quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Black Label Society – Vivo Rio/RJ (24.11.12)



Pelas Barbas do Profeta!
Texto: Trevas
Fotos do Show por David de Oliveira

Prólogo – Zakk, ontem e hoje

Numa chuvosa tarde de sábado me encaminhei ao Vivo Rio para corrigir uma de minhas mais evidentes falhas curriculares, assistir a um dos maiores guitarristas de Hard/ Heavy em todos os tempos ao vivo.  

Jeffery Phillip Wiedlandt, gerado em 1967, de fato nasceu para o mundo em 1987, quando já com o nome artístico Zakk Wylde, substituiu Jake E. Lee na banda do Madman Ozzy Osbourne. O então magro e alto rapaz loiro cravou ali o início de uma duradoura parceria com o comedor de morcegos, tendo sido responsável pelo seu maior sucesso comercial, o disco No More Tears.


Zakk antes de comer espinafre e jogas as giletes fora, em 88

Compositor prolífico, Zakk ocupou seu tempo livre entre os espaçados discos com Ozzy e respectivas turnês inicialmente com o Pride And Glory, projeto de Southern Metal que daria origem ao mais pesado e sujo Black Label Society. Entretanto, com o crescimento desse projeto e aumento exponencial da fama do guitarrista, sucesso esse ancorado em uma mistura de talento, carisma e imagem forte, muitos começaram a perceber o óbvio: havia muito pouco de Ozzy nas músicas de Ozzy (sempre foi assim, ora bolas). Some-se a isso o fato de muitos moleques que pouco ou nada sabem (ou não se interessam em saber) da importância histórica de Ozzy para o metal irem aos shows mais para ver Zakk em ação e tivemos então a escolha óbvia – Zakk é convidado a se retirar da banda.

Muitas barbas e músculos depois
Quanto à minha falha curricular, já havia assistido ao Ozzy por duas vezes. Mas na primeira, em 1995, Joe Holmes (que tocara com Dave Lee Roth) assumira as cordas no lugar do já prodigioso e ainda nada anabolizado pupilo e na vez mais recente (esse ano) Gus G, outro prodígio, se adonara do mesmo posto. Dessa vez, tão logo soube da apresentação no Rio de Janeiro, me apressei em garantir meu ingresso.

Darwin projetando a evolução de Zakk?
Tamuya Thrash Tribe

Como de costume, o ingresso e material de divulgação do evento não traziam maiores informações sobre os horários das atrações da noite, o que fez com que eu perdesse parte do set da promissora banda de Thrash/Death Tamuya Thrash Tribe. Esbanjando profissionalismo e apresentando um punhado de boas músicas, a banda foi muito bem recebida pelo público, que até então não enchia metade da casa. E a julgar a qualidade e potência do som dos caras, aparentemente foi permitido à banda a utilização quase completa do som da casa (eu acho, não estou certo). Cabe ressaltar que havia um estande vendendo material da banda no saguão do Vivo Rio e ao final da noite não foi incomum esbarrar com pessoas já ornadas com camisas do TTT. Tomara que a banda vingue, qualidade para isso os caras tem.

TTT - Futuro promissor
Berserkers Movidos à Cerveja Sem álcool

O que vimos em seguida foi uma rápida ação militar dos roadies do BLS para restabelecer a organização do palco para a atração principal. Próximo de 22:30h o som mecânico da casa é tomado por uma portentosa introdução (2001 – Uma Odisséia no Espaço), seguida de sons de sirene. Os integrantes da banda tomam seus postos e então seu hirsuto líder inicia os trabalhos com o ótimo riff de Godspeed Hellbound, seguida de Destruction Overdrive (ver essas duas no vídeo abaixo) e Bored To Tears. Há algo de errado. O som está absurdamente embolado, a voz de Zakk totalmente sem definição, sendo quase impossível distinguir as frases. E pior, a guitarra do grandalhão aparece com volume lá em baixo, sendo encoberta em diversos momentos pelo ótimo e fiel escudeiro Nick Catanese.


E apesar de toda a pancadaria sonora, havia algo a mais no ar (ou a menos), um Zakk inicialmente menos comunicativo que o normal parecia refletir o estado de espírito da equipe da banda, que segundo relatos não confirmados, estaria com os nervos à flor da pele por conta dos problemas que levaram ao cancelamento do show de Fortaleza e adiamento de outra data em Porto Alegre.

Menos mau que o bom John DeServio (baixo) e o sempre eficaz Nick tenham simpatia e carisma suficientes para driblar a postura algo apática do patrão, interagindo com o público com gestos, olhares e sorrisos, enquanto Zakk repetia o rito termina a música, vira as costas e começa a próxima.

