segunda-feira, 30 de março de 2020

Biff Byford – School Of Hard Knocks (CD-2020)



Bife Com Fritas Do Tio Biff
Por Trevas

Cinquenta anos de carreira musical definitivamente não é para qualquer um. Talvez ciente de que sua longa e prolífica carreira esteja rumando para um fim, Biff Byford, lendário líder e vocalista dos titãs do metal britânico, o Saxon, resolveu enfim centrar esforços em seu primeiro disco solo. A intenção? Fazer uma obra com pitadas de autobiografia, contando com convidados especiais e uma liberdade musical maior do que em seu emprego principal. Amparado pelas dicas do mago Andy Sneap, Biff assumiu a produção da bolachinha, que traz na capa uma ilustração estilizada de uma das paisagens de sua Yorkshire natal, feita por um artista local. A banda de apoio? Fredrik Akesson (Opeth) na guitarra, Christian Lundqvist (The Poodles) na bateria e Gus Macricostas (Battleroar, já tendo sido sub em algumas datas com o próprio Saxon) no baixo.

Biff e sua inconfundível cara de bruxa velha 
Welcome To The Show abre o disco, um Rockão empolgante, mas que, afora a produção mais simples e um pequeno toque de Rock moderno, definitivamente poderia estar em um disco do Saxon. A letra, a primeira das que fazem referência à carreira do vocalista, também não soa diferente do habitual. Fredrick destila um belo solo, ele sim se distanciando da sonoridade que faz no Opeth.


A autobiográfica faixa título chega e confirma o ponto de interrogação na minha cabeça: “por que diabos Biff resolveu gravar músicas que poderiam estar num disco do Saxon?”. É legal, traz Phil Campbell (Motörhead) solando, mas tem a cara de coisa que já ouvimos o grandão cantar antes, lembrando Solid Ball Of Rock. Inquisitor é a primeira pista de que efetivamente há um pouco de linguagem musical diferente no disco, um interlúdio acústico com Biff declamando Edgar Allan Poe e preparando o terreno para a ótima The Pit And The Pendulum. Um épico de sete minutos que fica num meio termo entre algo como Attila The Hun e um Prog Metal. Nela a cozinha é caprichadíssima: o Tio Chico do Metal, Nick Barker (Dimmu Borgir, Testament, Nuclear Assault) atuando ao lado de Nibbs Carter, fiel escudeiro de Byford no Saxon. A mesma dobradinha atua também em Worlds Collide, outra boa canção que não tem por que não estar num disco dos veteranos da NWOBHM.


Biff acaba replicando o som de sua banda principal em outros três números: Hearts Of Steel e Pedal To The Metal no lado mais pesado, Black And White na veia mais Hard Rock.
Mas, ainda que de maneira tímida, o veterano reserva espaço para uma sonoridade mais variada em outros números: nas caprichadas releituras de Scarborough Fair (canção tradicional do norte da Inglaterra que ficou famosa para o resto do mundo com Simon & Garfunkel) e Throw Down The Sword (uma belezura do Wishbone Ash) e na homenagem à esposa com a fraquinha Me And You, que conta com solo de saxofone e cuja melodia nos versos resvala em I Remember You, do Skid Row.


No final das contas, fico com a impressão que School Of Hard Knocks é muito mais uma oportunidade de fazer a limpa no baú antes de uma aposentadoria cada vez mais próxima do que uma necessidade de explorar novos horizontes criativos. O lado bom disso é que fica ainda mais claro o quanto o som do Saxon deve a esse senhor, que acerta mais uma vez na mão na hora de trazer um punhado de boas músicas para nosso deleite. Tão simples e eficiente quanto um bife com fritas. (NOTA:8,36)

Visite o The Metal Club
Gravadora: Hellion Records (Nacional)
Prós: boas músicas, produção simples e certeira
Contras: não se afasta muito do que Biff pode fazer no Saxon
Classifique como: Hard Rock, Heavy Metal
Para Fãs de: Saxon

domingo, 29 de março de 2020

Phil Campbell – Old Lions Still Roar (CD-2019)


Phil Campbell And The Bastard Old Ones
Por Trevas

O guitarrista galês, fiel escudeiro de Lemmy Kilmister de 1984 até a hora de sua morte, tinha na mente gravar um disco solo desde o final da década de 1990. A correria com as atividades do Motörhead sempre acabava por colocar essa ideia para escanteio, até que o falecimento de Lemmy mudou tudo. Com o inevitável fim do lendário trio inglês, Phil se concentrou em continuar a compor, lançando um Ep e um CD com o Phil Campbell And The Bastard Sons, banda que traz três de seus filhos na formação, e preparando enfim o terreno para seu primeiro disco solo.

Nosso velho herói galês
A ideia, simples, era fazer 10 canções que soassem diferentes umas das outras, compostas especialmente para alguns artistas de quem Phil é fã e/ou tem algum grau de amizade. O nome do disco foi sugerido por um dos filhos do guitarrista, tendo em vista o tanto de veteranos que participam do trabalho, produzido pelo próprio Phil e mixado por Soren Andersen. Na parte instrumental, os filhos do Hômi dividem espaço com alguns convidados famosos e outros mais afeitos ao underground.

Capa da edição nacional
A capa da versão nacional pregou a peça em muita gente, acreditando ser um disco acústico. E a faixa de abertura, Rocking Chair, ajuda a confundir. Uma bela canção semi-acústica com letra autobiográfica (contando com a devida, e inevitável, homenagem ao Lemmy). Na voz Leon Stanford, do The People, The Poet. A música tem uma puta pegada de Bruce Sprigsteen e começa bem e de forma curiosa o disco. Logo em seguida as guitarras são plugadas para Straight Up, um rockão contagiante contando com a voz de ninguém menos que o próprio Metal God, Rob Halford.


O tom muda de novo, dessa vez temos o gigante Ben Ward cantando Faith In Fire, totalmente Stoner Metal, totalmente...Orange Goblin! À tiracolo os não tão conhecidos Tim Atkinson no baixo e a beldade Robyn Griffiths na bateria. Alice Cooper e Chuck Garric dão as caras na boa Swing It, que é melhor que boa parte do material mais atual da Titia.


