nome de bandas, na dúvida, olhe pro céu e grite bem alto, WACKEN!

Fui e já estou com saudades. Quem sabe, ano que vem, Wacken?!

sexta-feira, 2 de agosto de 2013

Sacred Mother Tongue - Out Of The Darkness (CD - 2013)

Sacred Mother Tongue - Out Of The Darkness
Prólogo – uma promessa britânica se tornando realidade

Tratada como uma promessa de revitalização da atualmente combalida cena metálica britânica, o Sacred Mother Tongue teve início em 2004, como um canal para o virtuoso guitarrista Andy James poder se expressar em seu estilo favorito, o Heavy Metal.

O Guitar Hero Andy james
Conhecido pelos guitarristas mundo afora por seus álbuns solo e vídeos no Youtube, Andy encontrou estabilidade para sua nova banda somente em 2008, com a entrada do promissor vocalista Darrin South. Com ele foi gravada então a estréia oficial da banda (já havia sido lançado o auto financiado Revenge Is Personal, em 2006), The Ruin Of Man, com alguma repercussão na cena inglesa, apostando em um som que se aproximava um pouco do metalcore americano (ver vídeo). Atenta ao burburinho, a EMI logo assinou com a banda.


Em setembro de 2012 saiu o EP A Light Shines, já pela EMI, obtendo grande acolhida da crítica, em especial da Metal Hammer inglesa. Com a faixa Evolve/Become como destaque absoluto e um som mais melódico e focado, a banda se preparou então para um importante passo na carreira, o lançamento de seu novo full lenght, dessa vez contando com muitos olhos (e ouvidos) a espreitar, esperançosos.

O EP A Light Shines (2012)
Sacred Mother Tongue
Uma Jornada Para Fora da Escuridão

Com as letras girando em torno de um conceito bastante pessoal, mas um tanto quanto batido, da trajetória do vocalista Darrin South pelo inferno da depressão clínica, Out Of The Darkness tem início com uma de suas melhores faixas, Demons (ver vídeo abaixo, ao vivo). Guitarras em harmonia, ótimos riffs e solos e um vocal limpo, nada gritado, mas eficiente nas melodias que moram em algum lugar entre o acessível e o tipicamente metálico. Uma baita música e grande cartão de visitas para o novo som do SMT, calcado em um Heavy Metal direto e moderno, mas com lampejos de Power Metal e Heavy Tradicional.


Bird in Hand tem uma pegada mais moderna típica do metalcore de bandas como Killswitch Engage, só que com vocais totalmente limpos. A ótima cozinha do SMT, cortesia de Lee Newell (bateria) e Josh Gurner (baixo, recentemente substituído por Craig Daws) dá o tom da vigorosa Seven (vídeo).


A pesada Pawn lembra um pouco mais o som do disco anterior da banda e embora comece com um dedilhado bonitinho, Bleeding Out (Ver vídeo) é outra pedrada, com mais um refrão comercial sem ser apelativo.


A Light Will Shine (video) carrega o fardo de ser a faixa que deu nome tanto ao EP que antecedeu esse disco quanto ao próprio disco, de frase presente em seu refrão. Se em termos conceituais sua letra é importante para o disco, em termos musicais pode se dizer o mesmo, com solos inspirados de Andy James e boas melodias vocais, é certamente um dos destaques aqui.


The City is Crying e Just A Ride, ambas contendo riffs rápidos e ótimos solos, mantém o disco em alta para o encerramento em grande estilo com Evolve/Become (ver vídeo), talvez a melhor música da banda até esse ponto da carreira, e a redentora Believe.


Saldo Final

O Sacred Mother Tongue escolheu o caminho certo ao procurar uma identidade fora da cena Metalcore e investir suas fichas em boas canções sem abrir mão do peso, o que culminou em um disco empolgante que pode e deve agradar tanto os fãs de metal moderno quanto os headbangers mais tradicionais. Tudo isso ancorada no talento já conhecido de Andy James e na revelação Darrin South. Se essa banda é uma amostra da renovação da outrora fértil cena britânica, o futuro pode então ser promissor na terra da Rainha.


NOTA: 8


Ficha Técnica
Banda (Nacionalidade): Sacred Mother Tongue (ING)

Título (ano de lançamento): Out Of The Darkness (2013)

Mídia: CD
Gravadora: EMI (Importado)
Faixas: 10
Duração: 43’

Rotule como: Heavy Metal, Metalcore

Indicado para: fãs de Heavy Metal em geral... 
Passe longe se: não gostar de melodia em seu metal.