BLS detonando
Muita gente reclamou do set escolhido para a turnê atual, mas achei a seleção válida, exceção feita à próxima da noite, Berserkers, que considero uma das mais fracas da banda. Zakk começou a se soltar um pouco somente no hit Bleed For Me, incitando à platéia a soltar o gogó com socos desferidos no ar. A partir desse gesto o show começou a engrenar de vez. The Rose Petalled Garden poderia ser considerada uma grata surpresa, se hoje em dia não fosse tão fácil apagar surpresas consultando a internet antes de um show. Zakk senta frente a um teclado para executar uma pequena peça que logo se torna a bela In This River, em uma rendição não muito feliz devido à combalida voz do gigante. Mas há de ressaltar o espaço dado a Nick, que assume as guitarras por completo durante esse número, e a homenagem à Dimebag Darrel, através de duas imagens do falecido guitarrista do Pantera estendidas sobre as paredes de amps.

Enquanto Madonna e Lady gaga trocam de figurinos durante o show...
...Zakk troca de guitarras, cada uma mais animal que a outra...
Forever Down faz a banda retomar o peso, seguida de um acapachante momento solo de Zakk, onde ele mostra com imensa facilidade que pode colocar quase todos os guitarristas que um dia ousaram tocar heavy metal no bolso de uma de suas jaquetas de motociclista. Não bastasse parecer o rebento da improvável união carnal de um Viking com um urso Grizzly, Zakk tem uma sonoridade e pegada únicos, unindo uma brutalidade impressionante com uma técnica para lá de surreal. Sei que muita gente torce o nariz para a música do BLS, mas é inegável o talento de seu mentor.

E por falar em imagem, não dá para deixar de notar a qualidade da iluminação do show e do cuidado com o visual, com o casamento do backdrop interessante, a parede de amps e até mesmo o indefectível pedestal de microfone utilizado pelo líder da banda. Até mesmo o gesto de Zakk brindando aos céus e bebendo sua cerveja está lá, ainda que saibamos que ele não pode mais beber e que a cerveja cenográfica em questão não passa de uma hedionda Schin sem álcool (reza a lenda que o camarim estava forrado desse treco). Quisera que o esmero com o som tivesse sido semelhante, pois apesar de uma considerável melhora, a guitarra de Zakk chegou até o final da apresentação em volume abaixo do ideal.

Mais uma do harém do homem urso
Compensando o ritmo algo titubeante da primeira metade da apresentação, a partir da boa Parade Of The Dead o que vimos foi um arregaço sonoro atrás do outro: Overlord, Blessed Hellride, Suicide Messiah e as já clássicas Concret jungle (única coisa que presta no pavoroso Shot To Hell) e Stillborn, tocadas sem parar e com Zakk novamente empolgado, quase fizeram o público esquecer a ausência de Fire It Up e do já costumeiro não retorno da banda para a apresentação de um bis.

Saldo Final

Zakk Wylde é uma lenda, está cercado de bons músicos e possui em seu catálogo um punhado de grandes hinos metálicos (isso ainda abrindo mão de material valioso gravado com Ozzy, Pride And Glory e carreira solo). Uma pena que o show demorou um pouco a engrenar e que o som nunca ficou realmente bom durante todo o set.

De qualquer maneira, é um espetáculo bastante indicado aos amantes de grandes riffs e solos e assistir a um dos grandes guitarristas em todos os tempos deveria ser matéria obrigatória em qualquer escola do rock que se preze.




SETLIST:

2 comentários:

  1. Quer dizer então que perdeste o show dele (BLS - korn (ô treco ruim da porra!) - Ozzy) no HSBC Arena? Não o viu atirar sua guitarra (uma Gibson Les Paul Custom, se não estou enganado) para o público em Paranoid (segundo o próprio, só fez aquilo por estar extremamente bêbado!), seguido de um segundo de clarividência, pulo para o meio da galera para tentar recuperar o brinquedo, Paranoid se estendendo por incontáveis segundos até ser encerrada só pelo Madman mais a cozinha, até ele voltar com os restos mortais da dita cuja (deu dó ver a mão da pobrezinha quebrada...). Mas enfim. Zakk é um cara verdadeiramente Wylde!

    Long Live BLS!

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  2. Perdi em termos, graças ao Youtube pude ver essa antológica (de anta)cena e rir pacas. Naquela época ele andava tão mamado que só fazia M, hehe
    Deve ter sido por causa da finada guitarra que ele ficou sóbrio, haha
    Abracetas
    T

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