Ótima surpresa é a belíssima atuação vocal de Nev MacDonald (ex-Skin) em Left for Dead, petardo hard que ainda traz Martin King (Level 42) no baixo. Que voz! Já Walk The Walk erra o alvo, com o canadense Danko Jones fazendo uma parceria desinteressante (mas pesadona) com Nick Olivieri, o baixista peladão do Queens Of the Stone Age no Rock In Rio 2001.  Para levantar de vez o ânimo, nada melhor que o próprio jandirão, Dee Snider, mandando brasa em These Old Boots, música que faz homenagem justamente aos dinossauros do rock. Não à toa, Mick Mars também está nessa. A bateria dessa faixa ainda tem Chris Fehn, direto dos mascarados do Slipknot. Possivelmente a melhor do disco.



Saudades do Ugly Kid Joe? Não? Nem eu. Mas até que Whitfield Crane manda razoavelmente bem na moderna e pesada Love Survives. Muito melhor se sai o doidão Benji Webbe (Skindred) na ótima balada Dead Roses, que conta ainda com Phil no piano e Matt Sorum na bateria. Para encerrar, uma curta e bela instrumental que conta com Joe Satriani e coroa  a versatilidade do capitão do barco, que desfila belos riffs e solos por todo o álbum. Pode ter demorado a sair, mas o primeiro disco solo de Mr. Campbell é uma deliciosa surpresa!(NOTA: 8,51)

Visite o The Metal Club
Gravadora: Shinigami Records (nacional)
Prós: variado e inspirado
Contras: dificilmente será ouvido por muitos
Classifique como: Hard Rock, Heavy Metal
Para Fãs de: Hard & Heavy em geral

terça-feira, 10 de março de 2020

Amon Amarth + Powerwolf – Berserker Latin America '20 (08.03.20 - Circo Voador – Rio de Janeiro/RJ)



Sobre Lobos Tarados & Vikings Cansados
Texto e fotos: Trevas; Vídeos: Renato "Hellnatão" Marques

Powerwolf

Quem acompanha a Cripta sabe que considero o Powerwolf uma espécie de Guilty Pleasure. Mas confesso que não tinha a menor ideia de qual seria a receptividade carioca ao Power Metal com toques sacros e piadas profanas dos teutônicos. Essa dúvida terminou tão logo o som mecânico silenciou e gritos ensurdecedores de “Powerwolf” ecoaram em uníssono por um Circo Voador que já apresentava um bom público. Para surpresa do quinteto (eles se apresentam sem baixista), o jogo estava ganho desde o primeiro minuto de Fire & Forgive. E se o público está animado, o show do Powerwolf é uma delícia de se ver. Os lobisomens teutônicos elevam à quinta potência o conceito de “música para adestrar macaco” que dizem ter sido criado pelo Iron Maiden: é uma profusão de “ôôô”, “Hey,Hey, Hey”, “Hu-Ha”, uma catarse heavy metal que se tornou especialmente viciante dentro da privilegiada acústica do Circo Voador. 



Impossível resistir a galhofagens como Werewolves Of Armenia e a pérola Resurrection By Erection numa atmosfera dessas. Com grande movimentação de todos (em especial do tecladista mico-de-circo Falk Maria Schlegel), visual bem bolado e muito carisma (pontos extras para o ótimo vocalista Attila Dorn), o Powerwolf conseguiu no mínimo angariar respeito até mesmo entre os mais céticos e sisudos fãs do Amon Amarth em seu curto set de 10 músicas e pouco mais que 40 minutos. Showzaço (NOTA: 9,00)

Guarnição do Lobo Guará? Lupinos teutônicos em versão BR


Amon Amarth

Com exatos 3 minutos de atraso em relação ao horário anunciado, Run To The Hills toma de assalto o som mecânico, com o Fade Out pós refrão dando espaço à tradicional introdução do show dos Vikings suecos. Dessa vez com um palco mais ornado do que nas passagens anteriores (mas ainda sem o praticado de elmo para a bateria e sem a profusão de pirotecnias dos shows lá fora), o quinteto inicia os trabalhos com a costumeira The Pursuit Of Vikings, para uma plateia ensandecida.



O gigante hirsuto Johan Hegg é a alma do Amon Amarth, sua simpatia e carisma (com frases em um surpreendente bom português), suficientes para que o público grite seu nome, e não o da banda, nos intervalos entre as músicas. E que músicas! A despeito da primeira canção, o repertório variou em relação às passagens anteriores, com belezuras como Death In Fire, Runes To My Memory e Asator nos pegando de surpresa. O som estava perfeito, com a voz de Johan devidamente amparada com delay e reverbs cavalares e as guitarras de Johan Söderberg e Olavi Mikkonen cortando os tímpanos como machados. Mas há de se destacar a performance cavalar do baterista Jocke Wallgren, numa clara evolução em relação às vindas anteriores. 



Com todos os elogios feitos, uma ressalva: se em anos anteriores os músicos se mexiam o tempo inteiro pelo palco, interagindo com a plateia e não guardando posição por mais do que alguns minutos, ontem já se via uma banda estática a maior parte do tempo. Cansaço? Pode até ser.  Afora o vocalista, sempre sorridente e brincalhão, e sorrisos eventuais no rosto de Jocke, os músicos restantes não pareciam demonstrar muita empolgação com o que estavam vivenciando. Mas, mesmo sem a intensidade de outrora, o profissionalismo e ótimo repertório ainda fazem com que um show do Amon Amarth seja garantia de entretenimento de qualidade para qualquer fã de metal que se preze (NOTA: 8,50).

Renda-se Ivar, Johan está aqui!









domingo, 1 de março de 2020

Graspop Metal Meeting 2019: Parte II – Os Shows



Olá Criptomaníacos!! 
Nessa segunda postagem sobre o GMM, farei um breve apanhado dos 36 shows assistidos ao longo dos 3 dias de festival. 
Por show assistido e avaliado, consideramos aquele que conseguimos presenciar por pelo menos metade de sua duração prevista. 
Se contarmos os pedaços de 10/15 minutos que assistimos ao longo desses dias, o número cresceria bastante.
As fotos e pequenos vídeos são meus e da Dressa, e servem apenas para tentar dar uma vaga noção visual da coisa, já que celulares são péssimos para esse tipo de registro. 
E claro que demos preferência a curtir as apresentações ao invés de registrar as mesmas de maneira porca.
Divirtam-se
Trevas


21.06.19 - SEXTA (11 shows assistidos)

Os calouros aqui calcularam mal o deslocamento para o festival, o que nos fez perder o Death Angel, escalado para a infeliz hora do almoço. Nossa primeira parada acabou por ser o Crowbar, no palco Marquee. Foi um bom começo, Kirk Windstein e sua trupe desfilaram seus acordes monolíticos com maestria (NOTA: 8,00). Ainda conseguimos assistir duas músicas do caos eletrônico virulento do Combichrist antes de encarar Glenn Hughes e suas releituras dos clássicos do Purple num show inesperadamente mediano (NOTA: 6,00).

Crowbar - mais pesado que fimose de cachalote
Retornando ao Marquee, dessa vez para o assombroso e para lá de pesado show do Candlemass com Leif de volta ao batente trazendo a tiracolo o excelente Johan Längqvist, vocalista que gravou Epicus Doomicus Metallicus. Realmente épico, Doom bagarai e destruidor (NOTA: 10).

Candlemass, espetacular e de volta às origens
Num dos palcos principais, o metal moderno do Architects levantou o público de maneira tão esfuziante que me senti até um pouco culpado por não conseguir ver nada demais no som dos caras (NOTA: 7,00). Após alguns minutos do viajante e original Cult Of Luna, era vez de comprovar o quanto o Anthrax funciona bem ao vivo. Mesmo com som embolado e Belladonna longe da boa forma vocal, o som dos caras em festival levanta até defunto (NOTA: 9,00).

Caught In A Mosh! Anthrax detonando! 
Um dos shows mais esperados pela gente, o Lynyrd Skynyrd demorou a esquentar. Ainda assim, um show que tem Saturday Night Special e Free Bird não pode ser um fracasso. Vide a contagiante rodinha de coroas dançando em Sweet Home Alabama (NOTA: 7,50). Se os sulistas pareciam algo deslocados, os suecos do Amon Amarth estavam na sala de casa. Com um show pesado, tecnicamente perfeito e cheio de pirotecnias, mostraram que hoje em dia são os headliners perfeitos para festivais do tipo. Vide a lotação do empolgado público de frente para o palco (NOTA: 10).







Perfeição técnica é o que vimos também na apresentação do Within Temptation. Com uma produção de fazer inveja a qualquer banda que não seja o Rammstein, destilaram clássicos de seu período mais sinfônico misturados ao metal moderno de agora. O ponto alto da noite foi ver um verdadeiro viking, torso desnudo no frio, cantando a plenos pulmões Ice Queen. Nos debulhamos em gargalhadas, para então recebermos um merecido olhar de reprovação do grandalhão, que logo voltou a exibir seus dotes líricos. Um belo show (NOTA:8,50) Era hora do último show do Slayer na Bélgica. Um dos eventos mais esperados do festival, a apresentação do quarteto contou com uma produção de palco caprichada e muita, mas muita pirotecnia. O repertório está matador e Gary Holt trouxe um algo a mais para a dinâmica do show, mas não fosse o clima criado pela grandiosidade visual, que nos transporta para algum lugar no inferno, novamente ficaria com a impressão de que a banda é um pouco burocrática no palco (NOTA: 8,00). No acampamento, madrugada adentro só se ouviria uma coisa, urros de “SLAAAAAYEEEEERRR”.

Slayer levando sua capirotagem pela última vez em território belga
22.06.19 - SÁBADO (10 shows assistidos)

Começamos na hora do almoço, com a belíssima apresentação do Cellar Darling. Anna Murphy é uma vocalista e multi-instrumentista brilhante e a banda é um raro caso do estilo que não se vale de absolutamente nada pré-gravado. Excelente (NOTA: 9,00).

Ainda esbarramos com o final da apresentação do Gloryhammer, banda piada de Power Metal que surpreendentemente mostra um poderio absurdo nos palcos. Fica para uma próxima. Impressionante também o pouco que vimos do Ne Obliviscaris, que parece conjurar o próprio som de alguma outra dimensão, uma dimensão sombria e pesada. Os suecos do Hammerfall podem ser mega xaropes, mas imaginei que seu som pudesse soar divertido no ambiente de um festival. Até cantei junto uma ou outra música dos simpáticos bangers, mas a plateia não pareceu tão convencida assim (NOTA: 7,00).

Compenetrados
Muito melhor se saiu o fenômeno Lzzy Hale e seu Halestorm. Aguados em estúdio, os estadunidenses destroem ao vivo, capitaneados por uma das vozes mais fortes da história do rock (NOTA: 9,00). Após um pequeno relance no não muito impressionante show do Grand Magus, era hora de Nergal e sua trupe no palco principal. E o Behemoth fez justiça a sua fama, um show verdadeiramente infernal e pesado (NOTA: 9,00). Tempos atrás parecia que o Trivium conquistaria o mundo, mas a carreira dos caras nunca atingiu o ápice esperado. Mas não é por falta de trabalho, com um show tecnicamente excelente na parte instrumental, os caras se movem tanto no palco que microfones eram colocados em toda a extensão do mesmo. Uma apresentação repleta de carisma e energia (NOTA:8,50).

Muitos cadeirantes no evento, alguns deles gozaram de belos crowdsurfings
De volta aos palcos menores, nossa primeira escolha de sofia: estávamos nas primeiras fileiras da apoteótica apresentação do Clutch, com um Neil Fallon endiabrado comandando a plateia como um pastor do inferno, os estadunidenses destilavam um clássico atrás do outro (NOTA: 10,00). Infelizmente deixamos o show na reta final pois não podíamos perder uma das derradeiras apresentações do UFO antes do encerramento da carreira. O septuagenário Phil Mogg parece um pouco cansado, e logo se percebe que a aposentadoria vem em boa hora, mas o show tem tanto clássico por minuto que acaba valendo o esforço (NOTA: 8,00). A noite não dormida cobrou seu preço, acabamos por abandonar o festival mais cedo e perdemos bandas como Krokus, King Diamond, Demons & Wizards, Disturbed, Lamb Of God e Slipknot. As três últimas pudemos escutar do acampamento, assim como a reação da plateia. Ao que parece, shows destruidores. Era hora de recuperar as baterias para o último dia.

Domingo com sol a pino e os dois na primeira fila para o FM


23.06.19 - DOMINGO (15 shows assistidos)

Nosso domingo começou bem cedo, e direto da primeira fila de um dos palcos principais, com uma aula impecável de AOR com os veteranos britânicos do FM, comandados pela bela e cristalina voz de Steve Overland (NOTA:9,00). Bem menos impressionante foi o show seguinte, dos postulantes a nova sensação do Classic Rock Inglorious. Definitivamente falta algo aos ingleses, e o afetado e talentoso Nathan James ainda precisa comer muito Fish & Chips para atingir o nível que acha já ter (NOTA: 6,50).


Outro combo britânico na fila, fomos conferir os ogros do Orange Goblin no Marquee. O gigante Ben Ward e sua trupe fazem um show poderoso e vibrante, e nos divertimos pulando abraçados a um cabrunco que parecia ter lambido um sapo lisérgico (NOTA:9,00). Ainda deu tempo de pegar a metade final do Deadland Ritual, supergrupo que reúne gente do quilate de Geezer Butler, Steve Stevens e Matt Sorum. Capitaneados pelo pouco inspirado vocalista Franky Perez, a banda fez o provável show mais murcho de todo o festival. Uma apresentação morta a ponto de conseguir não levantar a galera nem com War Pigs, música que geralmente salva da derrota qualquer banda cover do planeta. Uma lástima (NOTA: 4,00).

Ih, é a banda da minha camisa ó!


Mudando um pouco o clima, fomos conferir o show do Delain, que seria o último com a formação contando com duas guitarras (uma despedida curiosamente silenciosa da demissionária gnominha espoleta Merel Bechtold). Um show bacana que levantou a plateia com hits grudentos, mas fica claro que os holandeses ainda precisam trilhar muita estrada para chegar perto dos patrícios do Within Tempattion ou dos finlandeses do Nightwish (NOTA: 7,50).

Mesmo durante o início do show do Delain, era visível e impressionante o deslocamento de boa parte do público presente no festival para o outro palco principal. O que só comprova o estrondoso sucesso dos franceses do Gojira em território europeu. E que show. Com peso e musicalidade surreais e uma postura de quem sabe que vai destruir tudo, os irmãos Duplantier foram responsáveis pela maior profusão de rodinhas, Crowd Surfing e afins em todo o festival. Ao final de pouco mais de uma hora, a banda se despede, e o baterista Mario vai ao microfone agradecer e atestar ter perdido alguns quilos na apresentação. Nós também, Mario, nós também (NOTA: 9,50).

Pernas pedindo arrego, hora de dosar as energias
Igualmente destruidora foi a apresentação dos suecos do In Flames. Trazendo a bela adição de Chris Broderick na segunda guitarra e contando com algumas surpresas antigas (Pinball Map e Colony) e muita simpatia, fizeram um set de arrepiar os fãs de todas as fases da carreira dos caras (NOTA: 9,50). Uma breve checada no aparentemente imponente show do Insomnium antes do encontro com tio Coverdale e seu novo Whitesnake. Novo entre mil aspas. O repertório permanece o de sempre (só trocam as faixas do disco atual), mas a destreza dos músicos compensa a repetição. Claro que se você pode chiar do tom abissal no qual as músicas são tocadas e do fato de um show de uma hora contar com solos individuais e intervenções instrumentais, ambos artifícios voltados a preservar a combalida voz do tio, que até que estava num bom dia. Divertido e previsível, como sempre (NOTA: 8,00). Já eram 19:00 da noite, mas o céu de verão estava límpido, com o sol castigando a galera. Após conferir alguns minutos do final estrondoso do show do Possessed, sentados na grama para testemunhar Rob Zombie fazer uma apresentação impressionantemente divertida, com direito até a uma ótima versão para Helter Skelter (NOTA: 9,00). Nunca havíamos visto o Def Leppard em ação. E cara, que decepção. Tecnicamente perfeito, o show tomava forma repleto dos hits radiofônicos que catapultaram os ingleses ao Mainstream. Mas é tudo feito de maneira tão burocrática que faz até o “chá das cinco” parecer um evento com mais atitude. Morno demais (NOTA: 6,00).

Cervejinha belga + Coverdale = previsível e bom
Fugimos para o Eluveitie, mas a lotação do Marquee e o calor infernal nos levaram mesmo ao palco onde se apresentava o Kvelertak. Eu tinha muita curiosidade de conferir o sexteto de Death’n’Roll, com suas músicas repletas de referência de tudo o que é era do rock cantadas em norueguês. E que sorte que o destino nos levou até ali, os caras fizeram um dos shows mais perfeitos do festival. E o público pequeno, logo se transformou em uma multidão. A grande maioria não fazia ideia do que esperar do som dos caras, mas a força de uma banda que, além de proficiência técnica, ainda termina com o vocalista (novo na turma) e dois dos três guitarristas fazendo crowdsurfing ao longo das músicas não pode ser menosprezada. Ao final dos 50 minutos do repertório, os noruegueses deixavam umas 5.000 pessoas embasbacadas para trás, certamente tendo convertido boa parte desses em novos fãs incondicionais (NOTA: 10).


Pausa para o lanche, retornamos a um dos palcos principais e temos uma grata surpresa. O Sabaton é absurdamente popular por lá. Sim a multidão que se amontoa de frente para o palco é impressionante, mas mais impressionante ainda é a desenvoltura com que a banda lida com isso. Em poucos minutos de show e umas 40.000 cabeças cantam e dançam sem parar os hinos quase caricatos dos suecos. A banda também faz por merecer. Os caras não param um segundo e Joakin pode ser um vocalista limitado, mas tem um carisma e simpatia tão grandes que você acaba o show jurando que ainda vai tomar uma cerveja com o grandalhão. Isso sem contar que, arames farpados, sacos de areia, um coral de 20 cabruncos vestidos com uniformes da primeira guerra mundial e um tanque de guerra de verdade estão ali no palco, em meio a explosões e pirotecnias variadas, criando um clima que raramente se vê por aí. Um show monumental e que tem como um grande trunfo não se levar a sério por um instante sequer (NOTA: 10).

KVELERTAK!!!
Era chegada a hora do ultimo Headliner do festival. You Wanted The Best, You’ve Got The Best. The Hottest Band In The World…KISS! Você pode até não gostar do quarteto mascarado estadunidense, mas eles sempre foram o padrão que norteia toda e qualquer banda que preza pelo espetáculo. E a banda faz sua despedida oficial nessa turnê (se bem que anunciam isso sem cumprir o prometido tem bem uns 20 anos pelo menos), então a expetativa era de uma experiência audiovisual impressionante. E realmente o palco é impressionante. Pirotecnias e teatralidade a mil. Uma pena que a banda simplesmente já não esteja à altura de sua reputação. Paul Stanley está com a voz tão cacarecada que consegue irritar os ouvidos até nas várias falas entre as músicas. Sim, o cara está desafinando até falando. Mas ao menos se esforça, conduzindo a banda com vigor impressionante para a idade. Uma pena que seus colegas pareçam tão desinteressados, em especial Gene, cansado como aquele motorista de ônibus no final da última jornada do dia. O repertório, algo previsível, ainda assim deveria soar delicioso. Mas não soa. A sensação de que efetivamente uma das lendas vivas do rock esgotou sua força vital parece ter consumido o público, já cansado dos três intensos dias, que respondia contidamente e de maneira mais respeitosa do que realmente empolgada. Talvez devessem ter pendurado as chuteiras alguns anos atrás, quem assistir a banda pela primeira vez nessa turnê jamais terá a verdadeira noção do que foram até um passado não muito distante (NOTA: 6,00). Íamos deixando o festival antes do fim da apresentação do Kiss, mas pelo caminho ouvimos um som destruidor. Entramos no Marquee no exato momento em que Jeff Walker bradava sarcasticamente ao parco público presente na apresentação do Carcass: “ parabéns a você que está nos assistindo, pois você definitivamente não é um poser”! A provocação aos fãs do Kiss poderia parecer exagerada e deselegante, mas o show do Carcass responde em campo. Um final devastador para nossa longa e fantástica jornada num dos maiores festivais do planeta (NOTA: 9,00).

Kiss e seu melancólico adeus




Graspop Metal Meeting 2019: Parte I – (Quase) Tudo O Que Você Precisa Saber Sobre o GMM.



Prólogo – Sonho?

Olá Criptomaníacos! Desde moleque encaro os grandes festivais do verão europeu como um sonho distante. Devorava resenhas e vídeos de mídias especializadas ou bem-aventurados Headbangers que haviam tornado realidade esse sonho. E minha esposa nutria a mesma vontade, de ao menos uma vez nessa existência, experimentar um grande festival. Mas, sabe-se lá por que, nunca achei que tivesse condições de eu mesmo fazer a jornada. Perdi a conta de quantas vezes mandei e-mails para empresas que vendem pacotes para o Wacken e ou Hellfest. Até que um dia, programando a extensão de uma visita à Portugal, onde hoje reside um de meus irmãos, entreolhei minha esposa e pensamos juntos, que tal tentarmos realizar nosso sonho? Por questões de data e logística, acabamos por optar pelo Graspop Metal Meeting (GMM), festival realizado anualmente na Bélgica e considerado um dos grandes entre os grandes. Dividi a postagem em duas partes: a de agora, um guia para quem pretende encarar o festival. A segunda, uma breve passagem por cada um dos muitos shows que assistimos. Divirtam-se!
Trevas

Dressa & Trevas, felizes que nem pintos no lixo
O GMM – Onde e Quando?

O GMM é realizado desde 1996. Geralmente cai no início da última dezena do mês de junho, sempre na pequenina cidade de Dessel, pouco mais de uma hora de distância de Bruxelas. Seu cast geralmente é bem variado, com bandas modernas entremeadas com clássicas, tendo espaço para todas as vertentes dentro da música pesada. A edição de 2019 foi composta por 3 dias, com uma prévia do festival, com algumas atrações interessantes, acontecendo na noite anterior ao primeiro dia, uma maneira de testar a infraestrutura e possibilitar alguma atividade ao pessoal que quer montar o acampamento antes da festa efetivamente começar. Em 2018 o festival contou com 4 dias inteiros, mas a infraestrutura não deu conta. O formato de 4 dias retorna agora em 2020, com a produção apostando ter aprendido a lição.

Fazendo amigos - a simpática belga Zelda nos fazendo companhia no caminho para Dessel
Ingressos, Como Comprar?

A venda de ingressos é feita pela internet e tem início bem antes da divulgação do cast completo. Ao contrário do que acontece com o Wacken e Hellfest, os ingressos não se esgotam no mesmo dia do início das vendas (embora esse ano tenham se esgotado já na virada de 2019/2020), não sendo necessário comprar de agências ou “cambistas”. Existe a opção de ingresso por dia, ingresso por dois dias e o combi-ticket, que inclui todos os dias do festival. O GMM não é considerado dos festivais mais baratos, mas se compararmos o valor com os shows daqui (e com o preço praticado no RIR), chega a ser covardia: eu e minha esposa pagamos cada um 210 euros pelos 3 dias de festival. Ao comprar o Ticket, a ser impresso em casa, você ganha a opção de, por 10 euros, garantir a passagem de ida e volta de trem até a cidade de Dessel, válida para qualquer horário dentro de um dia antes até um dia depois do festival. Mas sobre isso falaremos no item: como chegar?
As pulseirinhas da danação - sua entrada para o GMM
Dessel – Como Chegar?

Dessel pode ser acessada por trem. Conforme escrevi anteriormente, a compra do ingresso te dá a opção de garantir as passagens de trem de ida e volta por valor promocional. Mas a retirada dos Tickets e tabela de horários dos trens só ficam disponíveis no site da operadora cerca de um mês antes do evento. Mas não há nenhum problema nisso, existem muitas opções de trens para lá. Da estação central de Bruxelas, pega-se um trem até determinada cidade (já não lembro qual, mas existem várias opções) e faz-se uma baldeação até Dessel. Na estação de trem as informações de como chegar podem ser conseguidas numa simpática central de informações. Não tem erro. O percurso demora em torno de 90 minutos. Ao chegar na estação de Dessel, uns 20 metros adiante vemos a fila para o Shuttle (grátis) que leva do centro da cidade até o festival, situado em uma espécie de fazenda. A fila é descaralhada (belgas não ligam muito para ordem, na verdade parecem curtir a vida num eterno estado de “foda-se, tá tudo tranquilo”), mas os shuttles saem com frequência e em menos de 10 minutos estamos desembarcando no festival. No retorno, mesma dinâmica, tudo sem maiores problemas. Para quem for de carro, existe bastante espaço para estacionamento próximo da área de desembarque dos shuttles, mas não sei como funciona a organização e/ou preço. Cabe ressaltar que o povo belga usa muito bicicletas, existindo uma imensa área para estacionamento das mesmas.


Pela estrada afora...chegando no GMM
Acampando no GMM

O camping do GMM é imenso e situado uns 10m da entrada principal da arena, uma área organizada por “quarteirões”, nos quais você pode montar sua barraca desde a tarde anterior ao primeiro dia principal do evento. Mas para quem não tem ou não quer ter que viajar com a parafernália de acampamento, temos a opção de alugar uma barraca pré-montada. Assim o fizemos, alugamos uma “Deluxe Tent” (há modalidade mais barata), para duas pessoas. O preço? 240 euros, mais uma taxa de caução de 100 euros. As barracas pré-montadas ficam em um local específico, próximo da entrada do camping.

Um pequeno trecho do camping, a maior concentração de doidos por metro quadrado do planeta
Ao chegar, tem que se dirigir a um guichê montado em um trailer, apresentar o ingresso para o camping impresso, uma espécie de “check in”. Um atendente te entrega uma lamparina elétrica (a ser devolvida no check out) e os kits do camping: cada kit contendo uma bela toalha do festival, um travesseiro com fronha do festival e um saco de dormir do festival. Todos esses itens ficam contigo após o fim do evento e são bem bonitos. Nas tendas de merchandise são vendidos separadamente a preço de ouro, diga-se. O atendente vai contigo até sua tenda, que possui colchões infláveis daqueles que se vende nas lojas americanas daqui, e mostra que está tudo ok. Cada tenda possui um número, e levamos cadeado para garantir a segurança dos nossos pertences enquanto passamos o dia no festival.

A área das barracas alugadas
Ao final do evento, é só chegar no guichê lá do início e solicitar o check out. Pouco tempo depois aparece um funcionário na sua tenda para checar se está tudo ok, lembrando que a lamparina e os colchões tem que ser devolvidos. Com o ok do check out, o valor caução pago é estornado no seu cartão de crédito.

Visual das barracas alugadas de dois lugares, existem maiores


Sobre a infraestrutura do camping: as barracas são ótimas, mas em uma das noites fez bastante frio e não havia isolamento térmico abaixo dos colchões. A friaca foi tensa, mas logo pelas 6 da matina o sol estava tão forte que cozinhamos na barraca. Choque térmico hehehehe. Há três pavilhões sanitários espalhados pelo camping, mas é muita gente, e filas se formam pela manhã para a mítica “barrigada matinal”. Os sanitários parecem réplicas de sanitários normais, longe daquela porcaria de banheiros químicos que conhecemos. Há sempre papel disponível e a higiene é ok. Só não é perfeita pois o camping é em terra batida e temos aquela desagradável laminha formando no piso. Para os meninos, há estranhos mictórios abertos espalhados pelo camping. Os pavilhões contém anexo com vários bebedouros coletivos, com água potável.


O bocão, seu amigo das horas mais difíceis - esses são os banheiros químicos presentes no festival e camping
Ainda nos pavilhões sanitários, temos os chuveiros. Cabines de plástico resistente com água quente acionada por um botão temporizador. Cada banho custa 1/5 token (ver mais à frente, formas de pagamento e preços) e é tranquilo de encarar. Curiosamente a fila de banho dos meninos sempre existe, já a das meninas? Quase sempre vazia, hehehehe

Um dos pavilhões sanitários do camping, com sua longa fila para a barrigada/banho matinais 
Além dos pavilhões sanitários, temos pavilhões médicos (muita gente bebe até capotar, como bebe esse povo), concorridos totens para carregamento de celulares, tendas para retirada de materiais de higiene e sacos de lixo, um pavilhão de lanchonetes com área para café da manhã (levamos nossos suprimentos para café da manhã comprados em um supermercado, estocamos na barraca), caixas eletrônicos e lojinhas vendendo itens de camping, alugando carregadores portáteis de celular, uma pequena loja de merchandise e uma prefeitura do camping. Anexo ao camping, estão o Festival Fair e o Metal Markt. Depois falarei sobre eles.
Pavilhão médico e os estranhos mictórios quádruplos ao ar livre
Totem de recarga para celulares e outros eletro-eletrônicos
Área para café da manhã e suas lanchonetes
Caixas eletrônicos para compras de Tokens no Camping
A estada no camping foi tranquila. O povo é muito louco e divertido, mas nenhuma briga se vê por lá. O único problema é aturar os malucos gritando “Slaaaayeeeer” e cantando Primo Victoria a noite inteira. De estranho, não há absolutamente nenhum controle de quem entra ou sai da área de camping. Aqui não daria certo. Lá, funciona.

Juntando o lixo - um pouco de civilidade no camping
Festival Fair – Metal Markt

Ao lado do camping, temos uma verdadeira feira Heavy Metal, o Festival Fair. São dezenas de barracas que vendem CDs, camisetas de bandas, Patches e acessórios dos mais variados. Muita coisa legal que não se acha nem à pau por essas bandas. Os preços variam bastante, mas no geral, são bem justos.

Caminhando pela Festival Fair - falência na certa!
Que caralhos?
Já o Metal Markt é um pavilhão lotado de lojas de CDs, a maioria vinda da Alemanha. Àqueles que ainda compram mídia física, um deleite. Todas as lojas tinham promoções do tipo 5 CDs por 20 Euros. Infelizmente não me preparei o suficiente e comprei bem menos do que gostaria. Vagar pela feira e pelo Metal Markt é um passatempo bacana para preencher a parte da manhã, já que o dia em que os shows começaram mais cedo teve início às 11 da manhã.

Achei até meu amigo das profundezas por lá...
Cadastramento e Entrada

O cadastramento do festival é bem organizado e com filas praticamente inexistentes. É chegar num guichê, mostrar o ingresso impresso e ter uma pulseira afixada em seu pulso. Essa pulseira, como em muitos festivais ao redor do mundo, tem uma plaqueta que deve ser passada no leitor das catracas de entrada. Tudo simples e rápido. Nas entradas, quem possui mochila e/ou bolsas passa por uma revista. No site está explicitado o que pode ser carregado para dentro da arena. Também não existem filas em nenhum momento para a entrada.
Em frente à entrada - se você não vê fila, é por que realmente não existe

Dressa no guichê de cadastramento




Usando seu Dinheiro no Festival

Para desencorajar o uso de dinheiro vivo no mundo de gente que frequenta diariamente o GMM, o mesmo faz a conversão de seus Euros à moeda oficial do Festival, no formato de tokens plásticos que podem ser quebrados pela metade. Os tokens podem ser comprados em guichês de atendimento próximos à entrada da arena. Ou em caixas eletrônicos.

Estamos ricos! uma cartela dos Tokens do Festival.
Para favorecer a ideia de não se transitar pela confusão com dinheiro vivo, a compra via cartão nos caixas contava com um “câmbio de conversão” mais favorável do que o pagamento em dinheiro. Dentro da arena, todos os stands de alimentação só aceitam os tokens. Mas o imenso (e confuso) stand de merchandise oficial, esse trabalha somente com dinheiro e cartões de crédito/débito.

Compra de Tokens: à esquerda, os guichês para compras em dinheiro. À direita, os caixas eletrônicos
Preços

Como estamos falando da forma de pagamento dentro do festival, vamos à dolorosa. Os alimentos e bebidas na arena custam mais caro que na vida real belga. Mas, ainda que sejam caros, não chega a ser absolutamente nada tão discrepante do que vemos em festivais e shows aqui no Brasil, onde as coisas dentro de uma casa de show custam por vezes o triplo do que fora. Uma cerveja (a oficial do evento é a Jupiler, mas temos outras opções, veremos mais à frente), copo de 300ml, custa um token (cerca de 2 Euros). Os lanches, em média 2 tokens.

Um dos guichês, com uma tabela de conversão
Já o merchandise oficial, esse segue os preços daqui: uma camisa custa em média 20 Euros. Cada banda contou com pelo menos dois modelos de camisas, sendo que algumas tinhas até 5 modelos. Dá vontade de levar tudo, mas haja grana. Curiosamente, o Amon Amarth, banda que conta com imensa popularidade por lá, tinha o Merchandise bem mais caro: 30 Euros cada camisa. E elas se evaporaram em um dia.

Alimentação e bebidas

Fácil, fácil mais de uma centena de stands de alimentação/bebida estão espalhados pela arena. Impressionantemente raramente se demorava mais de 5 minutos para sair do stand com seu pedido em mãos. Além dos stands tradicionais, vendendo a onipresente fritas belga com molho (regada e muito boa), pizzas e sanduíches e as marcas oficiais de cerveja do Festival (cervejas Jupiler e uma Hoegarden frutada meio xarope) e refrigerantes/sucos/chás, tinham duas áreas mais gourmet no festival, com culinária para lá de variada. Stands de churrasco na grelha regado a Jack Daniels, outros de comida vegana, massas, tinha de tudo lá. E sempre em porções caprichadas. Em média, cada refeição saía em torno de R$30,00. Tudo muito bom, um pouco caro, mas mais justo que nos festivais daqui.

Um dos muitos stands de birita do festival
Nas áreas gourmet também era possível comprar cervejas diversas das oferecidas pelas marcas oficiais, e aí coloca-se todas aquelas belezuras belgas que são vendidas à preço de ouro por aqui. O preço, 1,5 Token, mais caro que a Jupiler, mas que o cervejeiro profissional paga com um sorriso no rosto ébrio.


A estranha Hoegarden Rosee
Quem fica no camping pode deixar compras na barraca, e isso pode fazer com que a necessidade de comprar coisas na arena ao longo do dia diminua, proporcionando uma baita economia. Não se pode entrar com alimentos na arena, mas o camping fica ao lado. Bateu uma fome moderada, volte à barraca e mande brasa. Salgadinhos, bebidas, chocolates, bolos, o que resistir fora da geladeira é válido. Fizemos isso com nosso café da manhã, o que deve nos ter economizado uns bons 20 euros por dia.


Banheiros/Água

Diversos pavilhões com banheiros, mictórios e bebedouros coletivos estão espalhados pelo festival. As filas raramente duram mais que 2 minutos. As cabines, que mais se assemelham a um banheiro normal (com privada bonitinha e papel sempre disponível) estão miraculosamente sempre limpíssimas. Dá para encarar uma barrigada sem sustos.


Um dos pavilhões sanitários do festival: bebedouro em azul, ao fundo a fila para os banheiros
Água fresquinha está sempre disponível nos bebedouros. Como não se pode andar por lá portando garrafas (nem das plásticas), compramos uma daquelas garrafas que são tipo um saco. Manter-se hidratado é questão de ordem, o calor, acima dos 30º somado à biritagem de boas cervejas, é uma mistura fatal caso não se tenha cuidado.

Cada pavilhão sanitário tem pencas desses mictórios, o que provavelmente garante as privadas limpas
Merchandise

O grande ponto negativo de todo o festival. Um stand longitudinal onde se formavam aglomerados imensos e desorganizados para a compra de um sem-número de opções. Acima do imenso stand, painéis expunham boa parte do material disponível com um código (para facilitar a identificação do produto na hora do atendimento) e preço. Como o espaço de exposição é limitado, geralmente a cada dia ficava exposto o material das bandas do dia + exposição constante do material dos headliners. A desorganização para comprar qualquer item era tamanha que acabei por me limitar a pegar uma camisa oficial do festival. Se bem que meus bolsos agradeceram hehehehe. 

Atrações Alternativas

Vimos por lá tendas de patrocinadores, que faziam jogos com premiações diversas, uma roda gigante (o ingresso era ganho mediante a coleta de X copos plásticos) e torres de recarga de celulares (disputadas à tapa). Em alguns locais da arena, devidamente indicados no mapa oficial, disponibilidade de Wi-fi aberto. Uma área refeitório coberta para se fugir do forte sol. Existe também uma pequena arquibancada, na qual se pode acompanhar de frente os shows de um dos palcos principais e descansar os pés.
Próximo aos palcos principais, um stand para sessões de autógrafos, com os horários e bandas sendo informados em um painel eletrônico.
Na entrada da área do festival, existe uma espécie de boate, com atividades musicais até às 6:00 da matina. A ideia é manter entretido o visitante que não está acampado e não tem como voltar para casa até que as linhas de ônibus e trem voltem a circular. Dentre as atrações, bandas locais cover/autorais, discoteca e karaokê. Não aproveitamos nada dessa tenda, sempre lotada e aparentemente animada. 

Roda gigante e o local do Palco Marquee ao fundo
O APP Do festival

 Já tem alguns anos que o GMM disponibiliza um aplicativo oficial para celular (IOS e ANDROID). Nele você vê informações sobre cada atração, mapa da arena e grade de horários. A maior funcionalidade é uma que se chama MY GMM: você escolhe as bandas que você quer ver e ele te monta a grade personalizada de cada dia, te mandando lembretes do início (e local) de cada atração 10 minutos antes. MUITO interessante.

Interface do APP Oficial
As arenas de shows

O principal: são 5 arenas de shows. Duas delas, as principais (Main Stage 1 & 2), são geminadas e alternam os shows principais do dia. Mesma operação que vimos no Maximus por aqui, enquanto o palco da direita tem uma atração tocando, o da esquerda está sendo aprontado para o show seguinte, com um intervalo médio de 10 minutos entre o fim de uma atração e início da outra.
O Main Stage 2, com Anthrax rolando
Três palcos menores estão espalhados mais próximos da entrada. Dois deles em pavilhões cobertos e fechados nas laterais (Red Bull Metal Dome e Marquee), um deles uma versão menor dos palcos principais (Jupiler Stage). Por “menores”, me refiro à comparação com os gigantescos palcos principais: cada uma das três arenas menores é maior que um palco de qualquer casa de grande porte daqui. Som sempre perfeito, telões laterais para os gnomos (como eu e Dressa), pontualidade britânica e capricho visual. Os sets dos shows “menores” geralmente variavam de 45 a 80 minutos. Muitos deles tão ou mais disputados pela galera quanto algumas das atrações dos palcos principais.
O Mapa do GMM
Dressa devidamente abastecida no intervalo entre shows no "pequeno" palco Marquee

Clima

Alto verão na Bélgica, pegamos temperaturas girando em torno de 30º durante os dias. Mas ao que parece o verão foi mais quente que o normal. Os dias são muito longos, temos o sol dando as caras até próximo de meia noite, reaparecendo umas 5 e pouca da matina. Mas não se enganem, a variação térmica é notada claramente ao fim do dia, e em uma das noites deve ter feito uns 15º, passamos um pouco de frio. Curiosamente às 6 da matina na manhã seguinte já era difícil aguentar o calor dentro da barraca, hehehehe. Sempre bom levar um casaquinho na mochila para quem é friorento, para não ter que retornar à barraca ao longo do dia. Um isolante térmico na barraca ou roupas quentes para dormir se fazem recomendáveis.

Céu de meia noite em Dessel

Público

Os belgas são animadíssimos, gente gigante (e surpreendentemente bonita) sempre bêbada e sorridente. Pessoas andando de cueca, calcinha e sutiã eram tão comuns de se ver quanto os tradicionais bangers de corpse paint e roupa pesada. Todo mundo MUITO amistoso a despeito do clima de loucura e da quantidade inumana de bebida ingerida. ZERO confusão. Muita gente de outros países também. Esbarramos com uma penca de grupos de brasileiros também. As meninas que andavam quase peladas (o pessoal lá aproveita cada raio do verão) não eram importunadas. Pessoas deixavam seus pertences nas cangas no gramado para comprar bebida e, ao voltar... MILAGRE, tudo continuava lá.

Dressa relaxando enquanto assiste um show. Essa é a toalha que vem no kit da barraca de camping!


Convivência entre tribos? Superpacífica. No primeiro dia, o headliner foi o Within Temptation, com o Slayer e sua turnê final em seguida. Nenhum babacoide troozão encheu o saco. Bandas modernas e Old School se sucediam com as pessoas mais preocupadas em assistir e se divertir do que encher o saco. Muita animação e cantoria. E nos shows mais pesados, MUITO crowd surfing e mosh. Cada vez que assisto um show lá fora, cai por terra aquele mito de que o pessoal aqui é louco. Na verdade, hoje somos muito comportados, isso sim. Quem quiser socializar, é fácil fazer amizade com os belgas e outros visitantes. De negativo, a galera joga absolutamente TUDO no chão. Mas ao final de cada dia, várias máquinas passavam pelas montanhas de copos e embalagens jogadas no chão, fazendo pacotes compactados que eram retirados da arena. No dia seguinte, tudo limpinho de novo.

Povo figura? Tem sim sinhô!
um lugar seguro para se guardar seu copo em meio ao show do Amon Amarth
Avaliação Final

Me faltam comparativos com outros festivais de lá, mas conversando com pessoas que estavam por lá e que frequentam ouros gigantes, geralmente as avaliações eram favoráveis: o GMM parece ser dos mais organizados festivais do verão europeu. Toda a equipe de produção te atende com muita cordialidade, tudo funciona e é absolutamente fantástico estar em meio a tanta gente e poder se preocupar unicamente em se divertir. Não dá nem para o começo tentar comparar com qualquer festival grande que eu tenha visto por aqui. 
Uma experiência fantástica que, se o dinheiro permitir, pretendo repetir mais vezes. Amanhã, postarei sobre os shows em si. Quem quiser saber algum detalhe que não tenha sido explicado á contento aqui, só perguntar!

Felizes na grade do início do último dia, para o show do FM! Sonho realizado! Valeu!